quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Por que o seu Deus é verdadeiro, e não o [deus politeísta qualquer]?



Nessa pergunta muito comum entre debates teísmo vs. (neo)-ateísmo, o adversário pergunta o motivo pelo qual optamos pelo monoteísmo ao invés da crença em alguma divindade politeísta. A pergunta pode vir mais ou menos assim:

“Por que você acredita em Deus e não em Thor, Osíris, Rá e Afrodite?”

Embora exista uma “falha” na pergunta (é uma pergunta pessoal – “Por que você acredita…”) que não me permita responder por todos, vou, obviamente, argumentar no sentido de como eu responderia a tal questão.

Antes de tudo, por trás do nome, quem é “Deus”? Eu o defino como um ser pessoal, transcendental e necessário. Se ele é transcendental, então não tem atributos e características tipicamente físicas (como ter uma cabeça de falcão, barba vermelha ou usar uma cabeça de falcão); se ele é necessário em sua própria existência, então não pode ter passado a existir (como surgir do sêmen jogado no mar – você vai entender isso daqui a pouco, se ainda não entendeu).

Nós temos argumentos que INDICAM a existência de um ser com ESSAS CARACTERÍSTICAS de ser pessoal, transcendental e necessário (e não outras). São argumentos como o da Causa Primária, Cosmológico Kalam, o da Contingência, Moral, Ontológico, etc. Eu os considero racionais e com apelo; portanto, eu posso me justificar neles para acreditar em Deus.

Agora que já sabemos o que eu entendo por Deus e com que base posso justificar minha crença nele, vamos nos perguntar: e quem são Thor, Osíris, Rá e Afrodite?

Arranjei as definições (de forma bem resumida, só para passar a idéia) desses quatro deuses para a análise. Por exemplo:

Thor

Thor ou Tor (nórdico antigo: Þórr, inglês antigo: Þunor, alto alemão antigo: Donar) é o mais forte dentre deuses e homens, é um deus de cabelos vermelhos e barba, de grande estatura, representando a força da natureza (trovão) no paganismo germânico, disparando raios com o seu poderoso martelo Mjolnir. Ele é o filho de Odin, o deus supremo de Asgard, e de Jord (Fjorgyn) a deusa de Midgard (a Terra). Durante o Ragnarök, Thor matará e será morto por Jörmungandr. Thor também é chamado de Ásaþórr, Ökuþórr, Hlórriði e Véurr.

Osíris

Osíris é, miticamente, a primeira de todas as múmias, dando assim justificativa à prática do embalsamamento. Ísis, sua esposa-irmã, opõe-se à catástrofe da sua morte com a prática da magia, o recurso da mumificação e a milagrosa concepção de Hórus.


Rá ou Ré é a principal divindade da mitologia egipcía, Rá é um deus com cabeça de falcão conhecido como o deus do sol, pela impôrtancia da luz na produção dos alimentos.

Afrodite

Afrodite (em grego, Αφροδίτη) era a deusa grega da beleza, do amor e da procriação. Possuía um cinturão, onde estavam todos os seus atrativos, que, certa vez, a deusa Hera, durante a Guerra de Tróia, pediu emprestado para encantar Zeus e favorecer os gregos. De acordo com o mito teogônico mais aceito, Afrodite nasceu quando Urano (pai dos titãs) foi castrado por seu filho Cronos, que atirou seus testículos ao mar, então o semêm de Urano caiu sobre o mar e formou ondas chamadas de (aphros), e desse fenomeno nasceu Aphroditê ("espuma do mar"), que foi levada por Zéfiro para Chipre. (…) Como vingança e punição, Zeus fê-la casar-se com Hefesto, (segundo Homero, Afrodite e Hefesto se amavam, mas pela falta de atenção, Afrodite começou a trair o marido para melhor valorizá-la) que usou toda sua perícia para cobri-la com as melhores jóias do mundo, inclusive um cinto mágico do mais fino ouro, entrelaçado com filigranas mágicas. Isso não foi muito sábio de sua parte, uma vez que quando Afrodite usava esse cinto mágico, ninguém conseguia resistir a seus encantos.

Podemos ver quais as características desses deuses; são todos seres com características físicas limitadas (destacadas nos trechos – como ter barba, cabeça de falcão, ter uma esposa-irmã, etc) e que não são necessários (Afrodite, por exemplo nasceu do sêmen de Urano jogado no mar – definição que seria simplesmente inconcebível para Deus!).

Essas quatro divindades são diferentes da divindade Deus? Acho que está claro que, conceitualmente, são. Assim, os argumentos para Deus não podem se aplicar a eles.

Mas que argumentos nós temos para a existência de uma “primeira múmia” ou para um sujeito com um martelo mágico que controla ou dispara os raios? Bom, eu não ouvi nenhum.

Então, esta aí a diferença: Deus é um ser transcendental, pessoal e necessário para qual temos argumentos a favor. Já os outros são seres contingentes, físicos e “arbitrários” para qual NÃO temos argumentos a favor.
Logo, temos argumentos para acreditar na existência de Deus, que é um ser diferente da existência de Thor, Osíris, Rá e Afrodite, que precisariam de argumentos próprios e que, na verdade, parece que não temos. Deste modo, eu posso dizer por qual motivo dou preferência a Deus aos outros seres diferentes dele.

A conversa pode continuar assim: “Mas eu discordo dessa visão. Eu acredito que Thor não é um ser físico com um martelo. Na minha opinião, Thor é o nome de um ser que está além do nosso Universo e que é necessário em sua existência.”

Essa é uma variação do que foi explicado na técnica “Por que não o Monstro do Espaguete Voador?”. Se você passar a definir Thor como transcendente e necessário, então, tudo bem, nós passamos a falar do MESMO ser! Um ser não se define pelo nome de fantasia que damos a ele – mas pelas características conceituais objetivas de quem se fala. Se você igualou a descrição de Thor à descrição de Deus, então agora estamos falando da mesma coisa, mas apenas com nomes diferentes – sendo o nome um detalhe irrelevante para a discussão”. Como eu falei naquele mesmo artigo:

A moral da história é: por mais que se queria dar algum outro nome besta qualquer, como Monstro do Espaguete Voador, Mamãe Ganso ou Unicórnio Rosa Invisível, se estivermos falando de seres com as MESMAS características OBJETIVAS… então estamos falando… do mesmo ser!

Talvez ele ainda tente no final: “Ok, mas mesmo assim pode ser tanto Allah quanto Deus. E agora?” Essa é a técnica “Qual Deus?”. “Deus”, “Allah” e “Javé” são três palavras diferentes que se referem ao MESMO ser. São todos o que se comumente se entende por “Deus” (nome próprio) – Allah é até a palavra que os arábes usam para Deus, como “God” em inglês ou “Dios” em espanhol. Então não há diferença alguma entre eles.

E, não, o fato de existirem três revelações (ou mais) diferentes não o fazem serem “deuses” diferentes. Nós temos que fazer duas perguntas para qualquer religião:

(a) A divindade de qual essa religião fala existe?
(b) Se existe, a forma que ela se revelou/a forma de se fazer o “religamento” com ela, tal qual alegado por essa religião, é verdadeira?

Cristãos, muçulmanos, judeus e deístas concordam no tópico (a) (e os argumentos citados por mim no início servem para dar suporte – inicial, ao menos – para o item (a) apenas). O que eles discordam por qual forma certa ou válida Deus se revelou – seja na Torah, seja por Jesus Cristo, seja por Maomé ou seja em nenhuma dessas opções (caso aceito pelos deístas).

E o fato de discordarem sobre como Deus se manifestou ou como Deus agiu na história NÃO os faz falarem sobre um “Deus” diferente. Se adotassemos esse critério, então teríamos que dizer que a cada biografia que traz um perfil diferente de um biografado está se referindo a OUTRA pessoa – quando, na verdade, assim como no caso das revelações, pode ser simplesmente que eles concordem sobre quem estão falando, mas alguns dos biógrafos esteja com uma interpretação falsa ou distorcida da existência dessa pessoa biografada.

Enfim, uma refutação poderia ir assim:

FORISTA: Por que você acredita em Deus e não em Thor, Osíris, Rá ou Afrodite? São todos mitológicos igualmente.

REFUTADOR: Eu posso dar razões para acreditar em Deus. Existem argumentos, como o Cosmológico, Fine Tunning e Moral que apontam para a existência de Deus. Por isso, Ele é diferente das divindades politeístas.

FORISTA: Mas para os fiéis, Krishna e Rá são seu “Deus”. Eles poderiam usar esses argumentos também, portanto.

REFUTADOR: Não, não poderiam. Krishna e Rá são seres contingentes, não transcendentes. Para ser Deus, é preciso ser um ser transcendental à matéria, muito poderoso e outros atributos que você pode ler conforme definido pelos filósofos nessas argumentações. Se tiver todos esses, então, você pode chamar de “Deus” ou de “Zé da Esquina”, pois vamos estar falando objetivamente do mesmo ser.

FORISTA: Hmmm… Mas você não pode indicar o Deus cristão por isso. Eles servem também para aqueles que chamam de Allah e como eles tem nomes diferentes, então são Deuses diferentes.

REFUTADOR: Non-sense. Se fosse pelo seu critério de nomes, ao dar um apelido para alguém eu estaria formando uma nova pessoa. É o mesmo Deus com uma interpretação focada em uma base diferente. (Ah sim: Allah é a palavra deles para “Deus”, assim como “God” nos Estados Unidos).

FORISTA: Afirmar que qualquer Deus é o mesmo é crença sua sim. Ponto final.

REFUTADOR: Você não argumenta, só chega aqui e diz que “é crença sim”, por decreto. Mas vá lá. Não existe “qualquer Deus”. Deus é um nome próprio, que se refere a uma divindade específica. Assim como não existe “qualquer Thor” ou “qualquer Poseidon”… são nomes próprios que se referem a um tipo específico de ser.

[E por aí vai...]

Conclusão

Para refutar este argumento, basta citar os argumentos a favor da existência de Deus e diferenciá-lo dos outros deuses e divindades parelelas. 

Fonte: recuperado e adaptado do Quebrando o Encanto do Neo-Ateísmo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Problemas com o FeedBurner

Olá leitores.

Venho para comunicar que tivemos um pequeno problema técnico com o FeedBurner (serviço que permite ler as postagens do blog por e-mail ou através de um leitor RSS). Eu não sei o que aconteceu, mas uma leitora me comunicou que não estava funcionando. Por isso eu tive que reiniciar o serviço, e provavelmente todos que usavam este serviço não recebem mais, portanto terão que se cadastrar de novo. Para se cadastrar e receber as postagens do blog por e-mail, digite o seu e-mail na aba lateral, aqui onde está escrito "Seguir por e-mail".

Abraços, Paz de Cristo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Por que eu não sou um neo-ateu (texto escrito por um ateu)

Olá leitores.
Apesar de este texto ter sido escrito por ateu, eu achei válidos alguns dos argumentos dele contra a postura neo-ateísta, contra várias ideias que venho combatendo aqui. Por isso eu estou compartilhando o texto aqui.

Obs: Como eu já disse o autor é ateu, por isso não me responsabilizo por 100% do conteúdo do texto, já que nossas posições filosóficas e religiosas são diferentes. Leia de forma imparcial.

Abraços, Paz de Cristo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

[Vídeo] Christopher Hitchens "leva uma surra" - sobre moral objetiva


O já falecido escritor ateu Christopher Hitchens sofre uma dura crítica aqui sobre a sua afirmação de valores morais sem a existência de Deus. Confiram no vídeo.

Abraços, Paz de Cristo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Uma tentativa de reformulação do Argumento Moral - Por Silas Ben-Hur


Olá, leitores. Silas Ben-Hur é um leitor de nossa página no Facebook e esta já é a segunda contribuição dele para o arsenal apologético do blog. Você pode conferir o outro texto dele aqui: http://www.respostasaoateismo.com/2012/06/sobre-onipotencia-de-deus.html

Abraços, Paz de Cristo.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Novo blog: Reflexões sobre um mundo sem Deus



Olá, leitores. Eu tenho trabalhado no Respostas ao Ateísmo há cerca de um ano e meio, e tenho alcançado tanto até aqui que estou muito satisfeito com o trabalho. Nossa página no Facebook já conta com mais de mil fãs e nos melhores dias temos centenas de acessos ao blog. Eu agradeço muito a Deus por tanto que tem me abençoado e pelo tanto que tenho aprendido nesta jornada. No início do meu projeto, eu queria abordar temas como a compatibilidade entre ciência e a religião cristã e a existência de Deus do ponto de vista racional. Atualmente eu tenho visto meu trabalho como praticamente cumprido; não que não haja mais nada a ser feito ou publicado - há sim, muito mais a se fazer. Por isso eu tenho pensado em iniciar um novo projeto, um blog com textos com outra ênfase, mas também relacionados à questão do ateísmo.

Simultaneamente a esta notícia estou publicando a primeira postagem no mais novo blog "Reflexões sobre um mundo sem Deus". Com isso, eu não vou cessar as publicações nesta página, mas vou gradativamente diminuir a frequência das postagens. Pessoalmente, eu tenho tido problemas em relação a tempo, principalmente por causa da minha faculdade. E no novo blog, os textos perdem um pouco o foco formal e didático que têm aqui, e passam a ser mais curtos, objetivos e pessoais. Espero que gostem!

Visitem o link e não se esqueçam de seguir o blog!

Abraços, Paz de Cristo.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

[DEBATE] David Sousa e Thiago Melo: Sobre o sacrifício de Jesus



Olá, leitores. Eu tenho planejado escrever um artigo sobre o sacrifício de Jesus desde que criei este blog, há mais de um ano. Há cerca de quatro meses, em abril, um leitor fez uma pergunta relacionada ao assunto através da página do Facebook e travamos um pequeno debate sobre o tema. Desde então o debate esteve incompleto, e agora que as circunstâncias estão favoráveis, estou publicando o post do Facebook, com algumas edições para adaptá-lo ao blog. (Se alguém achar que eu adulterei alguma parte do texto, podem visitar a página no Facebook para ver o texto original através deste link).

Como o texto não está completo, eu aproveitarei para incrementar minha última fala com alguns detalhes, e darei oportunidade para que o outro debatedor escreva mais uma fala, que posteriormente publicarei aqui, e será a fala de encerramento do debate. Se sobrar alguma questão pendente, eu responderei em outra postagem do blog.

Abraços, Paz de Cristo.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Deus do Islamismo é o mesmo Deus do Cristianismo?


As duas maiores religiões do mundo em número de adeptos são o cristianismo e o islamismo. As duas religiões estão ligadas historicamente pela história dos hebreus. O povo hebreu, segundo as escrituras judaicas, foi iniciado por um nômade chamado Abraão, por volta de 2000 a.C. Abraão teve dois filhos, Isaque e Ismael. Acredita-se que de Isaque vieram os atuais judeus e de Ismael vieram os atuais povos árabes. A tradição monoteísta de Abraão é de onde veio o judaísmo, que mais tarde culminou no cristianismo. Os povos árabes, cerca de 600 anos depois de Cristo, iniciaram o islamismo através de certas interpretações dos escritos judaicos e cristãos e novas revelações que teriam sido dadas a Maomé.

Teoricamente, as religiões abraâmicas, ou seja, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, possuem o mesmo D'us único como objeto de adoração. Entretanto, como vamos ver aqui, o Islamismo possui ideias radicalmente diferentes das cristãs sobre o próprio conceito de Deus, por isso concluiremos que ambas as religiões não adoram ao mesmo "Deus". Deixaremos um pouco de lado questões históricas relacionadas ao nome "Allah", que são muito polêmicas e merecem um estudo mais aprofundado. Para quem quiser há um excelente artigo, em inglês, aqui: [link]

Antes de começar qualquer argumentação, deve-se notar que tanto o cristianismo quanto o islamismo não são religiões unificadas, antes possuem várias ramificações que divergem em muitos ensinamentos. Mas tentaremos falar aqui da forma mais genérica possível, esclarecendo as diferenças mais fundamentais entre as duas religiões.

1. Jesus Cristo


Para os cristãos, apesar de Deus ser único, Ele possui uma tripessoalidade, e Jesus é considerado a 2ª pessoa da trindade. Jesus é Deus manifestado na forma humana, que veio ao mundo para ser condenado pelos pecados da humanidade e assim demonstrar seu amor pela mesma. Jesus pagou a dívida que a humanidade acumulou com sua rebeldia perante Deus através da sua morte, e depois foi ressuscitado, provando que a dívida havia sido paga.

Para os islâmicos, Jesus foi um dos profetas enviados por Deus, mas não foi o mais importante deles (este foi Maomé, ou Mohammed, como os árabes o chamam).

Há muitas evidências para a crença cristã na divindade de Jesus, e a maioria delas está nos escritos da Bíblia. Os islâmicos, entretanto, ignoram estas evidências negando a autenticidade histórica do Livro Sagrado. Vamos analisar de perto estas evidências:

a) Jesus considerou a si mesmo como o Filho Único de Deus, em contraste com a visão islâmica de ser apenas um profeta. Muitas falas de Jesus nos evangelhos demonstram isso, e segundo os historiadores do Novo Testamento podem demonstradamente autênticas, isto é, realmente proferidas pelo Jesus histórico. Por exemplo, a parábola dos trabalhadores da vinha em Lucas capítulo 20:

Então Jesus passou a contar ao povo esta parábola: "Certo homem plantou uma vinha, arrendou-a a alguns lavradores e ausentou-se por longo tempo. Na época da colheita, ele enviou um servo aos lavradores, para que lhe entregassem parte do fruto da vinha. Mas os lavradores o espancaram e o mandaram embora de mãos vazias. Ele mandou outro servo, mas a esse também espancaram e o trataram de maneira humilhante, mandando-o embora de mãos vazias. Enviou ainda um terceiro, e eles o feriram e o expulsaram da vinha.

Então o proprietário da vinha disse: ‘Que farei? Mandarei meu filho amado; quem sabe o respeitarão’. Mas quando os lavradores o viram, combinaram entre si dizendo: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo, e a herança será nossa’. Assim, lançaram-no fora da vinha e o mataram. 

O que lhes fará então o dono da vinha? Virá, matará aqueles lavradores e dará a vinha a outros". Quando o povo ouviu isso, disse: "Que isso nunca aconteça!"

O significado dessa parábola é claro. A videira ou vinha é uma árvore que frequentemente é utilizada para simbolizar Israel, na Bíblia. O dono da vinha é Deus, e os servos enviados são os profetas. O filho do dono da vinha é Jesus, que foi morto pelos judeus. Isto significa que Jesus claramente se via como o filho de Deus, mensageiro ultimo e distinto dentre todos os profetas. Mesmo os estudiosos céticos do novo Testamento, como o Jesus Seminar, admitem a autenticidade deste texto.

Os islâmicos argumentam que muitos destes textos podem ter sido posteriormente inventados para defender o conceito da divindade de Cristo. Mas existem outros textos nos mesmos Evangelhos que claramente não teriam sido inventado, pois lançam ideias que seriam dúvidas ou dificuldades em relação à divindade de Cristo para os crentes daquele tempo. Por exemplo, em Mateus 11.27, Jesus diz de si mesmo que "o Filho não pode ser conhecido". É improvável que a Igreja tenha inventado este texto. E a historicidade dessa citação é confirmada por um manuscrito chamdo "documento Q", que é uma fonte antiga compartilhada por Mateus e Lucas ao escreverem seus evangelhos.

Observe também o texto de   Marcos 13.32, onde o próprio Jesus se limita dizendo que não sabe a hora da Sua vinda. Se a Igreja estivesse querendo manipular informações para "inventar" a divindde de Cristo, é muito improvável que este texto tenha sido acrescentado depois, aliás, seria mais provável que ele fosse retirado da Bíblia, e de fato não foi.

O apologista cristão C. S. Lewis disse uma vez que "Ele [Jesus] não nos deu a escolha de ser apenas um grande homem". Jesus referia-se claramente a si mesmo como O Filho de Deus. Só nos restam três opções lógicas: ou Ele era um mentiroso; ou era um lunático delirante; ou realmente estava falando a verdade. Ele não pode ter sido apenas um "grande profeta".

É claro que só as palavras de Jesus não são prova suficiente da sua divindade. As evidências principais foram os seus feitos milagrosos, culimando na sua ressurreição, que pode ser investigada ainda hoje por meios históricos. O teólogo e filósofo William Lane Craig  possui um estudo extenso sobre as evidências históricas da ressurreição de Jesus. Se quiser saber sobre as evidências acerca da ressurreição de Jesus, veja a transcrição do debate entre William Craig e Bart Ehrman aqui ou leia o livro O Jesus dos Evangelho: Mito ou realidade?

2. O conceito de Deus


Há uma incompatibilidade filosófica no conceito de Deus e moralidade para o cristianismo e o islamismo. Embora ambas as teologias concordem em dizer que Deus é o maior ser concebível em grandeza e perfeição, o cristianismo apresenta Deus como todo-amoroso, conceito que é totalmente estranho ao islamismo.

Na Bíblia encontramos as seguintes palavras acerca do amor de Deus:

"Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele." 1 Jo 4.16
"Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." 1 Jo 4.8

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele."  Jo 3.16-17

"Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores." Rm 5.8

"Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva." Ez 33.11a

No Alcorão o contraste é muito claro, encontramos referências frequentes, por exemplo: Deus não ama  os incrédulos; Deus não ama quem pratica o mal; Deus não ama o orgulhoso; Deus não ama os transgressores; Deus não ama o pródigo; Deus não ama os traidores; Deus é inimigo dos não-crentes. Em vez de todo-amoroso, o Deus Allah é chamado de "al-rahman al-rahim", todo-misericordioso. 

A questão do merecimento é também muito enfatizada pelo Alcorão. Por exemplo: "trabalhe e Deus certamente verá seu trabalho."; "toda alma pagar por aquilo que ela mereceu."; "aqueles que crêem, que fazem ações virtuosas, que fazem orações e dão esmola: seu salário espera com o Senhor."; "a aqueles que crêem e praticam a justiça, Deus mostrará amor." O amor de Allah é parcial, precisa ser merecido. 

Para os islâmicos, o próprio conceito de moralidade é diferente do cristão. A vontade de Allah arbitrariamente determina aquilo que é certo ou errados, e complementarmente a isto, os atributos de Allah são incognoscíveis e inacessíveis  à razão humana. No cristianismo, a moralidade é determinada pela vontade de Deus, mas isto não é arbitrário porque a vontade de Deus é "limitada" por seus atributos, que são bem conhecidos: bondade, amor, perfeição, santidade e justiça.

Conclusão


Me parece que o problema com o Islamismo não é que em relação à teoria da moralidade ou mesmo em relação às alegações históricas, mas sim que ele tem o Deus errado. É verdade que nossas obrigações morais são constituídas dos mandamentos de Deus. Mas os muçulmanos discordam dos cristãos em relação à natureza de Deus. Os cristãos crêem que Deus é um Deus amoroso, enquanto os muçulmanos acreditam que Deus ama somente os muçulmanos. Allah não tem amor pelos incrédulos e pecadores. Então, eles podem ser mortos indiscriminadamente. Além do mais, no Islamismo, a onipotência de Deus supera tudo, inclusive sua própria natureza. Ele é então absolutamente arbitrário na sua conduta com a humanidade. Em contraste, os cristãos sustentam que a natureza santa e amorosa de Deus determina seus mandamentos.

Também não fui muito profundo em algumas questões, por isso recomendo outro artigo excelente em inglês para aqueles que querem estudar mais detales sobre os conceitos de Deus no Alcorão e na Bíblia: [link]

Referência


Debate entre William Craig e Jamal Badawi na Universidade de Illinois em 1997. [link]

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Cristianismo foi inventado para dominação social?



Esta é uma das "técnicas" utilizadas pelos neo-ateus para tentar subverter ou combater o cristianismo atualmente. O autor do blog Quebrando o encanto do neo-ateísmo escreveu um bom texto sobre o assunto, que está sendo publicado aqui (atualmente a página dele tem estado fora do ar, por isso estou publicando).

Abraços, Paz de Cristo.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A descrença é culpável?



Este é um texto extraído da seção de perguntas e respostas do site ReasonableFaith, do William. Acredito que o assunto é muito oportuno aqui no blog, já que um argumento frequente do neo-ateísmo é de que o cristianismo possui um Deus imoral, já que Este condena os infiíes simplesmente porque não creram nele, independente de terem feito coisas boas durante a vida (aliás, este argumento tem um apelo muito mais emocional do que racional, mas isso é típico do neo-ateísmo).

Aproveitem a leitura.
Abraços, Paz de Cristo.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

As bases do ateísmo [COMENTADO]

Devo pedir desculpas aos leitores, porque não encontrei a origem deste texto. Estava "perdido" nas pastas do meu computador, provavelmente eu devo ter visto há muito tempo em um site qualquer e copiado para estudá-lo futuramente.

O texto fundamenta quatro argumentos para a coerência do ateísmo como filosofia. Comentarei alguns pontos em vista do que se tem dito aqui no blog. 

Abraços, Paz de Cristo.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

[Vídeo] o ateísmo refuta a si mesmo


Transcrição:

O ateísmo refuta a si mesmo

Frequentemente, os próprios ateus reconhecem que não possuem evidências da ausência de Deus. Mas tratam de lhe dar um novo matiz. Eles dizem: "Ninguém pode provar um negativo universal como 'não há Deus'". Eles pensam que isso lhes escusa de ter evidências contra a existência de Deus. 

Mas não somente é falso que não se pode provar uma negativa universal (tudo que temos que fazer é provar que a afirmação é auto-contraditória para provar a não-existência), mas mais importante ainda, essa afirmação é a admissão de que é impossível provar o ateísmo. Já que o ateísmo é uma negação universal, e não se pode provar uma negação universal; logo o ateísmo é improvável (no sentido de que não pode ser provado). 

Daí resulta que é o ateu que crê em algo para o qual não há nem pode haver evidência! Logo, este argumento deveria fazer parte do arsenal apologético cristão, e não da ateísta!

Abraços, Paz de Cristo.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

[Vídeos] Por que Deus permanece oculto?




Esta é uma questão muito pertinente em relação ao teísmo e particularmente ao cristianismo. Apresento duas respostas dadas sob pontos de vista complementares, pelos filósofos Alvin Plantinga e William Craig.

Abraços, Paz de Cristo.


Alvin Plantinga
Prof. Emérito de Filosofia na Universidade Notre Dame
em entrevista com Robert Lawrence Kuhn.

R L. Kuhn. Há muitos argumentos que os ateus usam que aprecem demonstrar que não existe o ser que chamamos de Deus. Por exemplo, o ocultamento de Deus: "se Deus é tão importante para nós, porque Deus não deixaria mais evidencias da sua existência?" Parece ser mais culpa dEle do que nossa, que não acreditemos nEle.

Plantinga. Bem, na verdade a grande maioria da população mundial acredita em Deus ou em algo semelhante. Portanto Deus não está oculto a ponto de que ninguém acredite nEle. Todo tipo de gente acredita, e de fato é grande maioria da população mundial.

Deus não é tão claro para nós como outros seres, como aŕvores, casas ou coisas materiais, mas por que determinar como Ele deveria se comportar? Teria que haver mais neste argumento que só isto. Da forma que é apresentado não creio que seja u argumento em absoluto. Ele pode ter uma boa razão para estar relativamente oculto, na medida que está. Mas eu acredito que não está tão oculto assim.

R. L. Kuhn. Bom, para um ateu que sinceramente gostaria de acreditar mas não encontra evidência, o argumento é que "se Deus realmente quer que eu creia, ele faria sua existência mais evidente, há milhares de formas distintas pelas quais Ele poderia fazer isso.

Plantinga. Sem dúvida, há sim. Mas também nosso mundo é em muitos sentidos um mundo caído. Existem doenças e deficiências cognitivas de diversos tipos. Sou inclinado a pensar que não crer em Deus é uma delas. A condição natural do ser humano seria, como Calvino dizia, algo que ele chamava de sensus divinitatis, que seria crer em Deus de uma maneira totalmente implícita, de todo o coração. Porém devido aos mesmos tipos de coisas a que as enfermidades se devem, e em última instância, devido ao que Calvino diz (e estou de acordo com ele), devido à entrada do pecado no mundo, às vezes nossas faculdades cognitivas, em especial as que têm a ver com Deus e outras pessoas, não funcionam de maneira apropriada.



William Lane Craig
Ph.D. em Filosofia pela Universidade de Brimingham e em Teologia pela Universidade de Munique.

Eddie Tabash: Você mencionou sobre a importância dos milagres no ministério de Jesus. Aparentemente, você usou para demonstrar sua necessidade de dar provas de sua divindade, além da nossa salvação. Se toda a nossa salvação é dependente da aceitação de Jesus, por que Deus age de maneira tão escondida hoje?  Por que não realiza milagres 2000 anos depois? Abrir alguns mares, ou fazer chover enxofre e fogo em algumas cidades, ou algumas carruagens de fogo no céu. Se nós precisávamos há 2000 anos atrás de evidências sobrenaturais para acreditar em coisas sobrenaturais, porque Deus está tão oculto hoje e nos nega as provas sobrentaurais? 

Craig. Bem, eu concordaria com o filósofo e matemático francês Blaise Pascal quando ele disse que Deus tem dado provas suficientes, para aqueles que, com uma mente e coração abertos, mas que é suficientemente vago para não obrigar aqueles cujos corações estão fechados.  Deus certamente poderia ter escrito no céu "Eu existo, arrependa-se ou pereça" ou algo do tipo, ou "Criado por Deus" em cada átomo que Ele criou, contudo eu não acho que Deus tenha qualquer obrigação de oferecer esses tipos de provas coercivas. Eu acho que as evidências foram dadas e são suficientes para alguém que esteja disposto a olhar para elas com uma mente aberta e coração aberto. 

Eu gostaria de adicionar outro ponto também. Eu penso que o principal meio pelo qual sabemos que Deus existe não é através das evidências ou argumentos, mas é através da experiência imediata com o próprio Deus. Para aqueles que estão genuinamente à procura de Deus, Ele fará sua existência evidente. É uma forma interior de conhecer Deus, em contraste com as formas exteriores.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O que será que os ateus querem dizer com "Forças Naturais"?


Olá, leitores.

Pensei em escrever sobre este tema depois de umas conversas e debates que tive com alguns ateus na internet. Por exemplo, vejam o resultado uma vez de uma conversa que eu estava tendo com um dito ateu no blog / Facebook :

(05/01/2012)
Rodolfo Mota
Eu acredito nas forças da natureza, e não acredito em Deus sendo assim automaticamente me torno um ateu, pois o significado da palavra ateu se caso tu procurar no dicionário, se refere a pessoas que não acreditam em forças sobrenaturais, logo a natureza se torna uma força natural. (...)

Respostas ao Ateísmo
Caro Rodolfo Mota,
seu comentário me deixa curioso. O que seria, no ponto de vista de um ateu, essas tais "forças naturais"? Esse termo parece um pouco confuso para mim.

Rodolfo Mota
Bom me referindo as tais "forças naturais". Pelo fato de ter estudado química, comecei a observar que a bíblia se referia a uma energia de capacidades indeterminadas e incomparáveis, cujas a lei que mais me chamava a atenção era a de Ação e reação (no caso das religiões seria o pecado).

Como nasci cristão e não me sentia atraído pela religião e nem pela fé isso me impulsionou a criar comparações e questionamentos. Como todos nós sabemos a natureza não é apenas um conjunto de animais e seres vivos que compõe um contexto maior que seria a biodiversidade, e sim o Universo inteiro, por mais que não tenhamos descoberto nem 1% de toda a sua magnitude, tudo que é composto pela natureza e é compreensível pelo homem. De acordo com o que disse no começo do texto "Energia de capacidade indeterminadas", a natureza se adequa a este termo, mesmo que hoje ela não seja nem 1% compreendida, mas no futuro tudo indica que teremos respostas. entre várias outras coisas que observei e tirei conclusões.

Claro que posso estar errado perante meu ponto de vista. Por isso não me encaixo no quadro de teísta, pois não acredito em algo sobrenatural.

Respostas ao Ateísmo
Seu texto sobre forças naturais me deixou interessado em publicar algo sobre esse assunto. (...) como esse assunto é inédito aqui acho que vai ser uma boa falar sobre isso sim. Aguardemos.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Genocídios e Atrocidades na Bíblia? [Parte 2]




Capítulo 4. Deus não matou, ordenou pessoas matarem

Um fator dificultante para a questão moral envolvida é o fato de que Deus não matou, mas ordenou que pessoas matassem. No item anterior, foi discutido sobre a questão moral envolvida num ato de Deus. Quand Deus pede para que pessoas matem, a questão é um pouco mais complexa. A princípio é difícil conciliar um mandamento aparentemente absoluto como“Não matarás” com o que Deus diz a Josué: “Entre, extermine e não deixe nada respirando! Não deixe um animal, criança, mulher, idoso ou idosa respirando. Limpe Jericó!”. Já foi argumentado brevemente no item anterior que como Deus tem direitos sobre a vida e sabe qual a hora certa da morte de todas as pessoas, uma pessoa matar através de uma ordem direta de Deus pode não ser errado. Falaremos mais adiante nisso. 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Genocídios e atrocidades na Bíblia? [Parte 1]




Olá, leitores. No dia 20 de junho de 2011, eu publiquei um texto introdutório sobre o tema "Genocídios e atrocidades na Bíblia?", que aliás nem era de minhda autoria. Na época eu prometi publicar uma continuação ou uma versão mais detalhada, porque eu ainda não havia reunido conhecimento necessário para tal. Hoje, pouco mais de um ano depois, e após uma pesquisa relativamente extensa sobre o assunto, encontrei a oportunidade para publicar a continuação. Meu artigo está baseado principalmente na visão dos teólogos John Piper e William Craig sobre o assunto, e cobre vários fatores relacionados à matança dos cananitas registrada no Velho Testamento.

Aproveitem a leitura,
Abraços, Paz de Cristo.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Sobre a onipotência de Deus

Este é um breve trecho de um debate/exposição que aconteceu na página do Facebook sobre a onipotência de Deus. Andrei Cavalcanti fez as perguntas e Silas Ben-Hur respondeu sobre a visão teísta. 


(08/06/2012)
Respostas ao Ateísmo

Deus é onipotente, mas quando Deus cria seres que possuem vontade livre, Ele automaticamente se coloca uma limitação: Deus não tem poder para fazer com que alguém escolha A ou B voluntariamente. Se Ele fizer isso, Ele estará determinando a escolha dEle, logo a pessoa não escolheu livremente. 

Entenda que isto não prejudica a onipotência de Deus, pois o conceito de onipotência não inclui contradições lógicas. Contradições lógicas não são coisas que podem existir, são apenas conjuntos de palavras que não fazem sentido (assim como um "círculo quadrado").

Então, se Deus criou seres com livre-vontade, LOGO Ele não tem o poder de determinar qual será a escolha da pessoa, embora Ele saiba qual será a escolha das pessoas.

Aí você poderia perguntar: "Então Deus não tem absolutamente nenhum controle sobre qual seria o resultado do mundo que Ele iria criar?"

E eu respondo: Deus não poderia criar um mundo onde todos voluntariamente escolhessem a religião certa (pelos motivos dados acima), mas Ele pode criar um mundo onde o número máximo de pessoas possível através da história fizesse a escolha certa. Eu acredito que é este mundo em que vivemos.

Andrei, eu expliquei que mexer no livre arbítrio cria contradições lógicas. Contradições lógicas não são objetos possíveis no mundo real, por isso Deus não deixa de ser onipotente por não poder criar contradições lógicas. Elas nem mesmo são algo; como já expliquei são apenas conjuntos de palavras sem significado.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Então você acha que entende o argumento cosmológico?

Não costumo publicar muitos textos de outros autores ou com conteúdo altamente técnico, mas achei este texto muito pertinente. Se alguém tiver paciência de ler, será muito proveitoso, e ele pode ser usado como referência para trabalhos apologéticos também. O trabalho foi escrito pelo filósofo estadunidense Edward Feser e trata de refutar as principais objeções ao argumento cosmológico para a existência de Deus. Eu já refutei estas objeções de uma maneira mais simples no artigo [Afinal, existem evidências para a existência de Deus? (Parte 2)].


Boa leitura,
Abraços, Paz de Cristo.




Então você acha que entende o argumento cosmológico?
Edward Feser

A maioria das pessoas que comentam sobre o argumento cosmológico não sabem, de forma demonstrável, sobre o que estão falando. Isto inclui todos os proeminentes escritores neo-ateístas. Definitivamente inclui a maioria das pessoas que vivem escrevendo comentários no blog de Jerry Coyne. Também inclui a maioria dos cientistas. E até mesmo inclui muitos teólogos e filósofos, ou pelo menos aqueles que não dedicaram muito estudo ao tema. Isto pode parecer arrogante, mas não é. Você poderia achar que eu estou dizendo, “Eu, Edward Feser, tenho conhecimento especial sobre este tema que tem de alguma forma iludido todo mundo”. Mas isto NÃO é o que eu estou dizendo. O ponto não tem nada a ver comigo. O que eu estou dizendo é bem um conhecimento comum entre filósofos profissionais da religião(incluindo filósofos ateístas da religião), que – naturalmente, dado o objeto de sua particular subdisciplina filosófica – são as pessoas que conhecem mais sobre o argumento cosmológico do que qualquer outro.

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