quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Jesus: um plágio? (parte 2)

(parte 1)


5. Problemas específicos da teoria

Já que é mais improvável que o cristianismo tenha sofrido influência de culturas distantes, como os hindus ou os persas, neste estudo se dará prioridade à comparação com os deuses egípcios, embora eventualmente será tratado um ou outro episódio sobre alguma outra mitologia.

5.1. Osíris

Possuia mais de 200 nomes divinos, incluindo Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Deus dos Deuses, a Ressurreição e a Vida, Bom Pastor, Pai da Eternidade, o deus que "fez homens e mulheres nascerem de novo."

Os títulos que tenho encontrado atribuídos à Osíris são Senhor de tudo, o Bom Ser (o título mais comum), Senhor do Mundo dos Mortos, Senhor/Rei da Eternidade, Soberano dos Mortos,[13] Senhor do Ocidente, O Majestoso,[14] "aquele que se assenta", o Progenitor, o Carneiro,[15] "grande Palavra" (como em, "a palavra do que virá a ser e que não é " - um reflexo da antiga noção do poder criativo da expressão de uma palavra, encontrada também no grego Logos),"Líder dos Espíritos " [16]; regente da eternidade [17], "deus vivo", "Deus acima dos deuses" [18]. Todos estes ou são títulos gerais poderiam ser atribuídos a qualquer divindade em posição de liderança, ou no mínimo estão relacionados ao domínio dos deuses sobre o mundo dos mortos. Nenhum dos títulos citados se aproxima ou é especificamente similar com os que foram atribuídos a Jesus.

Sua chegada ao mundo foi anunciada por três Reis Magos por uma estrela no ocidente

As três estrelas Mintaka, Anilam, e Alnitak no cinturão de Órion apontam diretamente para a estrela de Osíris ao ocidente, Sírius, indicando seu nascimento. Freke e Gandy repetem a última parte sobre a estrela. Porém, embora alguns estudiosos relacionem Osíris com Órion, eles por sua vez, nada sabem sobre "reis magos" ou uma "estrela no ocidente".

Ele foi uma hóstia simbólica. Seu corpo foi comido numa cerimonia religiosa sob a forma de bolos de trigo, a "planta da Verdade

Não foi achado nada na literatura acadêmica que relatasse algo semelhante.

Salmos 23 é uma cópia de um texto egípcio apelando para Osíris, o Bom Pastor, que conduz o cansado rumo aos "pastos verdejantes" e às "águas tranquilas' das terras de nefer-nefer, a fim de restabelecer a alma e o corpo e, para dar proteção no vale da sombra da morte

Se isto é verdade, nenhum comentarista na religião egípcia ou do Antigo Testamento sabe disso. Provavelmente Osíris fosse conhecido como um pastor e, de fato tal imagem era popular no Antigo Testamento (ver http://www.tektonics.org/qt/sheepcompare.html), mas esse termo não foi visto sendo aplicado a ele por ninguém, a não ser pelos defensores dos mitos.

A oração do Pai Nosso foi prefigurada por um hino egípcio à Osiris do início ao fim, “Ó Amém, ó Amém, que estais no céu.” Amém também era citado no final de cada oração.

O hebraico "Amém" nunca é usado como uma saudação e quer dizer "que assim seja", o que significa que não é algo "invocado" como é uma divindade. Além disso, vemos aqui uma ligação etimológica baseada nas línguas originais e, não na compatibilidade das letras em Inglês. Ainda sim tal oração citada como argumento é desconhecida para os estudiosos da religião egípcia.

Os ensinamentos de Jesus e Osíris são maravilhosamente semelhantes. Muitas passagens são idênticamente as mesmas, palavra por palavra.

Os estudiosos religiosos egípcios não parecem estar cientes dessas palavras. As fontes não foram citadas por Acharya, assim não nem como fazer uma comparação lado a lado.

Tal como o Senhor da vinha, foi um grande mestre viajante que civilizou o mundo. Soberano e juiz dos mortos.

Isso é um tanto não específico. Frazer relatou que Osíris ensinava o cultivo de uvas e agricultura, estabeleceu as leis Egípcias, ensinou-lhes como prestar culto e, viajou pelo mundo ensinando essas coisas. [19] Há uma alegação semelhante sobre Dionísio. Não que isso tenha importância, já que parece que somente Frazer e mais tarde Freke e Gandy conceberam a idéia de que as duas divindades estão ligadas. Literaturas escritas por estudiosos da religião egípcia não os consideram as mesmas figuras, embora alguns correlacionem Osíris e Órion e, Budge tenha observado as viagens, mas não veja qualquer relação entre Osiris e Dionísio [20]. Em todo caso, em nenhum lugar Osíris é chamado de "Senhor da vinha". Ele é o governante e juiz dos mortos, mas isso não descreve Jesus, que simboliza um Deus que não é Deus dos mortos, "mas dos vivos" (Lc 20.38). No máximo Osíris representa o que pode se esperar de qualquer divindade suprema: domínio e julgamento.

Em sua paixão, Osíris foi alvo de uma conspiração e mais tarde assassinado por Seth e "os 72

Esta é, segundo James P. Holding, uma combinação de falsificação terminológica, meia-verdade, e irrelevância [8]. Não houve uma "paixão" no referido incidente, de fato houve um complô executado por Set contra Osíris. Houve uma grande festa, em que um caixão foi trazido por Set, ele então incentivou a todos, incluindo os 72 participantes do complô e uma rainha da Etiópia, a deitarem-se nele para verificar as medidas. Finalmente chegou a vez de Osíris, ele foi convencido a deitar no caixão. No momento em que Osíris entrou, Set fechou e pregou o caixão e, o lançou no rio; Osíris morreu sufocado. Observe que os 72 aqui são inimigos de Osíris e não seus discípulos: apenas este número - um múltiplo de 12, um número que ainda valorizamos hoje quando compramos ovos ou bananas - é um ponto em comum (e isso somente em algumas passagens de Lucas 10; outros colocam o número em 70, talvez por representar o número de nações não-judias, de acordo com os judeus). Eles não fazem nada que possa ser considerado como o que os discípulos de Jesus fizeram. Conforme consta na narrativa, Ísis, a esposa de Osíris passou a procurar o caixão. Ela o encontra na Síria, onde ele havia sido incorporado à coluna de uma casa. Ela pranteou tão alto que algumas crianças na casa morreram do susto. Mais tarde, ela o levou para fora, abriu a tampa, então ficou procurando por Hórus. Nesse meio tempo Set encontrou o caixão e dilacerou o corpo de Hórus em 14 pedaços, espalhando-os por todos os lugares. Como resultado, Ísis passou a buscar os pedaços e os enterrava a medida que achava um a um. Uma história alternativa mostra Ísis, Anúbis, e Rá unindo novamente as partes do corpo, envonvendo-o com faixas, e revivendo seu corpo.

A ressureição de Osíris serviu para dar esperança à todos que também desejam a vida eterna.

Ver item 5.4 sobre ressureição.

5.2. Hórus

Abaixo encontra-se um trecho do "pequeno esboço sobre a vida de Hórus", extraído da Encyclopaedia of Religion and Ethics [21]:
"No antigo Egito, haviam vários deuses inicialmente conhecidos pelo nome de Hórus, porém o mais conhecido e mais importante desde o início do período histórico foi o filho de Osíris e Ísis, que era associado com o rei do Egito. De acordo com a lenda, Osíris , que assumiu o domínio da terra logo após sua criação, foi morto por seu irmão ciumento, Seth. A irmã-esposa de Osíris, Ísis, que recolheu os pedaços de seu marido mutilado e o ressucitou, também concebeu seu filho e vigador, Hórus. Hórus lutou com Seth, e, apesar da perda de um olho na batalha, teve sucesso ao conseguir vingar a morte de seu pai tornando-se seu legítimo sucessor. Osíris então tornou-se rei dos mortos e Hórus o rei dos vivos, esta troca era renovada a cada mudança de governo terreno. O mito da realeza divina provavelmente elevou a posição dos deuses tanto quanto elevou a do rei. Na quarta dinastia, o rei, o deus vivo, provavelmente também era um dos maiores deuses, mas por volta da quinta dinastia a supremacia do culto à Rá, o deus sol, era aceito até mesmo pelos reis. O rei Hórus era agora também "filho de Rá." Isto só se tornou possível mitologicamente, ao personificação toda a genealogia antiga de Hórus (o ennead – grupo de nove deuses egípcios - Heliopolitano) como se fosse a deusa Hathor, "casa de Hórus", que também era esposa de Rá e mãe de Hórus.
Hórus era frequentemente representado como um falcão, e uma pintura dele o mostra como um grande deus do firmamento cujas asas estendidas enchem os céus; seu olho saudável era o sol e seu olho ferido a lua. Outra pintura dele, particularmente popular no Último Período, era a de uma criança humana mamando no peito de sua mãe, Ísis. Os dois principais centros de adoração ao culto de Hórus localizavam-se em Bekhdet no norte, onde hoje muito pouco ainda resta , e em Idfu no sul, no qual existe um grande e bem preservado templo datado do período ptolomaico. Os mais antigos mitos envolvendo a história de Hórus, bem como os rituais lá realizados, estão registrados em Idfu."
Nascido da virgem Ísis-Meri em 25 de dezembro numa caverna/manjedoura com seu nascimento sendo anunciado por uma estrela no Oriente e visitado por três Reis Magos.

Frazer afirma que Hórus nasceu num pântano [22], e não sabe nada acerca de uma estrela ou sobre o número de Reis Magos. Além disso nem mesmo a Bíblia relata a data exata do nascimento de Jesus ou mesmo o número de magos que visitaram Jesus (a Bíblia não diz que eram reis). Esses dados foram acrescentados posteriormente às tradições cristãs.

Sobre o nascimento virginal, ver o item 5.3.

Seu pai terreno chamava-se "Seb" ("José").

Na verdade Seb era o deus-terra e não o “pai terreno", mas ao invés da própria terra (como Nut que simbolizava o céu), ele era o pai de Osíris, não de Hórus ", apesar de existir também uma versão na qual Hórus era o filho de Seb. Há aqui também um truque etimológico. Apesar da semelhança, não há nenhuma relação entre os nomes "Seb" e "Yoseph" ou "José". Um é um nome egípcio e outro é um nome semítico que significa "Deus acrescenta".

Ele era descendente de uma linhagem real.

Isto é naturalmente verdade, e Hórus era freqüentemente identificado com a vida de Faraó, mas isto é irrelevante, já que isto é uma característica comum a quase qualquer deus. Além disso, segundo o cristianismo, Jesus descendia de uma linhagem real terrena, a de Davi (Ap 22.16), enquanto Hórus era filho apenas do rei celestial.

Aos 12 anos de idade foi uma criança que ensinou no templo, e aos 30 foi batizado, após ter desaparecido por 18 anos. Foi batizado no rio Eridanus ou Iaurutana (Jordão) por "Anup o Batizador" (João Batista), que foi decapitado. Ele teve 12 discípulos, dois dos quais foram suas "testemunhas" e eram chamados "Anup" e "AAn" (os dois "Joãos").

Estas afirmações não fazem sentido paran os eruditos da religião egípcia. Quanto à esta última alegação Miller observa:
"Minha pesquisa na literatura acadêmica não revela esta informação. Encontrei referências à quatro "discípulos" – de diversas maneiras chamados de os semi-divinos HERU-SHEMSU ("Seguidores de Hórus") [GOE: 1,491]. Encontrei referências à dezesseis seguidores humanos [GOE: 1,196]. E encontrei referências à um grupo incontável de seguidores chamados mesniu / mesnitu ("ferreiros") que acompanhavam Hórus em algumas de suas batalhas [GOE: 1.475f; embora estes possam ser identificados com os HERU-SHEMSU no texto GOE: 1,84]. Mas não consigo encontrar doze discípulos em qualquer lugar. Hórus NÃO é o deus-sol (este é Rá), portanto não podemos recorrer a afirmação de que "todos os deuses solares têm doze discípulos - no Zodíaco" como é de costume.
Além disso, Jesus não desapareceu por 18 anos, a Bíblia relata que durante este tempo ele trabalhou como carpinteiro com seu pai (Mc 6.3).

Ele realizou milagres, expulsou demônios e ressucitou El-Azarus ("El-Osíris") dos mortos.

Miller observa:
"Histórias de milagres são abundantes, mesmo entre grupos religiosos que eventualmente não poderiam ter exercido influência mútua, tais como grupos latino-americanos (por exemplo os Astecas) e os Romanos, portanto esta "semelhança" não implica nenhum significado. Não encontro em lugar algum da literatura acadêmica referências a esta ressurreição específica. Tenho examinado todas as formas do nome El-Azarus sem êxito. O fato de que algo tão notável nem sequer é mencionado nas modernas obras de Egiptologia indica seu status questionável. Simplesmente é algo que não pode ser apresentado como prova sem que exista fundamentação autêntica. O mais próximo disso que pude encontrar, está no papel que Hórus desempenha em seu funeral oficial, no qual ele "apresenta" um recém-morto à Osíris e à seu reino dos mortos. No Livro dos Mortos, por exemplo, Hórus apresenta para Osíris o recém-morto Ani e, pede que Osíris o receba e tome conta dele [GOE:1,490]."
O fato de Osíris ser citado por Acharya como "El-Azarus" parece uma tentativa de assemelhar o nome do deus com o personagem bíblico Lázaro. É também um fato que os egípcios não utilizavam esse prefixo "El".

Hórus andou sobre as águas.

O mais próximo encontrado sobre isso na literatura egípcia é que ele na verdade foi jogado na água (veja abaixo).

Seu cognome pessoal era "Iusa" o "Filho eterno desejado" de "Ptah", o "Pai". Ele era chamado de "Divino Filho".

Miller diz:
Este fato também escapou à minha investigação. Examinei provavelmente 50 títulos das diversas divindades de Hórus, e a maioria dos principais índices de referências Egípcias padrão praticamente não contêm nada a respeito destas alegações. Encontrei uma cidade chamada "Iusaas" [GOE: 1,85], uma divindade árabe pré-islâmica também de nome "Iusaas", cogitada por alguns como sendo igual ao deus egípcio Tehuti / Thoth [GOE: 2,289], e uma equivalente fêminina denominada "Iusaaset" [GOE: 1,354]. Mas nenhuma referência à Hórus como sendo "Iusa".
Ele pregou um "Sermão da Montanha", e seus seguidores recitaram as "parábolas de Iusa." Hórus foi transfigurado no monte. Ele foi crucificado entre dois ladrões, sepultado por três dias em um túmulo e, em seguida ressuscitado.

Nenhuma destas três afirmações sequer pode ser encontrada. Sobre a última Miller escreve:
Não consigo sequer encontrar referências à Hórus morrendo, até que mais tarde ele se torna "um" com Rá o deus Sol, após isso ele 'morre' e 'renasce' todos os dias a medida que o sol nasce. E mesmo nesta "morte", não há em lugar algum nenhuma referência à um túmulo.
Há na obra de Budge uma hipótese de que Hórus havia morrido e seus pedaços lançados nas águas, e que seus membros foram pescados por Sebek, o deus crocodilo, a pedido de Ísis. Isso é mais parecido com uma espécie de batismo do que com outro coisa. Outra fonte regista uma história onde Hórus é picado por uma serpente e revivido, o que ainda assim não é bem uma semelhança.

Títulos: O Caminho, a Verdade, a Luz; Messias; Ungido Filho de Deus, Filho do homem; Bom Pastor; Cordeiro de Deus; Verbo feito carne; Palavra da Verdade.

Os seguintes títulos são encontrados na literatura: Grande Deus, Senhor dos Poderes, Mestre do Céu, Vingador de Seu Pai (considerando-se que ele derrotou Set, o qual havia "assassinado" Osíris) [23]. É provável que ele fosse chamado apropriadamente de "Filho do Homem", como o filho da realeza, mas não se conhece nenhuma evidência que confirme isso.

Ele foi "o Pescador" e era associado com o Peixe ( "Ichthus"), o Cordeiro e o Leão. Ele veio para cumprir a lei. Era chamado de "o KRST" ou "Ungido". Ele deveria reinar por mil anos.

Não foi encontrada evidência para qualquer uma dessas quatro últimas alegações. KRST em egípcio significava "enterro" e não era um título [24].

5.3. Nascimento virginal

Devido a esse ser um aspecto central sobre a vida de Jesus, foi reservado um tópico em separado para tal. Há uma confusão muito grande de conceitos ao associar a ideia de nascimento virginal aos deuses pagãos. No cristianismo, os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas relatam uma fecundação operada pelo Espírito Santo, ausente de coito, seguido de gravidez e do nascimento de Jesus. Nas outras religiões os relatos são essencialmente diferentes em muitos aspectos. Geralmente os nascimentos são resultados de um casamento entre dois deuses ou de um ato sexual entre um deus disfarçado e uma mulher mortal (hieros gamos). 

O que está em questão aqui tecnicamente é a perda ou a preservação da virgindade no processo da concepção. Maria simplesmente “achou-se grávida pelo Espírito Santo” (Mateus 1:18) antes de casar-se e antes de “conhecer” um homem. Portanto, aconteceu sem a interferência de homem ou qualquer forma de conjunção carnal. Se os autores bíblicos tinham qualquer referência anterior, essa seria a citação feita por Mateus da profecia de Isaías (Is 7:14, citado em Mt 1.23).

Em uma das histórias de Dionísio, Zeus foi a Perséfone em forma de serpente e a engravidou, portanto sua virgindade foi tecnicamente perdida. Na versão mais conhecida, Zeus se apaixonou por Semele, princesa da casa de Times. Zeus veio a ela disfarçado de homem mortal e logo Semele estava grávida. Hera, rainha de Zeus, inflamada de ciúmes, se disfarçou como uma mulher idosa e foi até a casa de Semele. Quando Semele revelou seu caso com Zeus, Hera sugeriu que a história de que Zeus era o rei dos deuses poderia ser uma mentira e que talvez ele fosse um mero mortal que inventou a história para que ela dormisse com ele. Quando Zeus foi visitá-la novamente, ela pediu por apenas uma coisa. Zeus jurou que daria a ela o que quisesse. “Apareça a mim como você aparece a Hera”. Relutantemente, mas verdadeiro à sua palavra, Zeus apareceu em toda sua glória, queimando Semele às cinzas. Hermes salvou o feto e levou até Zeus que o costurou a sua coxa e três meses depois deu a luz a Dionísio.[25] A história claramente não é comparável ao relato bíblico e, além disso, só existem relatos pós-cristãos. Os deuses e deusas antigos eram típica e muito explicitamente sexuais e ativos, até por que, para o mundo antigo, grandeza era comumente associada com a geração física de um deus. Esse elemento está completamente ausente do relato da concepção virginal de Jesus.

No mito de Hórus, as diferenças são ainda mais gritantes.Hórus certamente não nasceu de uma virgem. Na verdade, um antigo relevo egípcio retrata essa concepção, ao mostrar sua mãe Ísis na forma de um falcão, pairando sobre o pênis ereto de um Osíris prostrado e morto no Mundo dos mortos ([21] no verbete "Phallus"). 

Na realidade, a descrição da concepção de Hórus irá mostrar exatamente os elementos sexuais que caracterizam "nascimentos milagrosos" pagãos, como observado anteriormente por estudiosos:
"Mas depois dela [isto é, Ísis] tê-lo trazido [isto é, o corpo de Osíris] de volta ao Egito, Seth conseguiu se apossar do corpo de Osíris novamente e o despedaçou em catorze partes, as quais ele espalhou por toda a terra do Egito. Ísis então saiu uma segunda vez em busca do corpo de Osíris e enterrou cada parte no lugar em que ela encontrava (por isso o grande número de túmulos de Osíris existentes no Egito). A única parte que ela não encontrou foi o pênis do deus, pois Seth o havia jogado no rio, onde o membro foi comido por um peixe; Ísis, então moldou um pênis artificial para colocar no lugar do que havia sido cortado. Ela também teve relações sexuais com Osíris após a morte dele, o que resultou na concepção e nascimento de seu filho póstumo, Harpocrates, Hórus o Filho. Osíris tornou-se rei do mundo dos mortos e, Hórus começou a lutar com Seth..."[26, CANE: 2:1702]
Como pode-se notar, o relato está muito distante da realidade bíblica, apesar de uma concepção necrofílica ser miraculosa. 

O fato de Hórus supostamente ter nascido em 25 de Dezembro não é importante para nós, já que em lugar nenhum do Novo Testamento esta data é associada ao nascimento de Jesus. Uma das únicas referências sobre o nascimento de Hórus é que ele nasceu no dia 31 do mês de Khoiak Egípcio (não se sabe a qual dia do nosso calendário este corresponde). 

Archarya acrescenta, usando Massey como uma provável fonte, a alegação de que nas paredes do Templo em Luxor existe uma cena mostrando a "Anunciação, Imaculada Conceição, Nascimento e Adoração de Hórus, com Thoth anunciando à Virgem Ísis que ela irá dar à luz; com Kenph, o "Espírito Santo", engravidando a virgem", concluindo com a visita dos três Reis Magos. Por alguma razão nem Archarya nem Massey fornecem um nome ou número para este relevo, ou um local mais específico do que o Templo em Luxor, que é um lugar bastante grande e inacessível para a maioria dos leitores dela. Quando pressionada em seu website por um leitor que investigava o assunto, Archarya fez um jogo de palavras - "Isis é a constelação de Virgo a Virgem, assim como a Lua, que se torna uma "virgem" durante o período de Lua Nova. O deus sol - neste caso, Hórus - é nascido desta deusa virgem". - O relato de Acharya alude à um documento do 6º século dC! E em momento algum apresenta-se uma confirmação para a ligação Ísis-Virgem. Se tal relevo existe de fato, é apenas aquilo que Archarya pensa ser através da interpretação de Massey.

Foi encontrada uma possível descrição do relevo em um site egípcio de viagens não divulgado:
"Acreditava-se que a Realeza fora decretada pelos deuses no início dos tempos de acordo com ma'at, o reinado bem organizado de verdade, justiça, e ordem cósmica. O rei soberano era também o filho físico do deus sol criador. Esta concepção divina e nascimento foi registrada nas paredes do Templo em Luxor, em Deir el-Bahri, e em outros templos reais por todo o Egito. O rei era também uma encarnação do Dinástico deus Hórus, e quando morto, foi identificado com Osíris, o pai de Hórus. Este rei vivo era portanto uma única entidade, a encarnação viva da divindade, escolhido divinamente como um mediador, que poderia atuar como um sacerdote em favor de toda a nação, recitando orações, oferecendo sacrifícios... Um átrio cercado por colunas do rei Akenatom III está unido ao interior de uma sala imponente com teto plano apoiada sobre várias fileiras de colunas, o qual é o primeiro aposento interno originalmente coberto e fazia parte do templo. Isto conduz à uma sucessão de antecâmaras com salas auxiliares. O quarto do nascimento a leste da segunda antecâmara é decorado com relevos que retratam o nascimento simbólico divino de Akenatom III, resultante da união de sua mãe Mutemwiya e o deus Amun. O santuário inclui um edifício à parte adicionado por Alexandre o Grande dentro da câmara maior criada por Akenatom III. Relevos bem preservados mostram o santuário transportável de Amun e outras cenas do rei, na presença dos deuses. O santuário de Akenatom III é o último aposento sobre o eixo central do templo."
Este relato é significativamente desprovido de uma concepção ou nascimento virginal, de Reis Magos, ou de um Espírito Santo. Ainda sim, a ordem presente no relevo é a concepção e depois o anúncio, enquanto que os evangelhos declaram o anúncio e depois a concepção.

“Meri” (“Mr-ee”) é a palavra egípcia para “amada” e aparentemente foi aplicada a Isis antes do tempo do Senhor Jesus como um título e não como parte do seu nome. Mas como provavelmente havia milhares de mulheres entre o tempo de Horus e altura do Senhor com um nome ou título que era uma variação de “Mary”, não há razão alguma para se supor que a Mãe do Senhor Jesus foi nomeada segundo o nome de Isis em particular. Mesmo que, hipoteticamente, os autores dos Evangelho tivessem fabricado a Mãe do Senhor e a tivessem dado o nome de “Mary” (Maria), é muito mais provável que eles se baseassem numa “Mary” mais perto do seu tempo do que na “Isis-Meri”.

Na pesquisa de Raymond Brown a respeito das narrativas a respeito do nascimento de Jesus ele avalia os exemplos de “nascimentos virginais” não-cristãos e sua conclusão é: "Em suma, não há nenhum exemplo claro de concepção virginal no mundo ou nas religiões pagãs que plausivelmente poderia ter dado aos judeus cristãos do primeiro século a idéia da concepção virginal de Jesus [27].

5.4. A Ressureição

Segundo Paulo, o maior fundamento da fé cristã é a crença na morte e ressurreição de Jesus (I Co 15:13,14). Ainda no início do capítulo de 1 Coríntios 15, os exegetas do Novo Testamento encontram fortes evidências para defender a realidade do fato da ressurreição. E foi justamente nesta pedra fundamental que os críticos aproveitaram para divulgar os paralelismos com personagens das religiões de mistério e das deidades que experimentaram morte e ressurreição.

A idéia do paralelo entre os deuses que morrem e ressuscitam e o conceito cristão da morte e ressurreição de Jesus foi popularizada pelo livro de James Frazer, The Golden Bough, primeiro publicado em 1906. Segundo ele e muitos outros críticos da modernidade, não há qualquer diferença entre a ressurreição de Jesus e daquelas deidades que eram conhecidas pela mitologia.

Não é senão a partir do terceiro século depois de Cristo que encontramos suficiente material a respeito das religiões pagãs que permitam uma relativa reconstrução de seu conteúdo. Muitos escritores utilizam-se deste material (depois de 200 d.C.) para formular reconstruções das religiões dos séculos anteriores. Essa prática, porém, é extremamente anti-acadêmica e não pode permanecer sem desafios [28].

Na realidade, segundo Pierre Lambrechts, os textos que referem-se à ressurreição são muito tardios, do segundo ao quarto século A.D.[29] A aparente ressurreição de Adonis, por exemplo, não tem sequer uma evidência, nem nos textos antigos nem nas representações pictográficas. Quanto à ressurreição de Attis, não há qualquer sugestão que ele foi um deus ressurreto senão até depois de 150 d.C.[30]

O caso mais importante desta seção talvez seja o do deus Osíris. A versão mais completa do mito de sua morte e ressurgimento é encontrada em Plutarco, que escreveu no segundo século depois de Cristo. De acordo com a versão mais comum do mito, Osíris foi assassinado por seu irmão que então o afundou em um caixão no rio Nilo. Ísis descobriu o corpo e o levou de volta ao Egito. Mas seu cunhado mais uma vez ganhou acesso ao corpo, dessa vez o desmembrando em catorze pedaços, os quais ele jogou longe. Depois de muita procura, Ísis recuperou cada pedaço do corpo. Algumas vezes aqueles que contam a história se contentam em dizer que Osíris voltou à vida, mesmo que isso passe longe daquilo que a linguagem utilizada pelo mito permite dizer. Alguns escritores ainda vão mais longe ao falar sobre a “ressurreição” de Osíris. Ísis restaura o corpo de Osíris e ele é colocado como um deus do mundo dos mortos. Roland de Vaux complementa dizendo:
O que significa Osíris ter “levantado para a vida”? Simplesmente que, graças à ministração de Ísis, ele pode levar uma vida além da tumba que é quase uma perfeita réplica da existência terrestre. Mas ele nunca mais voltará a habitar entre os viventes e reinará apenas sobre os mortos... Este deus revivido é, na realidade, um deus “múmia” [31].
Em outras palavras, Osíris é uma deidade que morre, mas não que ressuscita. Ele é sempre retratado em forma mumificada. Além disso, de acordo com Wilbur Smith, uma das maiores autoridades em religiões antigas, “não há nada nos textos que justifiquem a presunção que Osíris sabia que iria levantar dos mortos, e que se tornaria rei e juiz dos mortos, ou que os Egípcios acreditavam que Osíris morreu em seu favor e que retornou a vida para que eles pudessem levantar da morte também” [32].

A conhecida fórmula egípcia repetida "Levante-se, você não morreu", quer seja aplicada à Osíris ou à um cidadão do Egito, sinalizava uma vida nova e permanente no reino dos mortos. Sobre isso, o autor Frankfort concorda:
"Na verdade, de modo algum Osíris foi um deus 'agonizante', e sim um deus 'morto'. Ele nunca retornou entre os vivos; ele não foi libertado do mundo dos mortos, como foi Tammuz. Pelo contrário, no geral Osíris pertencia ao mundo dos mortos, era a partir de lá que ele concedia suas bênçãos sobre o Egito. Ele sempre foi retratado como uma múmia, um rei morto" [33].
Conforme observa Yamauchi, "os homens comuns aspiravam a identificação com Osíris como aquele que triunfou sobre a morte." Mas é um erro comparar a visão egípcia da vida após a morte com a doutrina bíblica da ressurreição. Para alcançar a imortalidade o egípcio tinha que satisfazer três condições: Primeiro, seu corpo tinha de ser preservado por meio da mumificação. Segundo, a alimentação era fornecida pela própria oferta de pão e cerveja. Terceiro, feitiços mágicos eram sepultados com ele. Seu corpo não ressurgia dos mortos; ao invés disso elementos de sua personalidade - seu Ba e Ka - continuavam a pairar sobre seu corpo." [34]

Assim, como escreveram os autores do livro “Reinventing Jesus”, Komoszewski, Sawyer e Wallace , a “ressurreição” de Osíris está mais parecido com a história de Frankenstein do que a de Jesus.Existem de fato muitas histórias de deuses egípcios espalhando várias partes do corpo ao redor, para não prejudicar o conjunto, pois "pensava-se que corpos divinos eram imunes às substituições" [35]. Neste caso, o corpo morto de Osíris não apodreceu e nem se decompôs como se esperava para que fosse montado novamente em conjunto. Foi assim com todos estes deuses egípcios: Seth e Hórus têm uma luta em que atiram excrementos um no outro, em seguida cada um rouba os órgãos genitais do outro [36]. O olho de Hórus é roubado por Set, porém Hórus o toma de volta e o entrega à Osíris, que o devora [37]. Hórus teve uma dor de cabeça, e outra divindade se ofereceu para emprestar a própria cabeça para ele até que sua aflição desapareçesse [35]. Osíris pagou um preço por ter morrido mutilado, já que ele foi limitado ao mundo dos mortos [e de forma notória alienado como consequência do que se passou "acima da superfície" [38], mas isto somente porque ele na realidade havia morrido uma vez antes, quando seu pai o matou acidentalmente [39].

Mudando de deidade, outro muito mencionado por sua suposta história de reaparição dos mortos é o de Cybele e Áttis. Cybele era uma figura muito adorada no mundo helenístico; o rito para ela antigamente incluía um frenesi nos adoradores homens que os levava a se castrarem.

Encontramos especialmente três mitos diferentes com respeito à vida de Áttis. De acordo com um dos mitos, Cybele amava um pastor de ovelhas chamado Áttis. Por Áttis ter sido infiel, ela o levou a loucura. Tomado de loucura, Áttis castrou-se e morreu. Isso encaminhou Cybele a um luto muito forte e introduziu a morte ao mundo natural. Mas então Cybele restaura Áttis à vida, um evento que também trouxe o mundo da natureza à vida. As pressuposições do intérprete tendem a determinar a linguagem usada para descrever o que se segue à morte de Áttis. Referem-se a ela descuidadamente como “ressurreição de Áttis.” Não há nada que se pareça uma ressurreição corpórea no mito, que sugira que Cybele só podia preservar o corpo morto de Áttis, ou seja, ele volta a vida de forma praticamente vegetativa, pois o mito menciona que os pêlos do seu corpo continuaram a crescer e que ele movimentava um de seus dedos. Em algumas versões do mito, Áttis volta à vida na forma de uma árvore. Nem nesse e nem nas outras três histórias, encontramos morte e ressurreição ou qualquer coisa semelhante ao que vemos nos evangelhos.

Foi somente em celebrações posteriores pelos romanos (depois de 300 d.C.) que algo remotamente semelhante ocorre. A árvore que simbolizava Áttis foi cortada e enterrada dentro de um santuário. Na outra noite, a “tumba” da árvore estava aberta e a “ressurreição de Áttis” foi celebrada. A linguagem, porém é ambígua e os detalhes sobre o culto são remotos; todo o material é muito tardio.

Nas comparações com Krishna, as respostas se tornam ainda mais fáceis de dar. Segundo especialistas em hinduísmo, Krishna foi morto por um caçador que acidentalmente atirou em seu calcanhar. Ele morreu e ascendeu. Não houve qualquer ressurreição e ninguém o viu ascender. Mesmo que o mito da ascensão de Krishna traga algum desconforto, ele pode ser rapidamente resolvido com as declarações de Benjamin Walker em seu livro “ The Hindu World: An Encyclopedia Survey of Hinduism ”: “não pode haver qualquer dúvida que os hindus pegaram emprestado os contos [do cristianismo], mas não o nome” [40]. Por estes paralelos virem do Bhagavata Purana e o Harivamsa, Bryant acredita que o Bhagavata Purana seja “anterior ao século VII d.C. (apesar de alguns acadêmicos considerarem do século XI)” e que o Harivamsa tenha sido composto entre o quarto e o sexto século.

O mesmo caso de datação tardia acontece com o mito de Mitra (a partir do primeiro século d.C.) e o caso de histórias completamente diversas à morte e ressurreição de Cristo acontece com Dionísio e Hórus.

Apesar de ser chocante às mentes religiosas ocidentais, é senso comum dentro da história das religiões que imortalidade não é uma característica básica da divindade. Deuses morrem. Alguns deuses simplesmente desaparecem, alguns somente para retornar novamente depois e alguns para reaparecer freqüentemente. Todas as deidades que foram identificadas como fazendo parte da classe de deidades que morrem e ressuscitam podem ser colocados sob duas classes maiores: deuses que desaparecem e deuses que morrem. No primeiro caso, as deidades retornam, mas não haviam morrido, e no segundo caso, os deuses que morrem, mas não retornam. Nenhum desses paralelos, para a concepção judaica, ressuscitou dos mortos, e para alguns acadêmicos hoje paira a dúvida se literalmente existe algum deus que experimentou a morte e a ressurreição. Uma citação muito interessante explica a realidade da teoria:

Desde a década de 1930...um consenso tem se desenvolvido que os ‘deuses que morrem e ressuscitam' morreram mas não retornaram ou levantaram-se para viver novamente...Aqueles que pensam diferente são vistos como membros residuais de espécies quase extinta [41].

Ainda podem ser levantadas algumas questões relevantes acerca da diferença conceitual entre a ressureição dos deuses pagãos e a de Jesus:

a) Em todos os casos de deuses que morrem, eles morrem por compulsão e não por escolha, às vezes por orgulho ou desespero, mas nunca por amor sacrifical [42].

b) Os deuses que morrem e ressuscitam segundo os mitos, nunca morreram por outra pessoa (vicariamente), e nunca anunciaram morrer pelo pecado. A idéia de uma aliança substitutiva pelo homem é totalmente única ao cristianismo. Além disso, Jesus morreu uma vez por todos os pecados, enquanto os deuses pagãos eram freqüentemente deuses de vegetação que imitavam os ciclos anuais da natureza aparecendo e morrendo diversas vezes.

c) Jesus morreu voluntariamente e sua morte foi uma vitória e não uma derrota, ambos os aspectos são contrários aos conceitos pagãos [43].

6. Conclusão

Segundo Marina Garner, a análise detalhada dos paralelismos aqui citados leva às seguintes conclusões [6]:

a) O conceito de nascimento virginal encontrado nos mitos pagãos em contraste com o relato bíblico diferem em muito.

b) Ressurreição de acordo com o conceito judaico e cristão não é percebido nos mitos pagãos, mas sim deuses que desaparecem mas não morrem e deuses que morrem mas não reaparecem.

c) A datação dos materiais que podemos usar para ter uma idéia de como eram esses deuses é bastante posterior ao início do cristianismo, não podendo, portanto, ter tido influências no seu desenvolvimento. Se houve influências, foi do cristianismo para o paganismo.

d) Todo o relato do nascimento, vida e morte de Jesus é completamente único ao cristianismo e contém uma originalidade não encontrada nos mitos pagãos.

Ou, nas palavras de Ronald Nash [44]:
"Esforços liberais de desacreditar a revelação singular cristã através dos argumentos da influência das religiões pagãs destroem-se rapidamente a partir da verificação completa das informações disponíveis. É claro que os argumentos liberais exibem academicismo incrivelmente ruim e com certeza, essa conclusão está sendo muito generosa."
Fica claro que a melhor conclusão a ser feita é aquela do livro em que encontramos a verdadeira revelação da verdade e da fonte do mistério da vida, morte e ressurreição de Jesus: a Bíblia. Por que “ não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12).

7. Referências

[1] http://www.thezeitgeistmovement.com/joomla/index.php?Itemid=50 , acessado dia 11/05/2009.
[2] http://www.zeitgeistmovie.com/, dia 11/05/2009
[3] Timothy Freke e Peter Gandy , The Jesus Mysteries, Three Rivers Press (Setembro, 2001). p. 9
[4] Murdock, D.M. (as Acharya S) (1999). The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold. Kempton, Illinois: Adventures Unlimited Press. ISBN 0-932813-74-7. p. 114-116
[5] Charles François Dupuis, The origin of all religious worship (1798). Kessinger Publishing, 2007, p. 293.
[6] Marina Garner, Jesus: um plágio? - Centro Universitário Advetista de São Paulo, Revista Kerygma ano 6 vol.1, 2010. Disponível em http://www.unasp-ec.com/revistas/index.php/kerygma/article/view/35/29, acessado dia 12/10/2011
[7] Edwin M. Yamauchi, Easter: Myth, Hallucination or History? Christianity Today, march, 1974, pt. 1.
[8] James Patrick Holding, Was the story of Jesus stolen from that of the Egyptian deites Horus and Osiris? - Disponível em http://www.tektonics.org/copycat/osy.html, acessado dia 12/10/2011
[9] J. Gresham Machen, The Origin of Paul's Religion . New York: Macmillan, 1925, p. 9. 
[10] J. Ed Komoszewski, M. James Sawyer, Daniel B. Wallace , Reinventing Jesus . Kregel Publications, 2006, p. 231. 
[11] Idem, p. 232-233.
[12] Nash, Ronald H. Christianity & the Hellenistic World.1984. p. 192-199; citando Bruce Metzger sobre o culto de Cybele.
[13] Frazer, J. G. Adonis, Attis, Osiris. 1961.
[14] Griffith, J. Gwyn. The Origins of Osiris and His Cult. Brill: 1996. 
[15] Budge, E. Wallis. . 1961. p.26
[16] Idem, p.79 
[17] Shorter, Alan. Egyptian Gods: A Handbook. 1937 p.37
[18] Meeks, Dimitri. Daily Life of the Egyptian Gods. 1996. p.31
[19] Frazer, J. G. Adonis, Attis, Osiris. 1961. vii, 7
[20] Budge, E. Wallis. . 1961. p.9
[21] James Hastings, Encyclopaedia of Religion and Ethics, 24 volumes, citada por Holding em [8].
[22] Frazer, J. G. Adonis, Attis, Osiris. 1961. p.8
[23] Budge, E. Wallis. . 1961. p.78
[24] Aren’t there some striking parallels between the Jesus and Horus stories? - disponível em http://www.kingdavid8.com/Copycat/JesusHorus.html - acessado em 12/10/2011
[25] Barry Powell, Classical Myth (3a. ed.). PrenticeHall. New Jersey, 2001, p. 250.
[26] Mich F. Lindemans, Encyclopedia of Mythica . Artigo publicado dia 21 de maio, 1997 no website: http://www.pantheon.org/articles/i/isis.html. Acessado dia 23/08/09 .
[27] Raymond E. Brown, The Birth of the Messiah . Anchor Bible, 1999, p. 523.
[28] A summary critique the mythological Jesus mysteries a book review of “The Jesus Mysteries: Was the “Original Jesus” a Pagan God?” by Timothy Freke and Peter Gandy. Christian Research Journal, Vol. 26, No. 1, 2003.
[29] P. Lambrechts, "La' Resurrection de Adonis," em Melanges Isadore Levy , 1955, p. 207-240 como citado em Edwin Yamauchi, "The Passover Plot or Easter Triumph?" em J. W. Montgomery, (ed), Christianity for the Tough-Minded . Minneapolis: Bethany, 1971.
[30] Ibidem
[31] Roland de Vaux, The Bible and the Ancient Near East. Doubleday, 1971. p. 236
[32] Wilbur M. Smith, Therefore Stand. New Canaan, CT: Keats, 1981, p. 583.
[33] Frankfort, Kingship and the gods: a study of ancient Near Eastern religion as the integration of society & nature. UChicago:1978 edition, p.289
[34] The Resurrection of Jesus Christ: Myth, Hoax, or History?" David J. MacLeod, in The Emmaus Journal, V7 #2, Winter 98, p169
[35] Meeks, Dimitri. Daily Life of the Egyptian Gods. 1996. p.57
[36] Budge, E. Wallis. . 1961. p.64
[37] Ibidem, p.88
[38] Meeks, Dimitri. Daily Life of the Egyptian Gods. 1996. pp.88-89
[39] Ibidem, p.80
[40] Benjamin Walker, The Hindu World: An Encyclopedic Survey of Hinduism , Vol. 1. New York: Praeger, 1983, p. 240-241.
[41] Tryggve N. D. Mettinger, The Riddle of Resurrection: "Dying and Rising Gods" in the Ancient Near East . Stockholm, Sweden: Almquist & Wiksell International, 2001, p. 4, 7.
[42] J. N. D. Anderson, Christianity and Comparative Religion. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1977, p. 38.
[43] Ronald H. Nash, Christianity & the Hellenistic World . Grand Rapids, MI: Zondervan/Probe, 1984, p.
171-172.
[44] Ronald Nash, Was the New Testament Influenced by Pagan Religions? Christian Research Journal, Inverno 1994, p. 8.</p>

Jesus: um plágio? (parte 1)


Olá leitores. A seguinte série de postagem tem por objetivo desmistificar mais uma lenda ateísta, que não é defendida por todos, mas principalmente um ramo dos neo-ateístas: Jesus existiu realmente, ou foi apenas um plágio de uma coleção de mitologias existentes nos povos médio-orientais, como Hórus, Mitra, etc.?

O texto é uma compilação e adaptação de vários artigos, livros e sites retirados da internet, os quais são divulgados na seção de referências.

Aproveitem a leitura.
Abraços, Paz de Cristo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Caixa de pesquisa Bíblia online

 

Há muito tempo eu queria colocar uma caixa de pesquisa para busca de termos na Bíblia. Como eu não sei nada de javascript, demorei um tempo buscando uma solução em fóruns. Agora que está pronto (e vocês já podem usar, no canto superior direito aqui da página), disponibilizarei o código para que vocês possam usar em seus blogs ou páginas pessoais. Incentivo mudanças e melhorias no meu código, estou aberto a feedback (acho que fui "contaminado" pelo espírito de software livre GNU/Linux... pra quem não sabe sou usuário há algum tempo).

Abraços, Paz de Cristo.

Código-fonte:
<html>
<head>
<script type="text/javascript">
URL = 'http://www.bibliaonline.com.br/acf/s/*/1/';
function setUrl() {
var palavra = document.getElementById('pattern').value;
document.getElementById('caixa').action = URL + palavra;
return true;
}
</script>
</head>
<form id="caixa" onsubmit="setUrl()">
<input id="palavra" size="12" type="text" />
<input type="submit" value="Pesquisar" />
</form>
</html>

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ateísmo e Amoralidade: um alerta aos ateus!





Olá, leitores. 
Trago esse texto que encontrei na internet, que de forma muito interessante alerta para os perigos da amoralidade que o ateísmo pressupõe. O texto foi escrito por um rabino judeu, e traduzido do inglês. Vale a pena ler e refletir sobre.


Abraços, Paz de Cristo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Nossa Página no Facebook

 
Há alguns dias inaugurei a página 'Respostas ao Ateísmo' no Facebook. Por lá estamos criando mais um meio de divulgação, e também para manter os leitores informados e para que haja a maior interação possível. Por enquanto não cogito a criação de um perfil no Twitter (não sou muito chegado, nem mesmo tenho um perfil pessoal...), mas conforme a necessidade poderei mudar de ideia.

Acesse a página pela barra lateral do blog ou por aqui.

Ah, e não se esqueçam de 'curtir' a página!

Abraços, Paz de Cristo.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Homossexualismo existe entre os animais?

Olá, leitores.

Confesso que fiquei um pouco receoso de postar algo sobre o tema "homossexualismo", visto que não faz parte diretamente do escopo do blog, e pode me gerar mais polêmica do que eu posso gerir. Enfim, eu apenas achei este texto muito interessante, o encontrei por acaso no blog "Descontradizendo Contradições" (ver na aba lateral da página), que por sua vez tinha copiado do blog "Não quero ser gay". O texto não é repleto de achismos, e traz uma argumentação no mínimo consistente sobre um tema que é campeão de motivação de debate entre cristãos e ateus: o homossexualismo é ou não algo natural? Uma das principais argumentações do pró-homossexualismo consiste em justificar o ato como natural baseado na observação de tal comportamento entre os demais animais. O artigo a seguir pretende descartar este mito.

domingo, 28 de agosto de 2011

Einstein era ateu ou não?


É uma bela estratégia de marketing colocar o nome de uma das mentes mais influentes da humanidade no último século como defensor e apoiador da sua visão filosófica. Porém, parece-me contraditório que este mesmo nome apareça defendendo visões de mundo que são explicitamente opostas.

É exatamente isto que acontece com o nome do físico judeu-alemão Albert Einstein (1879-1955). Ele é visto tanto nas páginas dos blogs apologéticos cristãos quanto na listinha de cientistas ateus dos blogs anti-religiosos (e inclusive no livro "Deus, um delírio", de Richard Dawkins).

Abaixo trago um texto, escrito pelo Padre Quevedo, e que parece ser bastante imparcial sobre o assunto. Podemos concluir que é injustificável colocar Einstein tanto entre os militantes do ateísmo quanto do teísmo. Apesar de sua opinião pessoal ser um pouco enigmática, a filosofia que mais se enquadra em suas citações é o Deísmo, que concebe uma mente Racional como ordenadora e mantenedora do Universo, mas que não é pessoal nem se relaciona com sua criação. Convenhamos que, apesar de não ser compatível com o cristianismo, é muito coerente com os fatos da natureza que o ateísmo. Assim, eu continuarei admirando Einstein como um grande cientista e muito inteligente, entretanto só irei "usá-lo" aqui no blog enquanto estiver refutando o ateísmo, e nunca quando estiver defendendo o cristianismo.

Aproveitem a leitura.
Abraços, Paz de Cristo.

sábado, 27 de agosto de 2011

A Alma da Ciência (anotações do primeiro capítulo, Parte 4)



Controvérsias entre a Igreja e a Ciência

Ao começar a ler o texto anterior, a reação de muitas pessoas deve ter sido de surpresa ou ceticismo. Como havia sido dito, este conceito não está muito difundido no meio popular, ao longo do último século as polêmicas anti-religiosas exageraram sobre a oposição da Igreja à ciência.

Alguns historiadores ainda criticam muito os reformadores, como Calvino e Lutero, por supostamente terem atacado severamente a ciência de Copérnico. A verdade é que há poucos ou nenhum relato sobre a posição destes homens. Há alguns fragmentos de comentários ou sermões, mas que a autenticidade deles pode ser posta em dúvida.Geralmente pensa-se que a cosmologia copernicana, com seu heliocentrismo, causaria uma grande revolução na época, fazendo a Terra deixar de ser o centro do Universo para ser apenas um ponto sem nada de especial. Entretanto, naquele tempo já havia uma outra ideia entre o meio popular: associava-se o centro do Universo ao inferno, e a abóbada celeste ficava mais nobre, à medida de que afastava-se do centro. Assim, a Terra como terceiro planeta ao redor do Sol, não ficaria nem em uma posição exaltada, nem em uma posição depreciativa. A interpretação clássica sobre este acontecimento é muito influenciada pelo tipo de pensamento que temos hoje, notadamente a influência positivista. Ou seja, não passa de um anacronismo.

Para que possa se compreender melhor o apoio cristão à iniciativa científica, é preciso distinguir a Instituição denominada Igreja Cristã ou Católica Romana e os cristãos em si daquele tempo. É realmente um fato que muitos dos primeiros cientistas enfrentaram conflitos com a política eclesiástica, entretanto todos eles ao mesmo tempo permaneceram firmes em suas convicções religiosas pessoais.

Galileu Galilei (1564-1642) é o exemplo mais recorrente deste conflito. E o pior é que normalmente se exibe uma imagem caricaturística do evento a ele relacionado, enquanto a própria história mostra que foi algo muito mais complexo que uma simples embate entre ciência e fé. O livro "The Crime of Galileo", de Giorgio de Santillana, diz exatamente isto. Na verdade, a maior parte dos intelectuais da Igreja defendia Galileu (o próprio Papa tinha sido, antes do conflito, um dos seguidores de Galileu). A oposição mais clara a ele vinha de ideias seculares, de filósofos acadêmicos. Afinal, a Igreja não tinha em si nenhum argumento contra as teorias de Galileu. Sua oposição era, de fato, contra a visão depreciativa da filosofia aristotélica, e as consequências metafísicas e sociais implicadas (como dito no texto anterior, a filosofia de Aristóteles estava de tal modo ligada ao Cristianismo que, naquela época, já a consideravam necessária para a formulação das leis religiosas e morais). As doutrinas de Galileu eram revolucionárias neste ponto, e portanto, perigosas. Além disso, deve-se lembrar que até Newton formular o mecanismo físico da gravidade (71 anos depois da condenação de Galileu), não havia nenhum motivo consistente para acreditar na física galileana. Quando as provas não sustentam a teoria, a resistência é uma atitude justificável até mesmo pela própria ciência.

É preciso também considerar a abordagem sociológica do que estava acontecendo: na sua luta contra o crescimento do protestantismo, a Igreja havia recentemente reafirmado sua base no aristotelismo, assim aceitar as ideias de Galileu era a mesma coisa que dar a vitória para os rivais protestantes. Assim como a Igreja pode ter interpretado a própria iniciativa de Galileu como um ataque premeditado. Outro fato é que na época havia um recorrente conflito entre a elite antiga das Universidades e uma elite mais nova, com tendências mais pragmáticas (a qual Galileu pertencia). A publicação de Galileu foi interpretada como um insulto declarado às elites em voga. Além disso, ambos os lados se rebaixaram a táticas reprováveis: a Igreja lançou mão de métodos desonestos e incitar o rancor pessoal para censurar Galileu; enquanto o próprio usou meios políticos: publicou o livro "Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo", onde há um personagem um tanto irritante chamado "Simplício", que não é ninguém senão uma caricatura do Papa, o mesmo que dantes era seu amigo.

Mesmo assim, Galileu nunca repudiou a sua fé. Afirmou ser cristão e nunca questionou nenhuma doutrina religiosa, apenas a estrutura derivada de Aristóteles que se entranhou de tal modo na religião que era difícil separar as coisas.

Ainda deve-se reconhecer  que os cristãos em geral se opuseram a muitas ideias novas. Isto não é uma deficiência de um povo ignorante e fechado ao progresso, mas sim uma tendência universal de resistir ao novo até que hajam provas suficientes. Os críticos continuam censurando os reformadores por não aceitarem Copérnico, mas se esquecem de que naquela época não havia qualquer motivo para aceitar a teoria, sem provas suficientes. A própria cultura em geral repudiava o copernicanismo. Muitos reformadores daquele tempo foram geocentristas pelo mesmo motivo que os do século seguinte foram newtonianos: apenas estavam aceitando as teorias cientificas que eram reconhecidos e estabelecidos na sociedade.

Mudar conceitos sobre o mundo nunca é fácil. Hoje, parece-nos muito óbvio e aceitável, mas isto é porque fomos ensinados desde crianças sobre o assunto. Entretanto, fatos como o heliocentrismo e a circulação do sangue, por exemplo, demoraram muitos anos para serem aceitos pelas massas.

Se o Cristianismo foi de fato um empecilho para o avanço da ciência, é difícil explicar porque Paracelsus, Boyle, Kepler, Newton e tantos outros escreviam tanto sobre ciência quanto teologia, e incluíam orações e louvores nas suas anotações. Como foi sustentado aqui, a crença religiosa, particularmente a cristã, serviu muito mais como uma motivação do que um empecilho. Newton tinha como objetivo que suas obras fossem utilizadas para a apologética. Mersenne e Descartes esperavam oferecer através de suas obras novas armas para a religião, num tempo em que já começavam a surgir duras críticas contra a mesma.

Conclusão

Já fomos explicados agora sobre a contribuição do Cristianismo para ciência atual. Agora, o que será da ciência sem os seus pressupostos fundamentais? A ciência ainda vive dos restos do apelo cultural herdado pela cristandade, mas até quando?

Em menos de quatrocentos anos conseguiu-se inverter a relação entre a fé e a ciência, e pode ser que agora ela se auto-sustente apenas pela curiosidade intelectual e justificada pelo sucesso da tecnologia. Entretanto, com toda a sua base filosófica repudiada, inclusive a principal: que a natureza é regida por leis.

David Hume (1711-1776), o primeiro filósofo assumidamente ateu, negava toda a racionalidade da ciência, já que o empirismo puro não oferece bases para princípios tão fundamentais como, por exemplo, a causa e efeito. Por isso, deve existir uma "fé científica" na ordem da natureza. Resta a dúvida a respeito de quanto tempo esta "fé científica" sobreviverá sem a base racional oferecida pelo cristianismo.

Abraços, Paz de Cristo.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A Alma da Ciência (anotações do primeiro capítulo, Parte 3)


6. A natureza deve ser regida por "leis naturais";


Os outros povos consideravam a natureza como uma entidade viva, regida por forças misteriosas. Entretanto, se queremos estudar o mundo, precisamos acreditar que seus fenômenos são compreensíveis a nós. O Deus bíblico é visto tanto como Criador quanto como Legislador do mundo. O filósofo francês René Descartes (1596-1650) acreditava piamente neste ponto, sendo que via as leis matemáticas do Universo como sendo regidas por Deus, da mesma maneira que um Rei dita leis para seu reino.

O surgimento do conceito de "lei natural", na Idade Média, foi um fator-chave no distanciamento de nível científico entre a Europa e o resto do mundo. E observe que a argumentação aceita pelos homens da época não era "Existem leis naturais racionalizáveis, logo existe um Deus racional". Era justamente o contrário: "Existe um Deus racional, logo existem leis naturais racionalizáveis". Assim esse argumento dava mais certeza ainda para a existência das leis naturais, já que estes homens acreditavam fortemente na existência de Deus. Se o argumento tivesse sido da forma que apresentei primeiro, talvez não tivesse havido a motivação suficiente para o surgimento de uma ciência bem estabelecida. Além disto, este argumento foi aceito por fé, e não pela observação. Pois os outros povos antigos também observavam alguma regularidade na natureza. Mas bastavam encontrar uma discrepância, que a consideravam natural e não procuravam explicar a fundo.

7. As leis da natureza devem ser exatas, ou "Deus fez o Universo exatamete da maneira que Ele quis";


O fato de as leis naturais poderem ser expressas de maneira precisa através de fórmulas matemáticas foi mais um ponto para o surgimento da ciência no ambiente cristão. Em várias culturas antigas, os mitos de criação geralmente começavam com uma substância preexistente dotada de natureza inerente. O criador não poderia assim moldar o mundo exatamente de acordo com sua vontade.

Os filósofos gregos pré-socráticos postulavam a arché, que seria a substância primordial que daria origem a tudo. Séculos depois Platão pregava que o "criador" (a causa primeira) não fez o mundo a partir do nada, apenas inseriu razão (ideias) na matéria irracional, e mesmo assim isto não foi executado de maneira perfeita, já que a matéria tem a capacidade de resistir à racionalidade transmitida pela matéria. Era assim que os gregos explicavam as imprecisões da natureza. Objetos físicos eram apenas meras aproximações das ideias perfeitas.

A criação ex nihilo proposta pela tradição judaico-cristã destrói estas conclusões, já que assume um Deus com total liberdade para mover o Universo da forma mais ordenada posível. Johannes Kepler, por exemplo, em suas observações astronômicas encontrou um desvio de 8 minutos entre o tempo calculado e o medido da órbita de Marte. Segundo a filosofia grega, isto seria plenamente aceitável, já que o mundo físico nao passa de distorções de quadrados e círculos perfeitos. Mas Johannes Kepler, crendo num mundo ordenado por Deus, não podia acreditar que o problema tratava-se apenas de um círculo distorcido. Isto levou-o a criar o conceito de órbitas elípticas em vez de circulares, abandonando o modelo astronômico vigente já há mais de 2 mil anos. O próprio Kepler se refere a esses 8 minutos como uma "dádiva de Deus". Logo, a matemática aplicada ao estudo da natureza é uma consequência da considerar a natureza como criação de um Deus Onipotente.

8. O homem deve ser capaz de descobrir a ordem presente na natureza;


Este pressuposto teve que ser aceito simplesmente por fé no início dos estudos científicos. A garantia de que a mente humana possui preparo necessário para adquirir conhecimento verdadeiro sobre o mundo veio da ideia de que o homem foi criado à imagem de Deus.

Na China, por exemplo, desenvolveu-se uma tecnologia bélica e de engenharia muito avançada desde aproximadamente o primeiro milênio depois de Cristo. Entretanto, os chineses nunca desenvolveram um estudo científico sistemático porque não acreditavam nem em uma mente racional legisladora de um ordem, nem na capacidade humana de decodificar esta ordem, caso ela existisse. Embora percebessem uma certa regularidade na natureza, acreditavam ser apenas uma necessidade humana de ver ordem nas coisas. Se a natureza não é ordenada por um Ser racional e pessoal, não há nenhuma possibilidade de que outros seres pessoais e racionais possam descrevê-la e explicá-la. Um cristão, entretanto, facilmente poderia pensar que Deus não cometeria o desperdício ou a ironia de colocar o homem na terra e então cegá-lo para a verdadeira natureza do mundo ao seu redor.

9. Deve existir um modelo específico de epistemologia do conhecimento


Dizer que a natureza é inteligível ao ser humano depende do conceito da palavra inteligível. A lógica de Aristóteles, por exemplo, entende que o que define um objeto não é sua base material, mas sim seu propósito. Descobrindo o propósito para qual o objeto existe, não é necessária mais nenhuma observação, pode-se então deduzir logicamente todas as suas outras propriedades. Esse é um conceito adaptado da geometria, onde ao sabermos por exemplo que um triângulo tem três lados, podemos deduzir todas as suas propriedades matematicamente. Assim, a "ciência" dos gregos enfatizava a intuição racional dos propósitos dos objetos (ou "Formas"), seguidas da dedução, e não da experimentação. Este modelo foi inclusive adaptado ao cristianismo por São Tomás de Aquino no século XIII.

Esta filosofia cristã, conhecida como escolástica, começou a ser combatida ainda no século XIII. Quando se coloca a natureza com uma necessidade inerente de propósito ou Forma, limita-se a ação de Deus sobre estes objetos. Alguns cristãos escolásticos afirmavam por exemplo que Deus não podia permitir outra forma de movimento planetário que não posse o circular, já que esse é o mais simétrico e perfeito possível. O combatimento da escolástica intensificou-se na época da Reforma Protestante, quando surgiu uma tendência a enfatizar a Soberania de Deus e a passividade dos seres em relação aos preceitos que são impostos por Ele. Esta nova teologia inspirou e justificou uma metodologia experimental. Já que Deus criou o mundo por sua livre vontade e não por necessidades lógicas, não podemos deduzir sua Criação unicamente pela lógica. É preciso sair, observar e experimentar. Assim, o próprio cristianismo, propondo a ordem da natureza como uma imposição da vontade arbitrária de Deus, influenciou a investigação experimental sobre o mundo.

10. Mesmo sabendo que o mundo é causado pela ação livre e arbitrária de um Criador, ele não deve ser caótico, mas ordenado, por refletir a racionalidade de seu Criador;


Deus não seria, como dizia a escolástica, restringido por uma necessidade inerente de lógica ou por qualquer agente externo, mas é restringido pela sua própria natureza. O mundo é necessariamente ordenado e racional, mas não porque possui uma racionalidade inerente, e sim por refletir a racionalidade de Deus.

Isto nos leva a uma condição importante: nem sempre podemos prever como a racionalidade de Deus se revela na criação, já que a racionalidade de Deus é ilimitada, e a nossa inferior. Assim, apesar de esperarmos um padrão inteligível para a natureza, não podemos saber de antemão qual padrão ela seguirá, e isto mais uma vez nos leva a incentivar a experimentação e observação dos fenômenos naturais. Um exemplo oportuno é dado por Galileu, que quebrou os paradigmas da época sobre investigação científica; nem ao menos perguntou se era razoável que um determinado peso, lançado de certa altura ao chão, cai com a mesma velocidade de um peso menor, lançado da mesma altura. Ele simplesmente subiu na torre de Pisa e fez a experiência, levando ao resultado não intuitivo: os dois caem com a mesma velocidade. Galileu argumentou que não podemos presumir como Deus pensa; devemos antes sair e olhar para o mundo que Ele criou.

11. O homem deve agir ativamente na natureza, afim de atribuir glória a Deus e benefícios a si próprio;


Para que se possa avançar da ciência para a tecnologia é necessário um sistema de crenças que permita a intervenção humana nos processos naturais para desenvolver os propósitos humanos.

No animismo ou no panteísmo, o divino é imanente ao Universo, seja como deidades habitando nos elementos naturais ou como um espírito permeando o todo. Assim, o Universo é a única realidade, e o indivíduo é uma expressão da natureza, que não pode transcender seu meio, tendo uma posição passiva ante o mundo físico. Nessas filosofias religiosas o papel do homem é de interesse pela natureza visando apenas a adaptação, e não a subordinação de suas forças para o próprio benefício.

O conceito bíblico parte de um Deus transcendente e a criação da humanidade à Sua imagem. A mente humana consegue transcender a natureza e confrontá-la como um objeto de estudo, e não apenas amoldam-se à realidade, mas são livres para manipular os fenômenos tanto teoricamente quanto na prática. Assim, foi o cristianismo que desenvolveu uma estrutura intelectual e motivações para a tecnologia. Segundo os próprios primeiros cientistas, o objetivo da ciência era buscar "a glória de Deus e o benefício da humanidade".

Vemos em Gn 1.28 e 2.19,20 a própria ordem de Deus de que o homem dominasse sobre Sua criação e que Adão nomeasse os animais do jardim onde vivia. No idioma hebraico, em que a Bíblia foi escrito, o nome tem uma simbologia muito mais profunda do que tem na cultura ocidental, assim nomear não seria algo aleatório, mas sim baseado em observação, estudo e classificação, pois o nome deveria refletir a essência de cada ser. Mais adiante, houve o pecado e a queda do homem, mas como disse o filósofo britânico Francis Bacon (1561-1626), "o homem caiu, ao mesmo tempo, de seu estado de inocência e de seu domínio sobre a criação. (...) essas duas perdas podem, ainda nesta via, serem parcialmente reparadas; a primeira, pela religião e a fé; e a segunda, pelas artes e ciências".  Isto despertava motivação para, através da ciência, aliviar os sofrimentos impostos pela queda. Por isso a ciência no início era permeada de preocupação religiosa com os menos favorecidos.  A religião bíblica atribui um valor infinito até à pessoa mais humilde, já que todos são potencialmente filhos de Deus. Houve um ímpeto para minimizar a miséria, o trabalho intenso e monótono, enfim, melhorar a condição humana. Até esta visão de que a condição humana deve ser melhorada era algo revolucionário, que vem da Bíblia. A maioria das outras visões religiosas apresentam uma visão cíclica e fatalista do tempo, dentro das quais poderia ter sido impossível despertar um interesse tecnológico.

Conclusão

Vimos até aqui que:
  • Os ensinos cristãos serviram de pressupostos para o surgimento da ciência (por exemplo, a convicção de que há leis racionais governando a natureza);
  • Os ensinos cristãos sancionaram a ciência (por exemplo como justificativa para amenizar a labuta e o sofrimento humanos);
  • Os ensinos cristãos motivaram o estudo científico (para que pudesse ser revelada a glória e sabedoria do Criador, por exemplo);
  • O Cristianismo desempenhou um papel na regulamentação da metodologia científica (através da ênfase na experimentação e na crença da racionalidade impressa no Universo).
Esta informação tem destruído a imagem de guerra entre ciência e religião entre muitos historiadores. Falta ainda que ela passe do mundo acadêmica para o meio popular.

O próximo texto, complementando a argumentação, explica sobre as controvérsias históricas entre a igreja e a ciência, e porque elas não devem ser consideradas um argumento contra o que está sendo proposto aqui.

Abraços, Paz de Cristo.


A Alma da Ciência (anotações do primeiro capítulo, Parte 2)

(Parte 1)


Pressupostos para o surgimento da Ciência

Interessante como hoje se veem ciência e religião numa imagem de conflito e hostilidade, quase de oposição... mas isto é muito recente. Passamos três séculos inteiros (XVI a XIX) onde a relação entre ambas podia ser vista como uma aliança. Os primeiros cientistas não viam a  devoção religiosa e a investigação científica como incompatíveis, pelo contrário, uma era motivação para a outra. Um dos que começou a visão contra a dominância cultural foi o biólogo inglês Thomas Huxley (mais conhecido como o "buldogue de Darwin"). O próprio Huxley sabia e declarava que o que ele fazia não era nada mais do que substituir uma religião por outra. Dizia frequentemente que seu objetivo era a "instituição da igreja científica" e chamava as suas palestras de "sermões leigos".

Entretanto apenas o fato de que a ciência moderna surgiu numa cultura impregnada pela fé cristã já é sugestivo. Conhecemos várias outras culturas, como os chinese ou os árabes, que produziram um nível de erudição e tecnologia inclusive superiores ao da Europa medieval. Mesmo assim foi no Ocidente que sistematizou-se o método científico empírico. Não se nega que outros fatores da época também influenciaram o surgimento da ciência: crescimento das profissões liberais, fundação de várias instituições científicas, crescente número de publicações periódicas, etc. Estes foram elementos essenciais para o desenvolvimento da ciência, mas não propriamente para a sua origem. A investigação cienífica depende de certos pressupostos, que precisam ser aceitos, acerca do mundo. A ciência não pode existir até que estes sejam plenamente estabelecidos.

1. É preciso conferir à natureza atributos que a tornam um objeto possível do estudo científico, ou "É preciso ter fé que a Ciência pode existir";


Este pressuposto se baseia na legitimidade da natureza, que por sua vez vem diretamente da ideia cristã de uma criação divina objetiva. Mesmo que nem todos os percursores do movimento científico fossem cristãos devotos, eles estavam imersos dentro de uma sociedade onde a influência e o apelo cultural cristão estavam devidamente enraizados.

A ciência também depende da atitude do indivíduo em relação à natureza. Devem ser aceitos várias outras premissas acerca da natureza:

2. A natureza deve ser real;


Isto pode parecer óbvio, mas existiram e existem outros povos que consideram a natureza irreal. No panteísmo e no idealismo, por exemplo, as coisas finitas são apenas manifestações do Ser absoluto e infinito; a individualidade e separações não passam de ilusão. Segundo o Hinduísmo, que é panteísta, "o mundo físico é uma ilusão". Com tal sistema de crenças como premissa seria muito difícil inspirar a atenção voltada ao mundo que a ciência exige. Por outro lado, a doutrina cristã ensina que Deus criou os objetos, estes não são apenas mainfestações do divino, portanto possuem existência real, e são passíveis de estudo.

3. A natureza deve ser, além de real, digna de estudo.


Esta convicção está relacionada a valores. Os gregos clássicos não a tinham. Frequentemente relacionavam o mundo o mal e ao caos. Trabalhos manuais eram reservados aos escravos, e os filósofos, tidos como homens mais elevados, dedicavam-se ao ócio e ao pensamento, buscando as ideias. Muito provavelmente foi por isso que os gregos nunca desenvolveram uma ciência experimental. Opostamente, o cristianismo ensina que o mundo, como criação de Deus, tem grande valor: "e viu Deus que o mundo era bom" Gn &lt;  &gt; O trabalho manual era digno de orgulho, notadamente entre os cristãos medievais. Os artesãos eram vistos com respeito. A partir da Reforma Protestante, difundiu-se muito o conceito de que o homem deveria servir a Deus, não se retirando numa vida monástica, mas realziando qualquer trabalho honesto e útil com honestidade e diligência". E era assim que os primeiros cientistas viam seu trabalho:

"Graças te dou, Criador e Deus, pois tu me concedeste esta alegria em tua criação e me alegro nas obras de tuas mãos. Vê, pois, que completei o trabalho para o qual fui chamado. Nele, usei todos os talentos que tu concedestes ao meu espírito."
Johannes Kepler, sobre a conclusão dos seus trabalhos como astrônomo.

"A busca da ciência é uma boa dádiva concedida por Deus."
Jean-Baptiste von Helmont

4. A natureza deve ser boa, mas não uma divindade, apenas um objeto.


Religiões animistas, totemistas e panteístas tratam o mundo natural como uma habitação de ser(es) divino(s), ou como uma emanação da própria essência dos deuses. O homem pagão costuma ver o mundo como uma espécie de floresta encantada, onde tudo- vales, bosques, pedras, rios, árvores - está repleto de espíritos. Biblicamente, Deus não habita no mundo da mesma maneira que um &lt;Dryad&gt; habita numa árvore. Ele não é a "alma" do mundo, mas sim seu Criador. Isto é enfatizado desde as primeiras linhas do Gênesis. Sol, Lua e estrelas são claramente vistos como meros objetos da criação de Deus, enquanto na maioria esmagadora das outras culturas estes eram vistos como vivos, divinos. A "desdeificação" da natureza é essencial para o surgimento da ciência. Pois deve-se encarar a natureza sem o medo de estar ofendendo ou desrespeitando ela própria como um ser divino, fazê-la um objeto de estudo em vez de um objeto de adoração.

5. A natureza deve ser um sistema onde os acontecimentos ocorrem de maneira regular e confiável;

Isto é obviamente necessário, se queremos encará-la como objeto de estudo. O paganismo em geral via o mundo como uma confusão de deuses, cada um manipulando uma parte específica do mundo ao seu bel-prazer, para satisfazer os seus caprichos. O cristianismo, entretanto, ensina um único Deus, transcendente e de vontade firma e constante, que criou um Universo coerente e unificado.

Obs: perceba que a ideia da confiabilidade da natureza não supõe somente a existência de um Deus, mas também faz implicações sobre o caráter deste Deus. Ele deve ser fidedigno, a ponto de criar um mundo ordenado e regular. Copérnico, por exemplo, buscava em seu trabalho uma cosmologia que fosse mais adequada que a de Aristótoles e a de Ptolomeu. A conclusão de seu trabalho foi um sistema mais organizado, que condizia mais com a regularidade e simetria atribuída à obra de Deus.

A Alma da Ciência (anotações do primeiro capítulo, Parte 1)



Hoje em dia, vemos cada vez mais o mundo indo em direção à secularização, e a ciência caminhando em direção ao materialismo (isto se já não está totalmente imersa neste). Mas pode parecer surpreende para alguns que figuras-chave da ciência trabalharam dentro de uma estrutura cristã, inclusive que suas expressões científicas foram inspiradas e motivadas por suas convicções cristãs.

A forma que os livros didáticos abordam os temas científicos tende a esconder estes detalhes. Aliás, vê-se uma clara influência do pensamento positivista: de que o progresso da ciência é alcançado à medida que nos libertamos dos "grilhões" da religião e da metafísica. O aluno acaba acreditando (erronaeamente) que os principais personagens históricos que promoveram este desenvolimento tinham tal conceito sobre a religião e filosofia.

Análises relativamente recentes de historiadores da ciência vem desacreditando o Positivismo; e reconhecendo a importância da cosmovisão cristã; para o nascimento e estabelecimento da ciência. Até o início do século XX, a influência cultural predominante no mundo ainda era a cristã. Não podemos entender textos de Newton, Descartes ou Cuvier sem investigar as motivações religiosas e filosóficas de seus trabalhos científicos.

Loren Eiseley, escritor científico, diz que o aspecto mais curioso do mundo científico em que vivemos é justamente o fato de ele existir. Poderíamos pensar que é apenas uma questão de tempo para que uma civilização acumule conhecimento e então naturalmente desenvolva a sua própria ciência, mas não é assim que se observa historicamente. Diversas civilizações surgiram e desapareceram na Terra sem ao menos criar nenhum tipo de filosofia científica. O que hoje chamamos de método científico surgiu em uma cultura específica - a Europa ocidental - e em nenhuma outra. Eiseley conclui que a ciência não é de modo algum natural ou institintiva à humanidade, mas que "ela exige um substrato único para se desenvolver". Sem esse substrato a ciência desapareceria da Terra, como qualquer outra religião ou política de governo. Segundo Eiseley (e a argumentação deste texto), esse substrato seria a fé cristã.

Desde o Iluminismo costuma-se dividir a história em Antiguidade, Idade Média e Idade Moderna. A definição iluminista é simplista em vários aspectos, particularmente tem-se uma ideia de que a Idade Média foi um tempo de desolação intelectual e cultural. Esta ideia vem sendo há muito questionada.

O físico e filósofo francês Pierre Duhem (1861-1916), ao investigar a história da Estática, pressupôs que esta teve sua origem em Arquimedes, e que a próxima contribuição significativa só teria sido dada por Leonardo da Vinci, no Renascimento. Duhgem se surpreendeu ao encontrar relatos bibliográficos de Jordanus de Nemore (século XIII), Alberto da Saxônia, Jeane Buridom e  Nicole Oresme (do século XIV), que se anteciparam a da Vinci e Galileu nos fundamentos da estática.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Alma da CIência



Devo dizer que este é um dos melhores livros que tenho lido. Sua análise histórica precisa e crítica o faz mais do que uma simples apologia ao cristianismo, mas sim uma total e clara refutação ao suposto conflito entre ciência e religião, causado pela adoção da visão positivista pela ciência. Quero agradecer ao blogueiro Cristiano, que escreve no Nerd Protestante, por ter me indicado esta maravilhosa leitura. E é claro, recomendo a todos!

Para adquirir o livro, clique aqui ou procure no Google (Obs: eu consegui comprar há alguns meses atrás no Mercado Livre por R$ 30,00, mas infelizmente o link não está mais disponível... se você achar mais caro em outro lugar, não pense duas vezes sobre comprar o livro... ele vale muito mais do que eu paguei!).

A autora Nancy Pearcey é escritora científica e editora colaboradora do Pascal Centre for Advance Studies in Science and Faith. O co-autor Charles Taxton é Ph.D. em Química e pós-doutor em História da Ciência pela Universidade de Harvard.

Publicarei minha análise sobre os pontos iniciais do livro nos próximos artigos do blog. Assim você terão uma 'amostra grátis' da leitura que os espera e ainda ficarão mais curiosos para conhecer sobre o que mais o livro fala.

Abraços, Paz de Cristo.

Resenha do Primeiro Capítulo:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Citações


Sei que isso é um clichê e pode ser encontrado em qualquer site "fundo-de-quintal" por aí na internet, mas acho importante ter aqui no blog essa coleção de frases, ditas por ícones da nossa história, que foram grandes nomes para a ciência, filosofia ou política, mas também foram humildes servos de Deus. Não posso garantir a autenticidade de todas as atribuições de autor, mas pelo menos a maioria é legítima. Confiram:

"Não vejo nenhuma boa razão para que as opiniões exposta neste volume choquem os sentimentos religiosos de qualquer pessoa”
Charles Darwin, sobre a Teoria da Evolução das espécies 

“Eu não creio, eu sei” 
Carl Gustav Jung, discípulo mais influente de Freud, sobre a existência de Deus.

“Toda a nossa ciência comparada com a realidade, é primitiva e infantil, no entanto, é a coisa mais preciosa que temos”. 

“Estou inclinado e enxergar todas as coisas como resultado de leis projetadas, com os detalhes, sejam eles bons ou maus, deixado à mercê do acaso. Não que isso me satisfaça de alguma forma. Sinto de forma muito forte que todo esse assunto é profundo demais para o intelecto humano. É como um cão tentando especular sobre a mente de Newton”

"Sejamos amigos de Platão, mas muito mais amigos da verdade” 

"A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos." 

"O acaso é talvez, o pseudônimo que Deus usa quando não quer assinar suas obras." 
T.Gauther 

"Para os crentes, Deus está no princípio de todas as coisas; para os cientistas, no final de toda a reflexão."

"Quem procura a verdade procura Deus, ainda que não o saiba." 

"Deus não fala, mas tudo fala de Deus." 

"Qualquer fórmula que expressa uma lei da natureza é um hino de louvor a Deus." 
Maria Mitchell, astrônoma americana

"A busca de Deus é a busca da felicidade. O encontro com Deus é a própria felicidade." 

"Estavas dentro de mim e eu estava fora, e era fora que te procurava." 
"A consciência, sendo reta, descobre a marca do criador em todas as coisas." 

"Acreditar em algo e não o viver é desonesto." 

"Se o compreendesses, ele não seria Deus." 

"Há duas coisas infinitas: o Universo e a tolice dos homens. Mas não tenho certeza do que afirmo sobre a questão do universo." 

"Imaginação é mais importante que inteligência". 

"O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, mas sim por aquelas que permitem a maldade". 

"É mais fácil explodir um átomo que um preconceito." 

"Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre." 

"Ciência sem religião é coxa, religião sem ciência é cega". 

"Graças te dou, Criador e Deus, pois tu me concedeste esta alegria em tua criação e me alegro nas obras de tuas mãos. Vê, pois, que completei o trabalho para o qual fui chamado. Nele, usei todos os talentos que tu concedestes ao meu espírito."
Johannes Kepler, sobre a conclusão dos seus trabalhos como astrônomo.

"A busca da ciência é uma boa dádiva concedida por Deus."
Jean-Baptiste von Helmont

"O belíssimo sistema de Sol, planetas e de cometas só pode ter se originado do desígnio e domínio de um Ser inteligente e poderoso."
Isaac Newton

"A Natureza é um intermediário entre Deus e as diversas partes do Universo para o cumprimento da vontade divina."
Jean-Baptiste Lamarck

Sobre a Bíblia 

“É impossível governar o mundo sem Deus e sem a Bíblia” 
George Washington, primeiro presidente dos EUA

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida” 
Jesus Cristo – João 14.6 

“Ainda não encontrei a verdade!” 
Maomé, disse nos últimos dos seus dias de vida 

“Que é a verdade?” 
Buda, disse no final de sua vida 

“Cem anos depois de minha morte não haverá mais cristãos, não haverá mais Bíblias, não haverá mais a Palavra de Deus, e desaparecerá definitivamente toda memória de Cristo e seus ensinamentos...” 
Voltaire, filósofo francês (há bem mais de cem anos atrás!)

“A América necessita regressar aos princípios do amor e da aceitação da Palavra de Deus” 
George Bush, presidente dos EUA, em 1992 

“Aqui na Praça Vermelha, em Moscou, o Comunismo irá enterrar o Cristianismo” 
Stalin, em 1942 

“Se eu a coloco abaixo de todos os livros, ela é a que mantém todos eles, se eu a coloco no meio dos outros livros, ela é a coração desses livros, e se eu a coloco em cima dos outros livros, ela é a cabeça e autoridade de todos os livros em minha biblioteca” 

“Arrependo-me de ter escrito a doutrina espírita” 
Allan Kardec, autor de O Evangelho Segundo o Espiritismo 

“Desde que aceitei a Cristo passei a contar com a força e o poder de Deus nos momentos mais importantes. Nas horas de aflição é muito bom saber que somos de Jesus e nunca estamos sós” 
Cláudio André Taffarel, ex-goleiro da seleção brasileira de futebol, tetra-campeão 

“Eu estava fazendo uma revolução na força da guerra..., mas lendo as páginas deste livro (a Bíblia) descobri que Cristo fez uma revolução muito maior do que eu, sem violência e destruição, fez a revolução do amor e da liberdade espiritual mediante o sangue da sua cruz.” 

"Ainda que não prevaleça a ótica religiosa, o evangelho é um grande manual de sobrevivência nesse planeta"
Miguel Falabella, ator e diretor teatral 

"A alma jamais pode vaguear sem rumo, se tomar a Bíblia para lhe guiar os passos." 

"A Bíblia é o mais poderoso instrumento que o pregador pode ter. Com ela falo com confiança à mais sofisticada ou mais degradada ou mais incrédula das pessoas."

"A Bíblia é uma janela neste mundo-prisão, através da qual nos é possível divisar a eternidade. " 

"A Bíblia não é somente um grande livro de referências históricas, mas é também um Guia para a vida diária, e por esta razão eu a respeito e amo."

"A Bíblia não é um livro qualquer, mas sim uma Criatura Viva, com um poder que conquista tudo que se opõe a ela."

"A Bíblia nos ensina a amar o próximo e também a amar nossos inimigos provavelmente porque eles são, em geral, as mesmas pessoas." 

"A Bíblia tem sido a carta magna dos pobres e oprimidos. A raça humana não está em condições de dispensá-la." 
Thomas Henry Huxley, o "buldogue" de  Darwin

"A Bíblia traz o selo distintivo de sua origem, e uma distância incomensurável a separa de todo competidor." 

"A Bíblia vale a soma de todos os outros livros que já se imprimiram. "

"A esperança total do progresso humano está pendente da influência crescente da Bíblia."

"A leitura da Bíblia em si, é uma educação." 

"É impossível escravizar mental ou socialmente um povo que lê a Bíblia. Os princípios são os fundamentos da liberdade humana." 

"É impossível governar perfeitamente o mundo, sem Deus e sem a Bíblia."

"É minha fé na Bíblia que me serviu de guia em minha vida moral e literária. Quanto mais a civilização avance, mais será empregada a Bíblia." 

"Em todas as minhas perplexidades e angústias a Bíblia nunca deixou de me fornecer luz e vigor. " 

"Eu acredito que a Bíblia é a melhor dádiva que Deus deu à humanidade. Todas as coisas boas do Salvador do Mundo nos são ditas através deste Livro. " 

"Eu amo a Bíblia, eu leio-a todos os dias e, quanto mais a leio tanto mais a amo. Há alguns que não gostam da Bíblia. Eu não os entendo, não compreendo tais pessoas, mas, eu a amo, amo a sua simplicidade e amo as suas repetições e reiterações da verdade. Como disse, eu leio-a quotidianamente e gosto dela cada vez mais." 

"Há mais indícios seguros de autenticidade na Bíblia do que em qualquer história profana. " 

"Livro de minha alma aqui o tenho: é a Bíblia. Não o encerro na biblioteca, entre os de estudo, conservo-o sempre à minha cabeceira, à mão. É dele que tiro o pão para a minha fome de consolo, é dele que tiro a luz nas trevas das minhas agonias." 

"Não existe nenhum livro que tenha tanta variedade como a Bíblia, nenhum que tenha tanta sabedoria concentrada. Quer se trate de lei, negócios, moral, etc., quem busca orientação pode olhar dentro de suas capas e encontrar luz. " 

"O vigor de nossa vida espiritual está na proporção exata do lugar que a Bíblia ocupa em nossa vida e em nossos pensamentos. Faço esta declaração, solenemente, baseado na experiência de cinqüenta e quatro anos." 

"Que felicidade a Bíblia proporciona àqueles que acreditam nela! Que maravilhas admiram aqueles que refletem nela! " 

"Que o homem progrida quanto quiser, que todos os ramos do conhecimento humano se desenvolvam ao mais alto grau, coisa alguma substituirá a Bíblia, base de toda a cultura e de toda a educação." 

"Se souberes toda a Bíblia exteriormente e as palavras de todos os filósofos, a que serviria tudo isso sem o amor e a graça de Deus?" 

"Tão grande é a minha veneração pela Bíblia que, quanto mais cedo meus filhos começam a lê-la, tanto mais confiado espero que eles serão cidadãos úteis à pátria e membros respeitáveis da sociedade. Há muitos anos que adoto o costume de ler a Bíblia toda uma vez por ano." 

"Um bom conhecimento da Bíblia vale mais do que uma educação superior. Quase todas as pessoas que com o trabalho de suas vidas acrescentaram algo para o conjunto das realizações humanas... basearam o seu trabalho grandemente nos ensinamentos da Bíblia." 

"Uma pessoa que se privou do conhecimento da Bíblia privou-se da melhor coisa que existe no Mundo. " 

"A falsa ciência cria os ateus, a verdadeira, faz o homem prostrar-se diante da divindade" 
Voltaire

Abraços, Paz de Cristo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Problema do Mal (parte 9) - E aqueles que nunca conheceram Deus ou o Evangelho? ou "O Problema da Ignorância"


Graças a Deus, finalmente chegamos na última (e não menos importante) parte da série "O Problema do Mal"(se você ainda não leu as outras partes, veja aqui). Aqui trataremos de um problema dentro do problema do inferno, que eu chamo de "problema da ignorância".

Aparentemente há um problema quando pensamos no destino de milhões de pessoas que sequer ouviram falar da existência de Jesus Cristo, se consideramos que a salvação só vem dEle. Estariam essas pessoas indo para o inferno também?

O Problema do Mal, Parte 8: INFERNO (outras questões)


 Resolveremos as pendências de responder algumas questões que ficaram sobre o assunto Inferno, em relação ao caráter de Deus.

Seria a existência do Inferno, como punição infinita,  incompatível com a justiça infinita de Deus, dado que pecamos um número finito de vezes?
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