Olá leitores. Trago com exclusividade um artigo acadêmico de William Lane Craig defendendo a tese de um início absoluto do Universo - tese que aponta diretamente para a existência de Deus, em contraste com vários modelos cosmológicos recentes que tentam fugir desta conclusão. O artigo foi traduzido por mim e o original encontra-se em reasonablefaith.org.
A Questão Última das Origens: Deus e o Início do Universo
William Lane Craig
A origem absoluta do Universo, de toda a matéria e energia, e até mesmo do espaço físico e do tempo, na singularidade do Big Bang, contradiz a persistente suposição naturalista que o Universo sempre existiu. Um após o outro, modelos concebidos para evitar a singularidade cosmológica inicial - o modelo do estado estacionário, o modelo oscilante, os modelos de flutuação do vácuo - vêm e vão. Atuais modelos de gravidade quântica, tais como o modelo de Hartle-Hawking e o modelo de Vilenkin, acabam tendo que apelar para o fisicamente ininteligível e metafisicamente duvidoso conceito de "tempo imaginário" a fim de evitar o início do Universo. A contingência implicada por um começo absoluto ex nihilo aponta para uma causa transcendente do Universo, além do espaço e do tempo. Objeções filosóficas para a causa do Universo falham em ser convinventes.
Fonte: Astrophysics and Space Science 269-270 (1999): 723-740
A questão fundamental
Desde tempos imemoriais
os homens se questionam ao voltarem o olhar para o céu. Tanto a cosmologia como a filosofia traçam suas raízes para o fascínio sentido pelos
gregos antigos quando estes contemplavam o Cosmos. De acordo com
Aristóteles,
é devido ao fascínio deles que os homens agora começam e, no princípio, começaram a filosofar; Eles se perguntaram inicialmente sobre as dificuldades óbvias, então, avançaram pouco a pouco e levantaram dificuldades sobre as questões maiores, por exemplo, sobre os fenômenos da Lua, do Sol e as estrelas, e sobre a origem do Universo. [1]
A questão de por
que o Universo existe permanece o mistério final. Derek Parfit, um
filósofo contemporâneo, declara que "nenhuma pergunta é mais
sublime do que por que há um Universo: por que existe alguma
coisa em vez de nada?" [2]
Esta questão levou
o grande matemático e filósofo alemão Gottfried Wilhelm Leibniz a
postular a existência de um ser metafisicamente necessário que
carrega consigo a razão suficiente para a sua própria existência e
que constitui a razão suficiente para a existência de tudo o mais
no mundo. [3] Leibniz identificadva este ser como Deus. Os críticos de
Leibniz, por outro lado, alegaram que o Universo espaço-temporal pode ser
ele próprio o Ser necessário exigido pelo argumento de Leibniz.
Assim, o cético escocês David Hume questionou: "Por que o
Universo material não pode ser o Ser necessariamente existente (...) ?"
De fato, "como pode qualquer coisa, que existe desde a
eternidade, ter uma causa, uma vez que tal relação implica uma
prioridade no tempo e um começo da existência?" [4] Não haveria como ir além do Universo postular um base sobrenatural para sua existência. Como Bertrand Russell coloca de forma sucinta em
seu debate na rádio BBC com Frederick Copleston, "o Universo apenas está aí, e isso é tudo." [5]
A Origem do Universo
Este impasse
persistiu inalterado até 1917, ano em que Albert Einstein fez uma
aplicação cosmológica de sua recém-descoberta Teoria da
Relatividade Geral. [6] Para seu desgosto, ele descobriu que TRG não
permitiria um modelo estático do Universo, a menos que ele
introduzisse em suas equações de campo gravitacional um certo "fator
de correção" L, a fim de contrabalancear o efeito
gravitacional da matéria. O Universo de Einstein era equilibrado como no
fio da navalha, no entanto, e o mínimo de perturbação faria com
que o Universo implodisse ou para expandisse. Ao considerar seriamente esta
característica do modelo de Einstein, Alexander Friedman e
Georges Lemaitre, de forma independente, foram capazes de formular na década de 1920 soluções para as equações de campo que previam
um Universo em expansão. [7]
A importância
monumental do modelo de Friedman-Lemaitre jazia em sua "historicização" do Universo. Como um comentador observou, até este
momento a ideia da expansão do Universo "estava absolutamente além
da compreensão. Ao longo de toda a história humana, o Universo foi
considerado como fixo e imutável e a ideia de que ele pode na verdade estar mudando era inconcebível." [8] Mas, se o modelo de
Friedman-Lemaitre estava correto, o Universo não poderia mais ser
tratado adequadamente como uma entidade estática existente, com
efeito, eternamente. Pelo contrário, o Universo tem uma história, e o tempo não será indiferente para a nossa investigação do cosmos.
Em 1929 medições do desvio para o vermelho no espectro óptico da
luz de galáxias distantes de Edwin Hubble, [9] que foram tomadas para
indicar um movimento de recessão universal das fontes de luz em
linha de vista, proveram uma verificação dramática do modelo
Friedman-Lemaitre. Incrivelmente, o que Hubble descobriu foi a expansão
isotrópica do Universo previsto por Friedman e Lemaitre. Isto marcou
um verdadeiro ponto de viragem na história da ciência. "De
todas as grandes previsões de que a ciência já fez ao longo dos
séculos", indaga John Wheeler: "será que houve uma maior do
que essa: prever e prever corretamente, e prever contra todas as
expectativas, um fenômeno tão fantástico como a expansão do
Universo?" [10]
O Modelo Padrão do Big Bang
Como uma teoria
baseada na TRG, o modelo de Friedman-Lemaitre não descreve a expansão
do conteúdo material do Universo dentro um espaço newtoniano vazio e preexistente, mas sim a expansão do próprio espaço. Isto tem a
implicação surpreendente que, conforme se inverte a expansão e
extrapola de volta no tempo, a curvatura do espaço-tempo torna-se
progressivamente maior até que finalmente se chega a um estado
singular em que a curvatura do espaço-tempo se torna infinita. Este
estado constitui, portanto, uma borda ou limite do próprio
espaço-tempo em si. P.C.W. Davies comenta,
Uma singularidade cosmológica inicial (...) forma uma extremidade temporal no passado do Universo. Não podemos continuar o raciocínio físico, ou até mesmo o conceito de espaço-tempo, através de tal extremidade. (...) Deste ponto de vista do Big Bang representa o evento de criação; a criação não só de toda a matéria e energia do Universo, mas também do espaço-tempo em si. [11]
A expressão popular
"Big Bang", originalmente um termo pejorativo cunhado por
Fred Hoyle para caracterizar o início do Universo previsto pelo
modelo Friedman-Lemaitre, é, portanto, potencialmente enganosa, uma
vez que a expansão não pode ser visualizado a partir do exterior
(não havendo "fora", assim como não há" antes" em
relação ao Big Bang). [12]
O modelo padrão do
Big Bang descreve, assim, um Universo que não é eterno no passado,
mas que veio à existência há um certo tempo finito atrás. Além disso, - e isso
merece ser ressaltado - a origem que se postula é uma origem absoluta ex
nihilo. Pois não só toda a matéria e energia, mas os próprios espaço e tempo vieram a existir na singularidade cosmológica inicial. Como
Barrow e Tipler enfatizam: "Neste singularidade, espaço e tempo
vieram à existência, literalmente nada existia antes da
singularidade, assim, se o Universo se originou em tal singularidade,
poderíamos realmente ter uma criação ex nihilo." [13] Assim,
pode-se representar graficamente o espaço-tempo como um cone
(Fig. 1).
FIG. 1:
Representação cônica do Espaço-tempo no Modelo Padrão. O espaço e
o tempo começam na singularidade cosmológica inicial, antes de que
literalmente nada existe.
Em tal modelo o
Universo origina ex nihilo, no sentido de que na singularidade inicial
é verdade que não há nenhum ponto anterior do espaço-tempo ou é
falso que alguma coisa existia antes da singularidade.
Agora tal
conclusão é profundamente perturbadora para quem a pondera. Pois a
questão não pode ser suprimida: Por que o Universo existe em vez de
nada? À luz da origem do Universo ex nihilo, já não se pode
descartar essa pergunta com um levantar de ombros e uma frase de efeito, "o Universo apenas está aí e isso é tudo." Porque o Universo não está "apenas aí"; em vez disso, passou a existir. O início do
Universo revela que o Universo não é, como se pensava Hume, um ser
necessariamente existente, mas é contingente na sua existência.
Os filósofos que analisam o conceito de existência necessária
concordam que as propriedades essenciais de qualquer entidade necessariamente existente incluem o sua existência eterna, sem causa,
incorruptível, e indestrutível [14] - pois caso contrário, seria
capaz de não existir, que é auto-contraditório. Assim, se o
Universo começou a existir, falta, pelo menos, uma das
propriedades essenciais da existência necessária - a eternidade.
Portanto, a razão para a sua existência não pode ser imanente, mas
deve, de alguma forma misteriosa, ser ultra-mundana, ou transcendente.
Caso contrário, deve-se dizer que o Universo simplesmente pulou para a existência absolutamente sem causa, o que parece absurdo. Sir
Arthur Eddington, contemplando o início do Universo, opinou que a
expansão do Universo era tão absurda e incrível que "sinto quase uma indignação que alguém deveria acreditar nisso - exceto
eu." [15] Ele finalmente sentiu-se forçado a concluir: "O
início parece apresentar dificuldades insuperáveis, a menos que
concordemos em olhar para ele como francamente sobrenatural." [16]
Acho que a maioria
dos cientistas não refletem filosoficamente sobre as implicações
metafísicas de suas teorias. Mas, nas palavras de uma equipe
astrofísica, "o problema da origem [do Universo] envolve um
certo aspecto metafísico que tanto pode ser atraente ou revoltante." [17]
O modelo do estado estacionário
Revoltado com as
alternativas fortemente metafísicas apresentadas a nós por um início
absoluto do Universo, certos teóricos têm sido compreensivelmente
ávidos a subverter o modelo padrão e restaurar um Universo
eterno. Sir Fred Hoyle, por exemplo, não poderia tolerar nem um Universo sem causa
nem uma origem causada sobrenaturalmente do Universo. Com respeito à
primeira alternativa, ele escreveu: "Esta situação mais
peculiar é tomada por muitos astrônomos para representar a origem
do Universo. O Universo supostamente começou neste momento
particular. De onde? A resposta usual, sem dúvida, insatisfatória, é: a partir do nada!" [18] Igualmente insatisfatório na
mente de Hoyle foi a postulação de uma causa sobrenatural. Notando
que alguns aceitam alegremente um início absoluto do Universo, Hoyle
reclamou,
Para muitas pessoas este processo de pensamento parece muito satisfatório porque um "algo" fora da física pode então ser introduzido em t = 0. Por uma manobra semântica, a palavra "algo" é, então, substituída por 'deus', exceto que a primeira letra se torna maiúscula, Deus, a fim de avisar-nos que não devemos levar a investigação adiante. [19]
Para crédito de
Hoyle, ele levou a investigação adiante, ajudando a formular em
1948 o primeiro concorrente para o modelo padrão, a saber, o Modelo
de Estado Estacionário do Universo. [20] De acordo com esta teoria, o
Universo está em um estado de expansão cósmica isotrópica, mas
à medida em que as galáxias se afastam, nova matéria é criada ex
nihilo nos interstícios do espaço formados pela recessão galáctica (Fig. 2).
FIG. 2: Modelo de Estado Estacionário. À medida que as galáxias mutuamente se afastam, nova matéria
passa a existir para substituí-las. O Universo, portanto, renova-se
constantemente e por isso nunca começou a existir.
Se extrapolarmos a
expansão do Universo de volta no tempo, a densidade do Universo
nunca aumenta porque a matéria e energia simplesmente desaparecem
enquanto as galáxias mutuamente vão se aproximando!
A teoria do estado
estacionário não conseguiu qualquer verificação
experimental; seu apelo era puramente metafísico. [21] A descoberta progressiva de mais galáxias de rádio em distâncias cada vez maiores minou a teoria, mostrando que o Universo teve uma
história evolutiva. Mas a refutação decisiva do modelo do estado
estacionário veio com duas descobertas que constituíam, além do
desvio para o vermelho das galáxias, a evidência mais significativa
para a teoria do Big Bang: a nucleossíntese cosmogônica dos
elementos leves e da radiação de fundo de microondas. Como
resultado, nas palavras de Ivan King, "a teoria do estado
estacionário foi agora enterrada, como resultado de
observações claras de como as coisas mudaram com o tempo." [22]
Modelos oscilantes
O Modelo Padrão foi
baseada nos pressupostos de homogeneidade e isotropia. Alguns
cosmólogos especulam que, ao negar homogeneidade e isotropia, pode
ser capaz de elaborar um modelo oscilante do Universo. [23] Se a força
gravitacional interna da massa do Universo fosse capaz de superar a
força da sua expansão, então a expansão pode ser invertida
em uma contração cósmica, um "Big Crunch". Se o Universo
não fosse homogêneo e isotrópico, então o Universo em colapso poderia não se aglutinar em um ponto, mas os componentes materiais do Universo
poderiam passar através uns aos outros, de modo que o Universo pareceria recuperar-se da contração em uma nova fase de expansão. Se este
processo de expansão e contração poderia ser repetido
indefinidamente, em seguida, um começo absoluto do Universo pode ser
evitado (Fig. 3).
FIG. 3: Modelo Oscilante. Cada fase de expansão é precedida e sucedida por uma
fase de contração, de modo que o Universo exista sem começo e interminavelmente.
Tal teoria é
extremamente especulativa, mas novamente houve motivações
metafísicas para a adoção desse modelo. [24] As perspectivas do
modelo oscilante foram severamente esmaecidas em 1970, no entanto,
pela formulação dos teoremas da singularidade de Penrose e Hawking. [25] Os teoremas revelaram que sob condições muito
generalizadas uma singularidade cosmológica inicial é inevitável,
mesmo para Universos não homogêneos e não-isotrópicos. Refletindo
sobre o impacto desta descoberta, Hawking observa que os Teoremas da
Singularidade de Hawking-Penrose "levaram ao abandono das
tentativas (principalmente pelos russos) de argumentar que houve
uma fase de contração anterior e um salto não singular em
expansão. Em vez disso, quase todos agora acreditam que o Universo, e o
próprio tempo, tiveram um começo no Big Bang ". [26]
Apesar do fato de que os limites de um Universo fechado devem ser singularidades e que
nenhuma trajetória no espaço-tempo pode ser estendida através de
uma singularidade, o modelo oscilante exibiu uma persistência
teimosa. Mais três golpes foram apresentados contra ele. Em primeiro
lugar, não há física conhecida que poderia causar um Universo em
colapso se recuperar para uma nova expansão. Em segundo lugar, as
evidências observacionais indicam que a densidade de massa média do
Universo é insuficiente para gerar atração gravitacional
suficiente para deter e reverter a expansão. [27] Em terceiro lugar,
uma vez que a entropia é conservada de ciclo para ciclo em tal
modelo, o que tem o efeito de gerar oscilações maiores e mais longas
a cada ciclo sucessivo, as propriedades termodinâmicas de um modelo
oscilante implicam o próprio início absoluto que seus proponentes procuraram evitar (Fig.
4). [28]
FIG. 4: oscilante Modelo com Entropia aumentar. Devido à conservação de entropia cada oscilação sucessivo tem um raio maior e expansão tempo mais longo.
Mesmo estas
dificuldades sendo bem conhecidas, os defensores do modelo oscilante
tenazmente se agarraram a ele até que uma nova alternativa para o Modelo Padrão surgisse durante a década de 1970. [29] A teoria se manteve viva porque evitava um início absoluto do Universo; mas
uma vez que outros modelos tornaram-se disponíveis alegando oferecer o mesmo benefício, o Modelo Oscilante afundou sob o peso de
suas próprias deficiências.
Modelos de Flutuação Quântica de Vácuo
Os cosmólogos
perceberam que a descrição física do Universo antes do tempo de
Planck exigiria a introdução da física quântica, além da TRG. Em
1973, Edward Tryon especulou se o Universo pode não ser uma
partícula virtual de longa vida, cuja energia total é zero,
nascida a partir do vácuo primordial. [30] Esta especulação
aparentemente bizarra deu origem a uma nova geração de teorias
cosmogônicas que podemos chamar de Modelos de Flutuação Quântica. Em
tais modelos, se propõe a hipótese de que, antes de uma era inflacionária o Universo-como-um-todo é um vácuo primordial que existe, não em
um estado de expansão, mas eternamente em um estado estacionário. Ao
longo deste vácuo, flutuações de energia sub-atômicas ocorrem
constantemente, por meio do qual a matéria é criada e
mini-Universos nascem (Fig. 5).
FIG. 5: Modelo de Flutuação Quântica. Dentro do vácuo do Universo mais amplo, ocorrem flutuações que geram mini-Universos. Nosso Universo é nada mais que um destes, e seu início relativo não implica um começo para o Universo-como-um-todo.
O nosso Universo em
expansão é apenas um de um número indefinido de mini-Universos
concebidos dentro do útero do Universo-como-um-todo. Assim, o
início do nosso Universo não representa um começo absoluto, mas
apenas uma mudança no eterno e não-causado Universo-como-um-todo.
Os Modelos de Flutuação Quântica não sobreviveram à década de 1980. Não só havia problemas
teóricos com os mecanismos de produção de matéria, mas estes
modelos enfrentaram uma incoerência interna profunda. [31] De acordo com
esses modelos, é impossível especificar precisamente quando e onde uma flutuação ocorrerá no vácuo primordial que, então, levará a um Universo. Dentro de qualquer intervalo finito de tempo, há uma
probabilidade positiva de tal variação ocorrer em qualquer
ponto no espaço. Assim, dado um tempo passado infinito, Universos
acabariam por ser gerados em cada ponto do vácuo primordial, e, medida
que se expandem, eles começam a colidir e coalescer uns com os
outros. Assim, com o tempo passado infinito, devemos agora estar
observando um Universo infinitamente antigo, não um relativamente
jovem. A única maneira de evitar o problema seria a postular uma
expansão do próprio vácuo primordial; mas então estamos de
volta à mesma origem absoluta implicada pelo Modelo Padrão. De acordo com
Isham este problema provou ser "bastante letal" para os Modelos de Flutuação Quântica; Assim, estes modelos foram "aleijados vinte
anos atrás" e "quase nada" foi feito com eles desde
então. [32]
Modelo inflacionário caótico
A inflação também
forma o contexto para a próxima alternativa a surgir: o Modelo Inflacionário Caótico. Um dos mais férteis dos teóricos da inflação tem
sido o cosmólogo russo Andrei Linde. [33] No modelo de
Linde a inflação nunca termina: cada domínio em inflação do Universo, quando atinge um certo volume, dá origem a outro
domínio através da inflação, e assim por diante, ad infinitum (Fig. 6).
FIG. 6: Modelo Inflacionário Caótico. O Universo mais amplo produz através da inflação domínios separados, que continuam a recuar um do
outro. Uma vez que estas "bolhas" não interagem, elas não
podem colidir e se fundir, como os mini-Universos postulados pelos modelos de flutuação quântica.
O modelo de Linde
tem, assim, um futuro infinito. Mas Linde está preocupado com a
perspectiva de um início absoluto. Ele escreve: "O aspecto mais
difícil deste problema não é a existência da singularidade em si, mas a questão do que estava antes da singularidade (...) Este problema está em algum lugar na fronteira entre física e
metafísica." [34] Linde propõe, portanto, que a inflação
caótica não é apenas infinita, mas sem começo. Cada domínio no
Universo é o produto da inflação em outro domínio, de modo que a
singularidade é evitada e com ela também a questão de o que veio
antes (ou, mais precisamente, o que causou isso).
Em 1994, no entanto,
Arvind Borde e Alexander Vilenkin mostraram que um Universo eternamente em inflação para o futuro não pode ser geodesicamente completo no
passado, de modo que deve ter existido em algum momento no
passado indefinido uma singularidade inicial. Eles escrevem,
Um modelo no qual a fase inflacionária não tem fim (...) naturalmente leva a esta pergunta: Pode este modelo também ser estendido para o passado infinito, evitando desta forma o problema da singularidade inicial?
(...) isto não é, de fato, possível em espaços-tempos inflacionários eternos em relação ao futuro, à medida que eles obedecem a algumas condições físicas razoáveis: esses modelos devem necessariamente possuir singularidades iniciais.
(...) o fato de que espaços-tempos inflacionárias são incompletos no passado força a se abordar a questão do que, se alguma coisa, veio antes. [35]
Em resposta, a Linde
relutantemente concorda com a conclusão da Borde e Vilenkin: deve
ter havido uma singularidade (Big Bang) em algum momento no passado. [36]
Modelos de Gravidade Quântica
No final da sua
análise do Modelo Inflacionário Caótico de Linde, Borde e Vilenkin
dizem a respeito da questão metafísica da Linde: "o caminho
mais promissor para lidar com este problema é, provavelmente, tratar o Universo quantomecanicamente e descrevê-lo por uma
função de onda, em vez de por um espaço-tempo clássico". [37] Eles, assim, aludiram à última classe de modelos que tentam evitar a
singularidade cosmológica inicial que consideraremos, ou seja, modelos de Gravidade Quântica. Vilenkin e, mais notoriamente, James
Hartle e Stephen Hawking propuseram modelos do Universo que Vilenkin
abertamente chama exercícios de "cosmologia metafísica". [38] No seu best-seller de popularização da teoria, o próprio Hawking revela uma orientação explicitamente teológica. Ele admite que o Modelo Padrão pode-se legitimamente identificar a singularidade do
Big Bang como o instante em que Deus criou o Universo. [39] De fato,
ele acha que uma série de tentativas de evitar o Big Bang foram
provavelmente motivadas pelo sentimento de que um princípio de tempo
"cheira a intervenção divina". [40] Ele vê o seu próprio
modelo como preferível ao modelo padrão, porque não haveria borda
do espaço-tempo no qual "teria que apelar para Deus ou alguma
nova lei". [41]
Tanto o modelo Hartle-Hawking quanto o de Vilenkin eliminam a singularidade inicial transformando a hiper-superfície cônica do espaço-tempo clássico em uma hiper-superfície lisa e curva, sem nenhuma
aresta (Fig. 7).
FIG. 7: Modelo de Gravidade
Quântica. Na versão Hartle-Hawking, o espaço-tempo é
"arredondado" antes do tempo de Planck, de modo que, embora
o passado é finito, não há nenhuma aresta ou ponto inicial.
Isto é conseguido
através da introdução de números imaginários para a variável
tempo nas equações gravitacionais de Einstein, o que elimina
eficazmente a singularidade. Hawking vê profundas implicações
teológicas do modelo:
A idéia de que o espaço e o tempo podem formar uma superfície fechada, sem bordas (...) tem profundas implicações para o papel de Deus nos assuntos do Universo. (...) Enquanto o Universo teve um começo, poderíamos supor que teve um Criador. Mas se o Universo é de fato completamente auto-suficiente, não tendo nenhum limite ou borda, ele não teria começo nem fim. Que lugar há, então, para um Criador? [42]
Hawking não
nega a existência de Deus, mas ele pensa que seu modelo elimina a
necessidade de um Criador.
A chave para avaliar
essa afirmação teológica é a interpretação física dos Modelos de Gravidade
Quântica. Ao postular um tempo finito (imaginário) sobre uma
superfície fechada antes do tempo de Planck, em vez de um tempo
infinito em uma superfície aberta, esses modelos realmente parecem
apoiar, em vez de minar, a ideia de que o tempo teve um começo. Tais
teorias, se bem-sucedidas, nos permitem modelar a origem do Universo
sem uma singularidade inicial envolvendo densidade infinita,
temperatura, pressão e assim por diante. Como aponta Barrow, "este
tipo de Universo quântico nem sempre existiu, ele passa a existir assim como nas cosmologias clássicas, mas ele não
inicia em um Big Bang, onde as quantidades físicas são infinitas (...)". [43] Barrow salienta que tais modelos são "muitas vezes descritos como dando uma imagem de 'criação a partir do nada' ", a
única ressalva é que, neste caso,"não há um (...) ponto definitivo de criação". [44] Os próprios Hartle e Hawking interpretam seu
modelo de como dando "a amplitude do Universo aparecendo do
nada", e Hawking afirmou que de acordo com o modelo, o Universo
"seria literalmente ser criado a partir do nada: não apenas
fora do vácuo, mas fora de absolutamente nada, porque não há nada
fora do Universo". [45] À primeira vista, estas afirmações
implicam o início do Universo. A alegação de Hawking citada acima sobre as implicações teológicas do seu modelo deve portanto ser
entendida no sentido de que, em tais modelos não há pontos de começo nem fim e, portanto, não há necessidade de um Criador. Mas ter um
início não implica ter um ponto de partida. Mesmo no Modelo Padrão,
os teóricos às vezes "cortam" o ponto singular inicial
sem deixar de pensar que o espaço-tempo não começa a existir e
que o problema da origem do Universo é, assim, resolvido. O tempo
começa a existir se há qualquer intervalo de tempo
finito para o qual há apenas um número finito de intervalos temporais iguais
anteriores a este. Esta condição é obedecida pelos modelos de Gravidade
Quântica, assim como para o Modelo Padrão. Também não
devemos pensar que, dada a amplitude do Universo aparecendo 'do
nada', os cosmologistas quânticos eliminaram a necessidade de um
Criador, pois a probabilidade para tal é condicionada a várias opções
que só o Criador poderia fazer (tais como selecionar a função de
onda do Universo ) e está dubiamente aplicada ao nada absoluto. [46]
Pode ser
dito que tal interpretação dos modelos de Gravidade Quântica não leva
a sério a noção de "tempo imaginário". Introduzindo valores não-reais para a variável tempo na equação de Einstein
tem o efeito peculiar de fazer a dimensão de tempo indistinguível
do espaço. Mas, nesse caso, o regime de tempo imaginário antes do
tempo de Planck não é de forma alguma um espaço-tempo, mas sim um espaço
euclidiano de quatro dimensões. Interpretado de forma realista, tal espaço tetradimensional seria evacuado de todo significado temporal e
simplesmente existiria eternamente. Assim, Hawking descreve-o como
"completamente auto-suficiente e não é afetado por qualquer
coisa fora de si mesmo. Não seria criado nem destruído. Apenas SERIA". [47]
A questão que surge para esta forma de ver o modelo é saber se tal
interpretação é para ser tomada de forma realista ou
instrumental. Neste quadro, não pode haver dúvida de que o uso
de quantidades imaginárias para o tempo é um mero artifício matemático sem significado ontológico. Barrow observa que "os
físicos muitas vezes realizado este procedimento 'mudança de tempo para o
espaço' como um truque útil para resolver alguns
problemas simples na mecânica quântica, apesar de não pensar no
tempo realmente como o espaço nesses casos. No final do cálculo, eles apenas 'trocam' [sic] de volta para a interpretação usual de haver uma
dimensão de tempo e três (...) dimensões (...) de espaço". [48] Em seu
modelo, Hawking simplesmente se recusa a reconverter em números
reais. Se o fizermos, a singularidade reaparece. Hawking
admite: "apenas se pudermos imaginar o Universo em termos de tempo
imaginário, não haveria singularidades (...) Quando se volta
para o tempo real em que vivemos, porém, ainda parece
haver singularidades". [49] O modelo de Hawking é assim uma maneira
de descrever um Universo com um ponto singular no início, mas de tal
forma que essa singularidade é transformada; mas tal descrição não é realista em caráter.
Hawking declarou
recentemente explicitamente que ele interpreta o modelo
Hartle-Hawking não-realisticamente. Ele confessa: "Eu sou um
positivista (...) Eu não vou requerer que uma teoria corresponda à
realidade, porque eu sei que não é." [50] Ainda mais extremo,
"eu tomo o ponto de vista positivista de que uma teoria física é
apenas um modelo matemático e que não faz sentido perguntar se ela
corresponde à realidade." [51] Ao avaliar o valor de uma teoria,
"tudo o que eu estou preocupado é se a teoria prevê
os resultados das medições". [52] O exemplo mais claro do
instrumentalismo de Hawking é sua análise de criação
de pares de partículas em termos de um tunelamento quântico de elétrons no espaço
euclidiano (com o tempo sendo imaginário) e um par elétron /
pósitron acelerando para longe um do outro no espaço-tempo de Minkowski. [53] Esta análise é diretamente análoga ao modelo cosmológico
Hartle-Hawking; e ainda assim ninguém iria interpretar a criação do par de partículas como, literalmente, o resultado da transição de um
elétron de um espaço tetradimensional e atemporal em nosso espaço-tempo clássico. É apenas uma descrição alternativa empregando
números imaginários em vez de números reais.
Significativamente,
o uso de quantidades imaginárias para o tempo é uma característica
inerente a todos os modelos de gravidade quântica. [54] Isto exclui
que os relatos da origem
do Universo espaço-temporal em um espaço tetradimensional eternamente existente possam ser interpretados de forma realista.
Ao contrário, eles são apenas formas de modelar o verdadeiro início do
Universo ex nihilo de tal forma que não envolvam uma singularidade.
O que trouxe de fato o Universo à existência permanece inexplicado em tais modelos.
Resumo
A cada falha
sucessiva das teorias cosmogônicos alternativas, o Modelo Padrão foi
corroborado. Pode ser dito com convicção que nenhum modelo
cosmogônico foi tão repetidamente verificado em suas previsõe, tão corroborado por tentativas de sua falsificação, tão concordante com as descobertas empíricas e tão filosoficamente
coerente, como o Modelo Padrão do Big Bang. Isto não prova que ele
está correto, mas mostra que é a melhor explicação para a
evidência que temos e, portanto, merece a nossa aceitação
provisória.
Além do Big Bang
A descoberta de que
o Universo não é eterno no passado, mas teve um começo, tem
profundas implicações metafísicas. Isto implica que o
Universo não é necessário em sua existência, mas sim tem a sua
fundamentação em um ser transcendente e metafisicamente necessário. A única
maneira de evitar esta conclusão seria negar a convicção de
Leibniz que tudo o que existe deve ter uma razão para a sua
existência, seja na necessidade de sua própria natureza ou então
em um fundamento externo. Refletindo sobre a situação atual, P.C.W. Davies divaga:
"o que causou o Big Bang? (...) Pode-se considerar alguma força sobrenatural, alguma agência além do espaço e do tempo como sendo responsável pelo Big Bang, ou pode-se preferir a considerar o Big Bang como um evento sem uma causa. Parece-me que não temos muita escolha. Ou (...) algo fora do mundo físico (...) ou (...) um evento sem uma causa. [55]
O problema com dizer que o Big Bang é um evento sem uma causa é que isso implica
que o Universo surgiu sem causa, do nada, o que parece metafisicamente
absurdo. O Filósofo da ciência Bernulf Kanitscheider protesta: "se levada a sério, a singularidade inicial está em colisão
frontal com o compromisso ontológico mais bem sucedido que era uma
linha orientadora da pesquisa desde Epicuro e Lucrécio", ou
seja, a partir do nada nada vem, que Kanitscheider chama de "uma
hipótese metafísica, que tem se mostrado tão frutífera em todos
os cantos da ciência que estamos certamente bem aconselhados a
tentar evitar, tão duramente quanto pudermos, processos de origem
absoluta". [56] Mas, se o Universo começou a existir, somos,
portanto, conduzidos para a segunda alternativa: uma agência
sobrenatural além do espaço e do tempo.
A Alternativa supranaturalista
Se formos pelo caminho de
postular alguma agência causal além do espaço e do tempo como
sendo o responsável pela origem do Universo, então a análise
conceitual nos permite recuperar um número de propriedades marcantes
que devem ser possuídas por tal ser ultra-mundano. Pois como causa do espaço e do tempo, esta entidade deve transcender
espaço e tempo e, portanto, existir atemporalmente e não-espacialmente, ou pelo menos, fora do Universo. Esta causa transcendente
deve, portanto, ser imutável e imaterial, já que atemporalidade
implica imutabilidade e imutabilidade implica imaterialidade. Tal
causa deve ser sem começo e sem causa, pelo menos no sentido de
falta de quaisquer condições causais antecedentes. A Navalha de
Ockham neste caso 'raspa' causas anteriores, pois não se deve
multiplicar causas além da necessidade. Esta entidade deve ser
inimaginavelmente poderosa, uma vez que criou o Universo, sem
qualquer causa material.
Finalmente, e mais
notavelmente, tal causa transcendente pode plausivelmente ser tomada como pessoal. Como aponta o filósofo Oxford Richard
Swinburne, existem dois tipos de explicação causal: explicações
científicas em termos de leis e condições iniciais e explicações
pessoais em termos de agentes e suas vontades. [57] Um primeiro estado
do Universo não pode ter uma explicação científica, já que não
há nada antes dele, e, portanto, pode ser explicado apenas em termos
de uma explicação pessoal. Além disso, a pessoalidade da causa do
Universo está implícita pela sua atemporalidade e imaterialidade,
uma vez que as únicas entidades que conhecemos as quais podem possuir tais propriedades são ou mentes ou objetos abstratos, e
objetos abstratos não se interpõem em relações causais. Por
conseguinte, a causa transcendente da origem do Universo deve ser da
ordem da mente. Esta mesma conclusão também está implícita no
fato de que temos, neste caso, a origem de um efeito temporal de uma
causa atemporal. Se a causa da origem do Universo era um conjunto
impessoal de condições necessárias e suficientes, seria impossível
para a causa existir sem o seu efeito. Porque, se as condições
necessárias e suficientes sobre o efeito são eternamente dadas,
então o seu efeito deve ser eterno também. A única maneira de a
causa ser atemporal e imutável, mas ao mesmo tempo o seu efeito se originar
de novo [do começo] em um tempo finito no passado é a causa ser um agente
pessoal que livremente escolhe gerar um efeito sem condições determinantes anteriores. Assim, somos levados não apenas a uma
causa transcendente do Universo, mas ao seu criador pessoal.
Objeções naturalistas
Muitas pessoas vão,
naturalmente, relutar em adotar tal bagagem
metafísica. Mas que objeção há ao postulado de uma
agência causal pessoal que transcende o Universo? Algumas críticas
podem ser facilmente descartadas. Por exemplo, o metafísico John Post obviamente levanta a questão quando afirma que não pode haver uma
causa da origem do Universo, já que "por definição, o
Universo contém tudo o que há ou já foi ou será." [58] Mais
uma vez, é um non-sequitur óbvio quando ele infere que, porque "a
singularidade não pode ser causada por algum evento ou processo natural anterior", portanto "a cosmologia física
contemporânea não pode ser citada em apoio à ideia de uma causa
divina ou criador do Universo". [59]
Por outro lado,
Smith percebe que o metafísico deve levar a sério a "questão
mais difícil" de "se a singularidade ou o Big Bang é ou não efeito de uma causa sobrenatural". [60] Que problema, então, há com uma perspectiva sobrenaturalista? Adolf
Grünbaum argumentou vigorosamente contra o que ele intitula "the New Creation Argument" (o novo argumento da criação), para uma causa sobrenatural da origem
do Universo. [61] Seu Ansatz básico se fundamenta na suposição de que prioridade causal implica em prioridade temporal. Como não houve
instantes de tempo antes do Big Bang, segue-se que o Big Bang não
poderia ter uma causa. [62]
Parece-me que há
uma série de opções para lidar com essa objeção, uma das quais é defender que o Criador do Universo é causalmente, mas não
temporalmente, anterior à singularidade do Big Bang, de tal forma que
seu ato de causar o início do Universo é simultâneo, ou
co-incidente, com o próprio início da existência do Universo. Grünbaum não fornece
nenhuma justificação para a sua suposição de que prioridade causal implica prioridade temporal. Discussões de direcionalidade causal lidam rotineiramente com casos em que causa e efeito
são simultâneos. Pode-se afirmar que o Criador fora do Universo
existe de forma imutável e, portanto, eternamente; e na singularidade do Big
Bang criou o Universo, juntamente com tempo e espaço. Para o Criador fora do Universo, simplesmente não há tempo, porque não há
eventos de qualquer tipo; o tempo começa com o primeiro evento, no
momento da criação.
O tempo do primeiro
evento seria não apenas o primeiro tempo em que o Universo existe,
mas também, tecnicamente, o primeiro tempo no qual o próprio Criador existe,
uma vez que fora do Universo o Criador é atemporal. [63] O ato de
criação é, assim, em simultâneo com a origem do Universo.
O cenário que
esbocei do status do Criador fora do Universo requer que o
Criador seja tanto um agente atemporal quanto pessoal. Mas alguns filósofos
têm argumentado que tal noção é auto-contraditória. [64] Pois é uma
condição necessária da personalidade de um indivíduo ser capaz de
se lembrar, antecipar, refletir, deliberar, decidir, e assim por
diante. Mas estas são atividades inerentemente temporais. Portanto,
não poderia haver pessoas atemporais.
A fraqueza neste
raciocínio é que ele confunde propriedades comuns das pessoas com
propriedades essenciais das pessoas. Os tipos de atividades
delineados acima são certamente propriedades comuns das pessoas
temporais. Mas isso não implica que tais propriedades são
essenciais para a pessoalidade. Indiscutivelmente, o que é
necessário e suficiente para a personalidade é auto-consciência e
livre vontade, e estas não são noções inerentemente temporais. Em
seu estudo de atemporalidade divina, John Yates escreve:
O teísta clássico pode conceder imediatamente que conceitos como reflexão, memória e antecipação não se podem aplicar a um ser atemporal (nem a qualquer ser onisciente), mas isso não é admitir que os principais conceitos de consciência e conhecimento são inaplicáveis a tal deidade. (...) não parece haver qualquer elemento essencialmente temporal em palavras como (...) 'entender', 'estar ciente,' 'saber', e assim por diante. (...) uma divindade atemporal poderia possuir compreensão máxima, consciência e conhecimento em uma visão única e abrangente de si mesmo e da soma da realidade. [65]
Da mesma forma, o
Criador poderia possuir uma intenção livre e imutável da vontade de
criar um Universo com um início temporal. Assim, parece que nem a
auto-consciência, nem a livre vontade implicam temporalidade. Mas uma
vez que estes são plausivelmente suficientes para a pessoalidade,
não há incoerência na noção de um Criador eterno e pessoal do
Universo.
Todas as objeções
acima foram oferecidos como tentativa de justificação da posição
aparentemente incrível que o Universo surgiu a existir sem causa do
nada. Mas eu, por exemplo, acho as premissas de tais objeções
muito mais obscuras do que a proposição de que tudo o que
começa a existir tem uma causa. É muito mais plausível negar
uma dessas premissas que afirmar o que Hume chamou de
"a proposição absurda" deque algo pode surgir sem uma causa, [66] que o Universo, neste caso, deve aparecer à existência sem causa
do nada.
Conclusão
Podemos resumir
nosso argumento da seguinte forma:
1. Tudo o que existe
tem uma razão para a sua existência, seja na necessidade de sua
própria natureza ou em um fundamento externo.
2. Tudo que começa
a existir não é necessário em sua existência.
3. Se o Universo tem
uma razão externa para sua existência, então existe um Criador
pessoal do Universo, que, transcende o Universo, é atemporal, não-espacial,
sem princípio, imutável, necessário, sem causa, e extremamente
poderoso.
4. O Universo
começou a existir.
De (2) e (4)
segue-se que
5. Portanto, o
Universo não é necessário em sua existência.
A partir de (1) e
(5) segue-se, ainda, que
6. Portanto, o
Universo tem uma razão externa de sua existência.
A partir de (3) e
(6), podemos concluir que
7. Portanto, existe
um Criador pessoal do Universo, que, transcende o Universo, é atemporal,
não-espacial, sem princípio, imutável, necessário, sem causa, e
extremamente poderoso.
E isto, como Tomás
de Aquino laconicamente comentou, [67] é o que todo mundo entende por
Deus.
Notas
1 Metaphysics A. 2. 982b 10-15.
2 Derek Parfit, "Why Anything? Why This?" London Review of Books 20/2 (January 22, 1998), p.24.
3 Gottfried Wilhelm Leibniz, "The Principles of Nature and of Grace, Founded on Reason," in The Monadology and Other Philosophical Writings, trans. Robert Latta (London: Oxford University Press, 1951), p. 415; idem, "The Monadology," in Monadology and Other Philosophical Writings, pp. 237-39.
4 David Hume, Dialogues concerning Natural Religion, ed. with an Introduction by Norman Kemp Smith, Library of Liberal Arts (Indianapolis: Bobbs-Merrill, 1947), pt. IX, p. 190.
5 Bertrand Russell and F. C. Copleston, "The Existence of God," in The Existence of God, ed. with an Introduction by John Hick, Problems of Philosophy Series (New York: Macmillan, 1964), p. 175.
6 A. Einstein, "Cosmological Considerations on the General Theory of Relativity," in The Principle of relativity, by A. Einstein, et. al., with Notes by A. Sommerfeld, trans. W. Perrett and J. B. Jefferey (rep. ed.: New York: Dover Publications, 1952), pp. 177-88.
7 A. Friedman, "Über die Krümmung des Raumes," Zeitschrift für Physik 10 (1922): 377-86; G. Lemaitre, "Un univers homogène de masse constante et de rayon croissant, rendant compte de la vitesse radiale des nébuleuses extragalactiques," Annales de la Société scientifique de Bruxelles 47 (1927): 49-59.
8 Gregory L. Naber, Spacetime and Singularities: an Introduction (Cambridge: Cambridge University Press, 1988), pp. 126-27.
9 E. Hubble, "A Relation between Distance and Radial Velocity among Extra-galactic Nebulae," Proceedings of the National Academy of Sciences 15 (1929): 168-73.
10 John A. Wheeler, "Beyond the Hole," in Some Strangeness in the Proportion, ed. Harry Woolf (Reading, Mass.: Addison-Wesley, 1980), p. 354.
11 P. C. W. Davies, "Spacetime Singularities in Cosmology," in The Study of Time III, ed. J. T. Fraser (Berlin: Springer Verlag ).
12 Como Gott, Gunn, Schramm, and Tinsley escreveram,
13 John Barrow e Frank Tipler, The Antropological Cosmologic Principle (Oxford: Clarendon Press, 1986), p. 442.
2 Derek Parfit, "Why Anything? Why This?" London Review of Books 20/2 (January 22, 1998), p.24.
3 Gottfried Wilhelm Leibniz, "The Principles of Nature and of Grace, Founded on Reason," in The Monadology and Other Philosophical Writings, trans. Robert Latta (London: Oxford University Press, 1951), p. 415; idem, "The Monadology," in Monadology and Other Philosophical Writings, pp. 237-39.
4 David Hume, Dialogues concerning Natural Religion, ed. with an Introduction by Norman Kemp Smith, Library of Liberal Arts (Indianapolis: Bobbs-Merrill, 1947), pt. IX, p. 190.
5 Bertrand Russell and F. C. Copleston, "The Existence of God," in The Existence of God, ed. with an Introduction by John Hick, Problems of Philosophy Series (New York: Macmillan, 1964), p. 175.
6 A. Einstein, "Cosmological Considerations on the General Theory of Relativity," in The Principle of relativity, by A. Einstein, et. al., with Notes by A. Sommerfeld, trans. W. Perrett and J. B. Jefferey (rep. ed.: New York: Dover Publications, 1952), pp. 177-88.
7 A. Friedman, "Über die Krümmung des Raumes," Zeitschrift für Physik 10 (1922): 377-86; G. Lemaitre, "Un univers homogène de masse constante et de rayon croissant, rendant compte de la vitesse radiale des nébuleuses extragalactiques," Annales de la Société scientifique de Bruxelles 47 (1927): 49-59.
8 Gregory L. Naber, Spacetime and Singularities: an Introduction (Cambridge: Cambridge University Press, 1988), pp. 126-27.
9 E. Hubble, "A Relation between Distance and Radial Velocity among Extra-galactic Nebulae," Proceedings of the National Academy of Sciences 15 (1929): 168-73.
10 John A. Wheeler, "Beyond the Hole," in Some Strangeness in the Proportion, ed. Harry Woolf (Reading, Mass.: Addison-Wesley, 1980), p. 354.
11 P. C. W. Davies, "Spacetime Singularities in Cosmology," in The Study of Time III, ed. J. T. Fraser (Berlin: Springer Verlag ).
12 Como Gott, Gunn, Schramm, and Tinsley escreveram,
"o Universo começou a partir de um estado de densidade infinita cerca de uma hora Hubble atrás. Espaço e tempo foram criados neste evento e também foi toda a matéria no Universo. Não faz sentido perguntar o que aconteceu antes do Big Bang; é quase como perguntar 'qual é o norte do Pólo Norte'. Da mesma forma, não é sensato perguntar onde o Big Bang ocorreu. O Universo pontual não era um objeto isolado no espaço; era o Universo inteiro, e assim a única resposta pode ser que o Big Bang aconteceu em todos os lugares". (J. Richard Gott III, James E. Gunn, David N. Schramm, e Beatrice M. Tinsley, "Will the Universe Expand Forever?" Scientific American [March 1976], p. 65).
13 John Barrow e Frank Tipler, The Antropological Cosmologic Principle (Oxford: Clarendon Press, 1986), p. 442.
14 Para esta
análise, ver John Hick, "God as a Necessary Being",
Journal of Philosophy 57 (1960): 733-34.
15 Arthur Eddington, The Expanding Universe (New York: Macmillan, 1933), p. 124.
16 Ibid., P. 178.
17 Hubert Reeves,
Jean Audouze, William A. Fowler, e David N. Schramm, "On the
Origin of Light Elements " Astrophysical Journal 179 (1973).
18 Fred Hoyle,
Astronomy Today (Londres: Heinemann, 1975), p. 165.
19 Fred Hoyle,
Astronomy and Cosmology: A Modern Course (San Francisco: WH Freeman,
1975), p. 658.
20 H. Bondi e T. Gold, "The Steady State Theory of the Expanding Universe", Monthly Notices of the Royal Astronomical Society 108 (1948): 252-70; F. Hoyle, "A New Model for the Expanding Universe", Monthly Notices of the Royal Astronomical Society 108 (1948): 372-82.
21 Como salienta
Jaki, Hoyle e seus colegas foram inspirados por "motivações
abertamente anti-teológicas, ou melhor, anti-cristãs" (Stanley
L. Jaki, Science and Creation [Edimburgo: Scottish Academic Press,
1974), p. 347. Martin Rees lembra o compromisso obstinado de seu
mentor Dennis Sciama ao Modelo de Estado Estacionário: "Para ele, como
para os seus inventores, tinha um apelo filosófico profundo - o
Universo existiu, de eternidade a eternidade, em um estado
exclusivamente auto-consistente. Quando evidências conflitantes
surgiram, Sciama, portanto, procurava uma brecha (mesmo uma aparentemente improvável) assim como um advogado de defesa se apega firmemente em qualquer
argumento para refutar uma acusação" (Martin Rees, Before the Beginning, com um prefácio de Stephen Hawking [Reading, Mass .:
Addison-Wesley, 1997], p. 41). A frase "de eternidade a
eternidade" é a descrição de Deus do salmista (Sl. 90.2).
Rees dá um bom relato das descobertas que levam ao abandono do Modelo de Estado Estacionário.
22 Ivan R. King, The
Universe Unfolding (San Francisco: WH Freeman, 1976), p. 462.
23 Veja, por exemplo,
EM Lifschitz e I. M Khalatnikov, "Investigations in Relativist Cosmology", Advances in Physics 12 (1963): 207.
24 Como é evidente
a partir dos sentimentos expressos por John Gribbin:
"O maior problema com a teoria do Big Bang da origem do Universo é filosófico - talvez até mesmo teológico - o que havia antes da explosão? Este problema sozinho foi suficiente para dar um grande impulso inicial à teoria do estado estacionário; mas com essa teoria agora infelizmente em conflito com as observações, a melhor maneira de contronar esta dificuldade inicial é fornecida por um modelo em que o Universo se expande a partir de uma singularidade, colapsa de volta outra vez, e repete o ciclo indefinidamente" (John Gribbin, "Oscliating Universe Bounces Back" Nature 259 [1976]: 15).
Os cientistas não
raro expressam erroneamente a dificuldade representada pelo início do Universo como o que existia antes do Big Bang (a qual sugere a resposta fácil de que não havia "antes"). A verdadeira questão diz respeito
às condições causais deste evento, ou por que o Universo existe em
vez de nada.
25 R. Penrose,
"Gravitational Collapse and Space-Time Singularities", Physical Review Letters 14 (1965): 57-59; SW Hawking e R. Penrose, em The Large-Scale Structure of Space-Time, ed. S.W. Hawking e G.F.R. Ellis (Cambridge: Cambridge University Press, 1973), p. 266.
26 Stephen Hawking e
Roger Penrose, The Nature of Space and Time, The Isaac Newton
Institute Series of Lectures (Princeton, NJ: Princeton University
Press, 1996), p. 20.
27 Associated Press
News Release, 9 de Janeiro de 1998.
28 I.D. Novikov e Ya.
B. Zeldovich, "ysical Processes near Cosmological Singularities" Annual Review of Astronomy and Astrophysics 11
(1973): pp. 401-02; Joseph Silk, The Big Bang, 2d ed. (San Francisco:
W.H. Freeman, 1989), pp. 311-12 ..
29 Olhando para trás, o cosmólogo quântico Christopher Isham divaga:
"Talvez o melhor argumento a favor da tese de que o Big Bang suporta o teísmo é o desconforto óbvio com que é recebido por alguns físicos ateus. Às vezes isso levou a ideias científicas, como a criação contínua ou um Universo oscilante, avançando com uma tenacidade que excede tanto o seu valor intrínseco, que só se pode suspeitar da operação de forças psicológicas muito mais profundas em vez do desejo acadêmico usual de um teórico em apoiar sua teoria" (Christopher Isham," Creation of the Universe as a Quantum Process ", in Physics, Philosophy and Theology: a Common quest for Understanding, ed R.J. Russell, W.R. Stoeger, e G.V. Coyne. [Cidade do Vaticano: Observatório do Vaticano de 1988], p 378).
Isto lembra, por
exemplo, o falecido Carl Sagan na sua série de televisão Cosmos
propondo o modelo oscilante e lendo as Escrituras hinduístas acerca dos anos cíclicos dos Brahman, a fim de ilustrar o modelo, mas com meramente uma dica para seus telespectadores sobre as dificuldades que
permeiam este modelo.
30 Edward Tryon, "Is The Universe a Vaccum Fluctuation?" Nature 246 (1973): 396-97.
31 Ver Isham,
"Creation of The Universe", pp. 385-87.
32 Christopher
Isham, "Space, Time and Quantum Cosmology", trabalho
apresentado na conferência "God, Time, and Modern Physics",
Março de 1990; Christopher Isham, "Quantum Cosmology and the Origin of the Universe", palestra apresentada na conferência
"Cosmos and Creation", Universidade de Cambridge, em 14 de
Julho de 1994.
33 Ver, por exemplo,
A.D. Linde, "The Inflationary Universe", Report on Progress in Physics 47 (1984): 925-86; Idem, "Chaotic Inflation," Physics Letters 1298 (1983): 177-81. Para uma
recente revisão crítica de cenários inflacionários, inclusive
Linde, ver John Earman e Jesus Mosterin, "A Critical Look at Inflationary Cosmology", Philosophy of Science 66 (1999):
1-49.
34 Linde,
"Inflationary Universe", p. 976.
35 A. Borde e
Vilenkin A., "Eternal Inflation and the Initial Singularity", Physical Review Letters 72 (1994): 3305, 3307.
36 Andrei Linde,
Dmitri Linde, e Arthur Mezhlumian, "From the Big Bang Theory to the Theory of a Stationary Universe", Physical Review D 49
(1994): 1783-1826.
37 Borde e Vilenkin,
"Eternal Inflation", p. 3307.
38 A. Vilenkin,
"Birth of Inflationary Universes," Physical Review D 27
(1983): 2854. Ver J. Hartle e S. Hawking, "Wave Function of the
Universe", Physical Review D 28 (1983): 2960-75; A. Vilenkin, "Creation of the Universe from Nothing", Physical Letters 117B
(1982): 25-28.
39 Stephen Hawking,
A Brief History of Time (New York: Bantam Books, 1988), p. 9.
40 Ibid., P. 46.
41 Ibid., P. 136.
42 Ibid., Pp.
140-141.
43 John D. Barrow,
Teories of Everything (Oxford: Clarendon Press, 1991), p. 68.
44 Ibid., Pp. 67-68.
45 Hartle e Hawking,
"Wave Function of the Universe", p. 2961; Hawking e
Penrose, Nature of Space and Time, p. 85.
46 Veja meu artigo "Hartle-Hawking Cosmology and Atheism", Analysis 57 (1997):
291-95. No que diz respeito à determinação da função de onda do
Universo DeWitt diz: "Aqui o físico deve brincar de Deus"
(B. DeWitt, "Quantum Gravity" Scientific American 249
[1983]: 120).
47 Hawking, A Brief History of Time, p. 136.
48 Barrow, Teories of Everything, pp. 66-67.
49 Hawking, A Brief History of Time, pp. 138-39.
50 Hawking e
Penrose, Nature of Space and Time, p. 121.
51 Ibid., Pp. 3-4.
Cf. seu comentário: "Eu (...) sou um positivista que acredita que
as teorias físicas são apenas modelos matemáticos que construímos,
e que não faz sentido perguntar se eles correspondem à realidade,
apenas se preveem observações" (Stephen Hawking, "The Objections of an Unashamed Positivist," in The Large, the Small, and the Human, por Roger Penrose [Cambridge: Cambridge
University Press, 1997], p 169)..
52 Hawking e
Penrose, Nature of Space and Time, p. 121; cf. pp. 4, 53-55.
53 Ibid., Pp. 53-55.
54 Como apontado por
Christopher Isham, "Quantum Theories of the Creation of the Universe," in Quantum Cosmology and the Laws of Nature, ed. RJ
Russell, N. Murphey, e CJ Isham (Cidade do Vaticano: Observatório do
Vaticano, 1993), p. 56.
55 Paul Davies, "The Birth of Cosmos", em God, Cosmos, Nature and Creativity,
ed. Jill Gready (Edinburgh: Scottish Academic Press, 1995), pp 8-9..
56 Bernulf
Kanitscheider: "Does Physical Cosmology Transcend the Limits of Naturalistic Reasoning?" in Studies on Mario Bunge's "Treatise",
ed Mario Bunge de. P. Weingartner e GJW Doen (Amsterdam: Rodopi, 1990), p. 344.
57 Richard
Swinburne, The Existence of God, rev. Ed. (Oxford: Clarendon Press,
1991), pp 32-48..
58 John Post,
Metaphysics: a Contemporary Introduction (New York: Paragon House,
1991), p. 85.
59 Ibid., P. 87.
60 Quentin Smith, "The Uncaused Beginning of the Universe," in Theism, Atheism, and Big Bang Cosmology, de William Lane Craig e Quentin Smith
(Oxford: Clarendon Press, 1993), p. 120.
61 Adolf Grünbaum, "The Pseudo-Problem of Creation in Physical Cosmology", Philosophy of Science 56 (1989): 373-94. Para uma resposta, consulte
William Lane Craig, "The Origin and Creation of the Universe: a reply to Adolf Grünbaum," British Journal for the Philosophy of Science 43 (1992): 233-40.
62 Adolf Grünbaum, "Creation as a Pseudo-Explanation in Current Physical Cosmology", Erkenntnis 35 (1991): 233-54. Para uma resposta,
consulte William Lane Craig, "Prof. Grünbaum on Creation",
Erkenntnis 40 (1994): 325-41.
63 Brian Leftow
coloca isso muito bem quando escreve:
"Se Deus existisse no tempo, uma vez que o tempo existe e o tempo teve um primeiro momento, então Deus teria um primeiro momento da sua existência: haveria um momento antes do qual Ele não existiria, porque não havia "antes" daquele momento (...) No entanto, mesmo se ele (...) tivesse um primeiro momento da sua existência, ainda pode-se chamar a existência de Deus ilimitada, sendo entendido que ele teria existido, mesmo se o tempo não existe. Porquanto isso é verdade, não podemos inferir do fato de Deus ter um primeiro momento de existência que Deus veio à existência ou não teria existido, salvo se o tempo existe"(Brian Leftow, Time and Eternity, Cornell Studies in Philosophy of Religion [Ithaca, NY: Cornell University Press, 1991]., p 269 ;. cf. p 201).
Senor apelidou esse
modelo de eternidade divina "temporalism acidental" (Thomas
D. Senor, "Temporalidade Divina e Criação ex nihilo," Fé
e Filosofia 10 [1993]: 88). Veja mais William Lane Craig,
"intemporalidade e Criação" Australasian Journal of
Philosophy 74 (1996): 646-56.
64 Ver discussão e
referências em William Lane Craig, "Divine Timelessness and Personhood", International Journal for Philosophy of Religion 43
(1998): 109-24.
65 John C. Yates, The Timelessness of God (Lanham, Md .: University Press of America,
1990), p. 173.
66 David Hume a John
Stewart, de fevereiro de 1754, in The Letters of David Hume, 2 vols., ed.
J.Y.T. Greig (Oxford: Clarendon Press, 1932), 1: 187.
67 Tomás de Aquino
Summa Theologiae 1a.2.3.
Fonte: http://www.reasonablefaith.org/the-ultimate-question-of-origins-god-and-the-beginning-of-the-universe
Tradução: David Sousa
Tradução: David Sousa
Meu irmão, esbarrei no seu blog há uns 20 minutos quase que sem querer, mas vc ja esta presente nas minhas orações. Que guerra que vc vive! Li os comentários de alguns posts e é visível como o Espirito Santo de Deus te reveste de sabedoria, paciencia e amor pra lidar com pessoas tao cegas (infelizmente, oro pra que um dia elas VEJAM, como eu e vc vemos).
ResponderExcluirVejo as Escrituras se cumprindo ao ver quanta gente esta sendo enlaçada nessa "crença" fria e escura que é o ateísmo. Como fico triste por essas pessoas!!
Que o nosso Pai, Eterno como nada nem nenhum, te fortalece nesse teu chamado que Ele te deu! Quando pensar em desistir, conte com orações de integrante do Corpo Vivo que vc tbm faz parte, e lembre-se sempre que maior é o que está contigo do que o que está reinando nesse mundo de hoje. Que Deus te fortaleça a cada manhã, e te lembre sempre da recompensa que te está reservada la no Céu, graças a Graça redentora do nosso mestre Jesus, O VIVO!!
Graça e paz, meu irmao!! De novo, conte com minha intercessao!
Muitíssimo obrigado! Suas orações são muito importantes pra mim.
ExcluirSe possível, divulgue o meu trabalho também para quem possa se interessar.
Abraços, Paz de Cristo.
Parabéns pelo artigo, David! Excelente! Que Deus continue a te abençoar. Abraços!
ResponderExcluirObrigado!
ExcluirQuanto malabarismo. Se o tempo não existia antes do big bang, então não se pode falar de algo que dê uma causa ao big bang, pois a causalidade exige uma dimensão temporal (a bola se mexe depois que eu chuto ela, e não antes). O universo é sim necessário em sua existência, pelo simples fato de ele ser a única coisa que existe (a existência "não existia" "antes" do universo). O porquê de ele existir é uma pergunta sem resposta, mas certamente não se responde uma pergunta dessas inserindo outra entidade que tem sua existência sem causa ou com causa desconhecida, mesmo porque as características de uma singularidade como o big bang são parecidas com as características de um suposto deus (atemporalidade, imutabilidade, etc).
ResponderExcluirEnfim, tente de novo. Um dia vc consegue (ou não).
Mesmo que a causalidade requeira a temporalidade, isto não contradiz uma causa para o Universo. O instante do Big Bang é o primeiro instante do tempo, e é o instante quando o Universo foi causado.
ExcluirDizer que "o Universo é a única coisa que existe" requer uma prova. Você está afirmando o materialismo.
Existem muitos problemas filosóficos com a suposição de que o Universo é necessário, inclusive o que você citou sobre o porquê ele existiria.
E uma singularidade é totalmente diferente de um Deus pessoal e eterno, principalmente porque Deus é pessoal e ele escolheu criar o Universo. Mesmo que a singularidade seja "atemporal", ela não é pessoal, então ela não pode causar nada fora do tempo. O número 8, por exemplo, também é atemporal, mas não pode causar nada.
Enfim, tente de novo. Um dia vc consegue (ou não).
tem um argumento que me deixou na duvida que vi em um video foi:
ResponderExcluir1° O Big Bang não tem nenhuma relação com alguma explosão.
2° O corpo do ser humano, não é perfeito, os órgãos vestigiais e anomalias genéticas, derrubam qualquer suposta perfeição.
3° As teorias propostas pela ciência não são embasadas em provas, e sim com evidências. Teorias não devem ser provadas, elas devem ser falseadas.
A expansão do universo é um fato, e a teoria do Big Bang, explica esse fato.
A evolução dos seres é um fato, e a teoria sintética da evolução, explica esse fato.
4° Quer dizer que (segundo você) é impossível o universo surgir do acaso, mas esse criador pôde surgir do acaso? Se você responder que sim, estará caindo na falácia da alegação especial, rs.
5° Vídeos sobre detonações de prédios são controladas, por humanos que tiveram seus genitores. Não são humanos que surgiram do acaso, portanto a analogia de humanos que controlam detonações em prédios, com o suposto controlador do Big Bang, é inválida se você alegar que esse controlador/criador surgiu do acaso. O mesmo serve para a caneta e para o palito de dente.
6° E por fim, não é preciso ter fé para acreditar no Big Bang, visto que o mesmo possui evidências. Pesquise sobre radiação cósmica de fundo em micro-ondas, e desvio para o vermelho (redshift).