quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O Mito da Terra Plana

Olá. leitores. Iniciando o meu retorno à atividade, trago um texto que é bastante oportuno ao momento que estamos vivendo agora. Muitos testemunharam o surgimento de uma página no Facebook defendendo que a Terra é plana, supostamente utilizando argumentos e ainda contanto com milhares de seguidores (da última vez que vi, cerca de 25 mil; no momento parece que a página está fora do ar).

[ATUALIZAÇÃO (02/03/2016): A página está de volta e agora já conta com 30 mil seguidores - facebook.com/aterraeplana/ ]

É fato que defensores da Terra plana não são novidade no meio conspiracionista. Existem desde meados do século XIX, e no século XX surgiram algumas "sociedades da terra plana" ao redor do mundo. É difícil dizer se todas realmente acreditam no que defendem, mas é fato que algumas delas utilizam a defesa do absurdo como uma forma de ironia em relação a algumas outras defesas que eles também julgam absurdas (por exemplo, o criacionismo)...

Enfim, é bom lembrar que ainda hoje, existem pessoas que acreditam que o cristianismo apoia ou já apoiou oficialmente a ideia de uma Terra plana. Isto não passa de falsificação histórica, e com este artigo pretendo mostrar isso, através de uma extensa investigação e exposição de como o pensamento humano a respeito da Terra evoluiu com o tempo.

Aproveitem a leitura.
Abraços, Paz de Cristo.

Perspectivas para 2016


ATENÇÃO: ESTE BLOG NÃO MORREU!

Olá, leitores. Sei que estou há vários meses inativo por aqui (embora eu ainda poste com uma frequência razoável na página do Facebook). Estou há bastante tempo também sem visualizar e responder os comentários daqui. Já faz mais de dois anos que publiquei um post aqui avisando que devido aos meus afazeres acadêmicos (na época o final da graduação e início do mestrado), eu ficaria menos ativo por aqui mesmo. Na época nossa página no facebook contava com pouco mais de 6 mil fãs.

Porém, graças a Deus, nestes dois anos de inatividade, conseguimos publicar onze posts, e nossa página cresceu para mais de 14 mil fãs, marca alcançada recentemente. Agora, estou caminhando para uma etapa mais difícil ainda da minha vida, a saber, a conclusão do mestrado e o início do doutorado. E não pretendo abandonar o blog, assim como nunca pretendi. Em breve completaremos cinco anos de existência.

Ainda assim, para que o blog não acabe, eu vou precisar tomar algumas providências, e aliás, já estou tomando. Por meio deste post venho manter vocês informados.


Novos posts


Tenho uma pilha de rascunho, textos inacabados e traduções incompletas (talvez chegue a uns 10) que estou me esforçando para terminar e pretendo postar uma vez por semana, às quartas feiras, a partir de hoje. Isso me dá pelo menos uns dois meses para que eu possa me organizar e formular mais conteúdo para o nosso canal de comunicação.

Aliás, me comprometo a visualizar e responder (quando possível) os comentarios pendentes, nas proximas semanas!

Mudanças de visual


Este blog passou por inúmeras mudanças de visual ao longo de sua história... e apesar de eu até gostar deste atual, minimalista, ainda sinto que não está perfeito. Tenho desejo de melhor o layout, mas ainda não sei como.

Preciso mencionar uma mudança que já executei: acrescentei um botão de "imprimir" em baixo de cada artigo do blog. Ele aparece como na figura abaixo:


Com este app, é possível imprimir o artigo ou salvar uma cópia em PDF, com um layout mais "amigável" do que se fosse impresso diretamente pelo navegador.

Para quem quiser baixar vários artigos deste site em formato PDF, a seção de Downloads terá todos os artigos do blog já convertidos para este formato, numa pasta do Google Drive.

Contribua com este trabalho


Ainda é muito difícil pra mim continuar com um trabalho decente, apesar de toda a minha boa vontade. Tenho que dividir meu tempo com muita coisa, e não tenho fonte de renda além da minha bolsa de mestrado e de alguns trabalhos que faço ocasionalmente, como aulas particulares.

Este blog nunca teve fins lucrativos. Na verdade, eu até tentei uma vez colocar anúncios de publicidade por aqui, mas não demorou muito para que eu tirasse, porque considero isto incômodo para os leitores. Por isto, estou abrindo uma oportunidade, para quem quiser e puder, para quem já se sentiu ajudado com esta página alguma vez, ou para quem se sentir tocado a contribuir com este trabalho, que faça uma doação via Pay-Pal. O valor fica totalmente a seu critério. Ficarei muito grato com qualquer ajuda, e com certeza terei meu ânimo em escrever redobrado. Para doar, clique aqui.

Por fim, espero que ainda possamos estar ativos aqui por um bom tempo, por quanto tempo Deus permitir. "Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus". (2 Coríntios 10.5)

Abraços, Paz de Cristo.

terça-feira, 7 de julho de 2015

"7 dicas para vencer William Craig em debate"? Alguns comentários.

Olá, leitores.

Creio que William Craig seja alguém que dispense apresentações no meio apologético cristão. Ele tem dado palestras e participado de debates com ateus famosos do mundo todo, e é um dos apologistas mais famosos da atualidade. Com formação em Teologia e Filosofia, e escritor de alguns livros, ele já debateu com figuras como Antony Flew, Christopher Hitchens, Sam Harris, Peter Atkins e só não debateu com Richard Dawkins porque ele arregou fugiu mais de uma vez da oportunidade.

A desenvoltura de Craig nos debates é tão destacada que até mesmo ateus sensatos reconhecem isto. Costuma-se dizer que ninguém nunca "venceu" Craig em um debate (embora haja controvérsia em relação a um ou dois adversários). Embora tentativas de refutar seus argumentos sejam encontradas por aí na internet, até hoje nenhuma dessas pessoas se disponibilizaram para um debate ao vivo.

Pois bem, me deparei recentemente com uma dessas tentativas, do blog Religião e Ateísmo. O autor dá supostamente 7 dicas para vencer Craig em debate. O texto a seguir comentará brevemente essas dicas, incluindo críticas e contra-argumentos. A elaboração do texto deve-se principalmente aos leitores Felipe Ribeiro e Djonatan Küster, com revisões e alguns acréscimos feitos por mim.

Aproveitem a leitura.
Abraços, Paz de Cristo.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

[Notícia] Professor ateu reprova estudante por se recusar a condenar a fé cristã

Olá, leitores. Alguns de vocês provavelmente viram o filme recente Deus não está morto, que foi sucesso nas bilheterias mesmo aqui no Brasil. Ouvi críticas da parte de muitos ateus, dizendo que o filme mostrava um caso demasiadamente irreal, que professores ateus estúpidos daquele jeito não existiriam na realidade... pois bem, trago hoje com exclusividade uma notícia que vi num site norte-americano relatando um caso bastante semelhante ao do filme.

Abraços, Paz de Cristo.

sábado, 9 de maio de 2015

Sem margem para dúvidas: 23 Argumentos para a validade histórica da Ressurreição de Jesus Cristo


Se for verdade, a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos é o evento mais importante na história da humanidade, e, portanto, o mais crucial para estabelecer como um evento histórico autêntico. De fato, a ressurreição é a pedra angular da fé cristã, que mantém unidas cada uma de suas reivindicações e bênçãos. Se a ressurreição pudesse ser comprovada uma fraude, o Cristianismo se desintegraria como uma estória totalmente montada e com pouco mérito redentor. Jesus não seria sequer um exemplo de um "bom professor moral", como alguns sustentam, já que sua predição mais importante - que ele seria ressuscitado dos mortos - seria constatada como mentira.

Como cristãos, nossa própria salvação depende em grande parte da confiabilidade dos quatro registros históricos do nascimento, vida, morte, e especialmente a ressurreição de Jesus Cristo. Uma crença profundamente arraigada na ressurreição como um fato da história é um elemento vital para a nossa salvação eterna. Romanos 10. 9 afirma: "Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo." Estamos brincando com a base da nossa salvação quando nós levamos em conta qualquer dúvida sobre a precisão histórica de alguma parte da Escritura. Contudo, os trechos que fazem reivindicações históricas das quais depende a nossa salvação são os mais cruciais.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Lista de Cientistas da Atualidade que Professam o Cristianismo




Olá, leitores. Sinto muito por estar inativo há um bom tempo, mas estou sendo absorvido pelas minhas atividades pessoais (que aliás são científicas!) e isso fez eu não ter quase nenhuma oportunidade de postar aqui. Mas as oportunidades surgem - e o que temos pra hoje?

Bom, muitos ateus ainda hoje vêm com aquele velho argumento de que a fé e a razão são incompatíveis, que não há lugar para o cristianismo na ciência... aquelas velhas falácias de sempre que qualquer um que já tenha lido algum artigo neste blog sobre isso vai saber refutar. A última que eu ouvi é que "mostrar que houve cientistas cristãos na história é fácil, afinal eles não sabiam sobre a evolução ou sobre a relatividade... quero ver citar algum cientista cristão vivo ou ativo".  Bem, primeiro vou deixar claro que nem a teoria da evolução nem a relatividade possuem conflitos com a fé cristã ou mesmo com a existência de Deus. Segundo, se a própria base da ciência foi estabelecida graças a princípios cristãos, porque não haveriam cientistas cristãos vivos e ativos hoje em dia? A lista é extensa.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Sobre Bertrand Russell e Por Que Ele Não Era Cristão - Parte 1 - Prefácio


Olá, leitores.

No último post anunciei que faria uma breve análise do ceticismo de Russell exposto em seu livro Por que não sou cristão, de 1957. Teria ele apresentado críticas relevantes ao teísmo cristão, ou apenas opiniões subjetivas e baseadas em conceitos ultrapassados? Seja qual for a resposta, é fato que esta publicação influenciou a geração seguinte de críticos à religião e adeptos do cientificismo. Testemunhamos o surgimento de um movimento de pessoas que publicamente não tiveram vergonha de, além de defender a não existência de Deus, fazer críticas severas aos sistemas religiosos, considerando-os prejudiciais à humanidade. Embora Russell se declare como agnóstico, o que pessoalmente considero menos tolo do que afirmar o ateísmo, ele faz críticas ao teísmo de forma a descartá-lo como uma opção assumível por uma mente pensante.

Um fato curioso é o título do livro. Russell não foi tão presunçoso quanto os seus colegas atuais neo-ateus e usou um nome que denota subjetividade: "Por que [eu] não sou cristão". O conteúdo da obra não é único, na verdade trata-se de uma coletânea de palestras, falas e pequenos ensaios do autor sobre o cristianismo e assuntos correlatos, como a existência de Deus e a moral religiosa. O primeiro capítulo é uma transcrição da palestra de 1927 que dá nome ao livro. Outro ponto alto da leitura é o capítulo que traz uma transcrição de um debate transmitido em rádio em 1948 sobre a existência de Deus, travado com o padre Frederick Copleston.

Antes de começar a análise do livro, gostaria de comentar algumas afirmações de Russell ainda no prefácio do seu livro, que merecem atenção. Para começar, Russell nos informa claramente qual a sua crença em relação a religiões:

"Considero todas as grandes religiões do mundo – budismo, cristianismo, islamismo e comunismo – não só falsas, como prejudiciais."

Achei muito interessante (e justo) aqui ele ter incluido o comunismo como uma religião, ou nas palavras dele, "um sistema de dogmas" (Unpopular Essays, 1950, p.19) . É fato que Russell visitou a União Sovética de Lenin após o final da Primeira Guerra Mundial, e ficou chocado com o autoritarismo e fanatismo do regime marxista na prática. Mas deixando isto de lado um pouco, Russell assume de antemão, no prefácio de seu livro, que todas as religiões são mentiras e não só isso, mas também são perigosas. Bem, vamos deixar que ele se explique nos capítulos seguintes. Ele continua: 

"É evidente, como questão de lógica, que, já que elas diferem entre si, apenas uma delas pode ser verdadeira. Com pouquíssimas exceções, a religião que um homem aceita é aquela da comunidade em que vive, o que torna óbvio que a influência do meio foi o que o levou a aceitar a referida religião."

Posso aceitar a sua primeira afirmação. Mas a segunda claramente não é uma verdade em 100% dos casos. Fosse assim, não existiriam budistas no Brasil ou cristãos na China. Além disso, se com isso ele quer argumentar que as religiões são falsas, ele está nada menos do que recorrendo a uma falácia genética, isto é, afirmando que algo é falso só por causa do modo como a informação foi aceita por alguém.

"É verdade que os escolásticos inventaram o que declaravam ser argumentos lógicos provando a existência de Deus, (...) mas a lógica a que esses argumentos tradicionais apelavam é (...) hoje rejeitada, praticamente, por todos os lógicos (...). Entre esses argumentos, existe (...) o argumento da prova teleológica da existência de Deus. Tal argumento, porém, foi destruído por Darwin (...)."

Aqui ele introduz o assunto sobre o qual vai discorrer brevemente no primeiro capítulo. Por um lado, é verdade que os argumentos aos quais Russell se refere tinham falhas, e não podem ser considerados hoje, pelo menos na forma em que ele os conhecia, como provas para a existência de Deus. Mas a teologia e filosofia cristã se desenvolveram bastante depois que Russell proferiu estas palavras, como comentei no post anterior. Inclusive o argumento teleológico, que ele alega ter sido "destruído" por Darwin, continua vivo hoje.

A seguir ele alega haver dois tipos de males intrínsecos às religiões. Nas palavras dele:

"[Em primeiro lugar,] (...) considera-se virtude ter fé, isto é, ter-se uma convicção que não pode ser abalada por prova contrária. (...) A convicção de que é importante crer-se nisto ou naquilo, mesmo que uma investigação livre não apóie a crença em apreço, é comum a quase todas as religiões e inspira todos os sistemas de educação estatais. O resultado disso é que o espírito dos jovens fica tolhido e cheio de hostilidade fanática tanto contra aqueles que possuem outros fanatismos (...).
(...) também existem, na maioria das religiões, doutrinas éticas específicas que causam dano definido. A condenação, pelos católicos, do controle da natalidade, tornaria impossíveis a diminuição da pobreza e a abolição da guerra. As crenças hindus de que a vaca é um animal sagrado e de que é imoral às viúvas tornar a casar, causam muito sofrimento desnecessário. A crença comunista na ditadura de uma minoria de Crentes Verdadeiros produziu farta colheita."

É notável que ele já começa com uma definição de fé que parece ter tirado do bolso, já que nada tem a ver com a definição cristã histórica. Em outras palavras, ele cria um boneco de palha do cristianismo para poder bater nele logo depois. A fé cristã não é uma convicção baseada unicamente em afirmações sistemáticas de autoridade (dogmas) muito menos em experiências puramente emocionais. Na verdade, ela consiste em uma mistura complexa dessas coisas com uma atitude racional de confiança. Idealmente, nenhum cristão acredita sem evidências, mas são as evidências que o levam a acreditar. Entre essas evidências inclui-se também a experiência pessoal com Deus. Há um artigo que escrevi há bastante tempo aqui sobre fé, que pode ser lido complementarmente, mas eu gostaria de voltar a esse assunto depois com mais calma. Mostrarei também ao longo do livro que muitas palavras que Russell usa contra a religião cristã me parecem ser apenas uso da falácia do espantalho.

Quanto à segunda crítica, deve-se primeiro notar que Bertrand Russell é um realista filosófico - ou seja, acredita na existência objetiva de uma realidade e de uma verdade. Consequentemente, sua ética é livre de relativismos. Ele realmente acredita que certas coisas são certas e certas coisas são erradas, independente de épocas ou opiniões. O problema é que ele não dá nenhuma base filosófica para essa afirmação.

Quando estudamos o argumento moral da existência de Deus entendemos que a única forma para admitirmos valores e deveres morais objetivos é a existência de um agente moral externo e absoluto, ou seja, Deus. Russell, ao ser questionado certa vez sobre isso simplesmente discorda desta afirmativa, e diz não conhecer uma resposta melhor. Em outras palavras, ele foge do argumento. Quando ele faz criticas à moral religiosa aqui, ele o faz porque certas atitudes morais de algumas religiões quebram os valores morais que ele mesmo apresenta/concorda. Mas espere! Se ele não tem como dar uma base para isso, os próprios valores morais dele são arbitrários! Não que eu não concorde com o que ele considera certo ou errado, mas estou apenas dizendo que ele não tem como dar uma base para o que ele está defendendo.

No fim do prefácio, Russell nos deixa com uma citação inspiradora baseada na sua defesa do livre-pensamento e na total aversão a qualquer tipo de autoridade ou regras no ensino:

"Gostaria de ver um mundo em que a educação tivesse por objetivo antes a liberdade mental do que o encarceramento do espírito dos jovens numa rígida armadura de dogmas, que tem em vista protegê-los, através da vida, contra os dardos das provas imparciais. O mundo precisa de corações e de cérebros francos, e não é mediante sistemas rígidos, quer sejam velhos ou novos, que isso pode ser conseguido."

Russell entende que as religiões são más justamente porque quebram esse "princípio moral absoluto" dele que é o direito ao livre-pensamento. Obviamente, a liberdade é uma coisa boa. E eu concordo que muitos sistemas de crenças dogmáticos podem prejudicar as pessoas, inclusive talvez o cristianismo, se for seguido de uma maneira não-sincera e legalista (como talvez devia ser comum na época e no lugar em que Russell vivia - comentarei sobre isso nos próximos posts também).

Na próxima parte discutiremos a exposição de Russell sobre os motivos para não ser um cristão e a sua análise dos argumentos clássicos para a existência de Deus.

Abraços, Paz de Cristo.

[Ir para a Parte 2]

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O Renascimento da Filosofia Teísta no Século XX


Olá, caros leitores.

Tenho estado ocupado com a minha vida pessoal nos últimos meses, o que tem me impedido de postar regularmente no blog. Desde o início do ano eu avisei que provavelmente o ritmo de postagem cairia, embora eu não gostaria de abandonar este trabalho, que é tão estimado por vocês leitores. 

Mas foi justamente em uma das minhas ocupações com o Mestrado que surgiu um assunto para ser trabalhado aqui. Enquanto eu estudava Metodologia Científica, tive contato com o trabalho de um filósofo que nunca parei para prestar atenção: Bertrand Russell (não, não é o cara da foto acima - eu já vou chegar lá, calma). E dentre os livros escritos por este filósofo, um me chamou a atenção: Por que não sou cristão, publicado em 1957. Eu vou ter mais tempo de falar sobre isso nas postagens próximas, mas o fato é que esse livro, junto com as tendências cientificistas de Russell, parece ter sido a influência principal para o surgimento de todo um movimento décadas depois - o neo-ateísmo. Sendo assim, eu não poderia deixar de dedicar algumas palavras aqui no blog à análise deste livro (mas não vou fazer isso agora).

Mas então, do que vou falar agora? Deixem-me explicar. Alguns argumentos para a existência de Deus que Russell citou no livro dele realmente eram considerados ultrapassados no tempo em que ele escreveu. Entretanto, quem lê este livro hoje em dia pode não ter ouvido falar do renascimento da filosofia teísta no século XX (é aí que entra o título da postagem).  Richard Dawkins, por exemplo, publicou em 2006 o livro Deus, um Delírio, que não é nada menos do que uma repetição das velhos refutações de Russell, sem se preocupar com o que mudou no mundo acadêmico da filosofia nos anos que separam estas duas personalidades. Resultado disto? O livro foi amplamente refutado, destruído impiedosamente pedaço por pedaço (veja aqui, aqui e aqui, por exemplo).

Eu não podia então deixar a oportunidade para contar pra vocês o que exatamente aconteceu nas últimas décadas que revitalizou o teísmo acadêmico e, indiretamente, a apologética cristã. O nome talvez mais importante nesta história toda é o do filósofo norte-americano Alvin Plantinga (ah, agora sim é o cara da foto!).

Plantinga chegou a estudar na Universidade de Harvard como aluno de graduação. Naquele tempo, início dos anos 1950, já se formava uma grande mobilização em favor da não-existência de Deus nos círculos acadêmicos. Em uma de suas palestras, Plantinga chegou a afirmar uma vez que, não fosse a sua transferência para o Calvin College, uma faculdade confessional cristã na qual seu pai lecionava, ele provavelmente não permaneceria cristão, nem teria desenvolvido o interesse acadêmico neste assunto. Anos mais tarde, em 1958, Plantinga obteve seu Ph.D. na Universidade de Yale. Ironicamente, um ano após a publicação do livro anti-cristão de Russell.

Enquanto isso, aquela geração estava mais indiferente acerca de Deus e a religião do que nunca. Em 8 de Abril de 1966, a revista Time publicou uma matéria de capa, a qual lançava a pergunta em letras garrafais: “Deus Está Morto?”. A reportagem, que pode ser lida online ainda hoje, tratava da “morte de Deus” ocorrida nos ambientes acadêmicos americanos, inclusive na própria teologia.


Um ano depois, em 1967, Plantinga publica o seu primeiro livro: God and Other Minds: A Study of the Rational Justification of Belief in God (Deus e Outras Mentes: Um Estudo sobre a Justificação Racional da Crença em Deus). Este livro foi o marco de uma revolução acadêmica. Seguiram-se após ele um sem número de publicações acadêmicas anglo-americanas sobre o assunto. O filósofo ateu Quentin Smith, da Universidade de Western Michigan, comentou com pesar este fato:

“Em meados do século XX, as universidades (...) haviam se tornado essencialmente secularizadas. A posição (...) padrão em cada campo (...) supunha ou envolvia argumentos favoráveis a uma visão de mundo naturalista; os departamentos de teologia ou religião almejavam entender o significado e as origens dos escritos religiosos, não para desenvolver argumentos contra o naturalismo. Os filósofos analíticos (...) tratavam o teísmo como uma cosmovisão antirrealista e não cognitivista, requerendo a realidade não de uma divindade, mas meramente de expressões emotivas ou de certas “formas de vida” (...)Os naturalistas assistiram passivamente enquanto as versões realistas do teísmo, influenciadas principalmente pelos escritos de Plantinga, começaram a propagar-se por toda a comunidade filosófica, até que hoje talvez um quarto ou um terço dos professores de filosofia são teístas, sendo a maioria cristãos ortodoxos. Na academia, Deus não está “morto”; voltou à vida no final da década de 1960 e está agora são e salvo em seu último bastião acadêmico: os departamentos de filosofia.” SMITH, Q. The Metaphilosophy of Naturalism, Philo 4/2 (2001): 3-4.

O ressurgimento do interesse no teísmo, apesar de às vezes denominado Revolução Silenciosa, não passou despercebido da cultura popular. Em 1980, a revista Time novamente publica o importante artigo Modernizing the Case for God (Modernizando a Defesa de Deus), que descrevia o despertar entre os filósofos contemporâneos para remodelar os argumentos tradicionais a favor da existência de Deus. Abaixo um trecho traduzido do artigo:

“Numa tranquila revolução no pensamento e no debate, que quase ninguém teria previsto apenas duas décadas atrás, Deus está fazendo uma reaparição. O mais curioso é que isso não está acontecendo entre teólogos ou crentes comuns, mas nos seletos círculos intelectuais dos filósofos acadêmicos, onde há muito o consenso baniu o Onipotente do discurso proveitoso.”

O Renascimento da filosofia teísta cristã no último século acompanhou-se do interesse na teologia natural, ou seja, o estudo sobre Deus independente da revelação. Muitos argumentos clássicos para a existência de Deus que remontam à Idade Média foram reformulados nos moldes mais rigorosos da filosofia contemporânea. Dentre eles, podemos citar:

  • O Argumento Ontológico, que remonta a Santo Anselmo no século XIII, foi refutado por Kant no século XVIII e reformulado por Alvin Plantinga no seu segundo livro The Nature of Necessity (A Natureza da Necessidade) em 1974. Este argumento fala sobre a existência de Deus baseado no conceito de que Deus é o maior ser concebível do Universo e o contraste entre a existência na realidade e a existência apenas na mente.

  • O Argumento Teleológico de Richard Swinburne, publicado em 1979 em seu livro The Existence of God (A existência de Deus). Este argumento transforma a questão da existência de Deus em probabilística, e usa um raciocínio indutivo amparado por evidências como a ordem apresentada no Universo.

  • O Argumento Cosmológico Kalam (chamado assim por ter sido o nome da versão do argumento da causa primeira pelo filósofo muçulmano do século XI Al-Ghazali), que foi tema da dissertação de mestrado de William Lane Craig e apareceu em seu livro The Kalam Cosmological Argument, também de 1979. Este argumento fala de Deus como a causa necessária para o Universo e se apoia no fato de que o Universo teve um início.

Apesar dos argumentos serem uma motivação para a racionalidade da crença em Deus, eles não necessariamente se constituem em provas absolutas. Plantinga defende que a crença em Deus é o que os filósofos costumam chamar de uma crença básica: para se acreditar na existência do passado, na ideia de que as outras pessoas têm um intelecto ou que um mais um é igual a dois, não se precisaria de prova. Ele argumenta ainda que a cosmovisão teísta, que vê o universo organizado e dirigido por um Deus que deu origem a criaturas racionais à sua própria imagem, “é muito mais acolhedor para a ciência que o naturalismo. (...) Na verdade, é o teísmo, não o naturalismo, que merece ser chamado de 'visão científica do mundo'”, escreve ele. Dizer que a crença teísta é irracional não é possível sem demonstrar que ela não corresponde à verdade, o que, diga-se de passagem, não é algo que a ciência é capaz de fazer neste caso.

Alvin Plantinga é considerado atualmente, junto com Richard Swinburne, o filósofo da religião mais importante do mundo. Desde 1982 ele ocupa a cadeira John A. O’Brien de filosofia na Universidade de Notre Dame. William Lane Craig tem se destacado há muitos anos pelos seus debates acadêmicos com ateus famosos, além de seus livros. Entre os seus adversários, encontram-se nomes importantes como o ex-ateu Anthony Flew, o já falecido jornalista Christopher Hitchens, o neurocientista Sam Harris, dentre outros. O próprio Richard Dawkins se recusou mais de uma vez a debater com ele.

Os ateus contemporâneos, seguidores de autores como Dawkins, Hitchens, Sam Harris e Daniel Dennett (conjunto que já foi chamado de “os quatro cavaleiros do neo-ateísmo”) parecem estar incrivelmente alheios a esta revolução da filosofia anglo-americana. Devido à enxurrada de best-sellers ateus que presenciamos nos últimos anos, se poderia pensar que a crença em Deus se tornou intelectualmente indefensável para uma pessoa pensante atual. Mas vimos claramente que isso se trata apenas de uma mera desinformação, de um eco fantasmagórico da voz de Bertrand Russell e do seu cientificismo que já foi suplantado há décadas por pensadores de seu próprio campo de trabalho (a filosofia analítica), como Plantinga, Swinburne e Craig.

Abraços, Paz de Cristo.

domingo, 7 de setembro de 2014

A Existência de Deus e o Início do Universo

Olá, leitores.
Este texto foi recuperado do antigo site cristão "Apologia", que atualmente foi desativado, mas foi uma das grandes influências do meu blog, na época em que comecei. Espero que aproveitem a leitura.

Abraços, Paz de Cristo.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Jesus Cristo: Lunático, Mentiroso ou Senhor

A Evidência da Divindade de Jesus


Enquanto Jesus caminhava pela face da terra há aproximadamente dois milênios, a humanidade se dividia em três grupos com diferentes visões sobre ele. Alguns estavam convencidos de que Jesus era o Filho de Deus e então dirigiam-se a ele como "meu Senhor e meu Deus" (João 20.28). Outros consideravam as afirmações e ações de Jesus como atos de blasfêmia e "(...) procuravam matá-lo porque (...) dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus" (João 5.18). Porém um terceiro grupo pensava que Jesus era insano e deveria ser ignorado (João 10.20).

Muitos chamados "cristãos" da atualidade tentam adotar uma posição de compromisso e alegam que Jesus foi um homem bom – que foi até um homem perfeíto – porém não era Deus. Adeptos de outras religiões, e até mesmo estudiosos. chegam a considerar que ele foi um homem bom, um grande Mestre, um "Iluminado", um profeta. Considerações cuidadosas das afirmações e ações de Jesus, entretanto, excluem esta conclusão. As únicas possíveis explicações sobre Jesus são as três que foram propostas no primeiro século. Vejamos as possibilidades:

1. Jesus é quem alegou ser, o Filho de Deus, ou
2. Ele era louco e erroneamente se julgava Divino, ou
3. Ele foi o maior mentiroso que já existiu.

Consideremos as possibilidades à luz das ações e afirmações históricas de Jesus registradas nos Evangelhos.

As Afirmações de Jesus

Jesus não fez nenhuma tentativa de esconder suas afirmações de Divindade. Ele repetidamente afirmou que era o Filho de Deus (João 9.35-38; Mateus 16.16-20; etc). Os judeus da época de Jesus estavam certos de que esta era uma afirmação de igualdade a Deus (João 5.18), que Jesus julgava-se ser Deus. A própria linguagem de Jesus não deixou dúvidas, conforme ele aplicou a descrição "Eu Sou" para si próprio (João 8.24-58; veja Êxodo 3.13-14). Jesus claramente afirmou ser Deus!

O que faremos com as afirmações de Jesus? Se elas são verdadeiras, então Jesus é Divino. Se elas são falsas, então Jesus intencionalmente mentiu e foi assim um terrível farsante, ou ele era louco e foi iludido por si próprio a acreditar e antecipar o mito de sua própria Divindade. Não podemos considerar suas afirmações e menosprezá-lo como meramente um homem bom ou perfeito. Ou ele é um lunático, ou um mentiroso, ou o Senhor de todos!

As Ações de Jesus

As ações de Jesus na terra foram inteiramente consistentes em relação às suas afirmações de Divindade. Ele atuou, sem se justificar, como Deus encarnado! Ele proclamou a habilidade de perdoar os pecados (Mateus 9.2-6). Os judeus sabiam que qualquer mero homem que fizesse tal afirmação era um blasfemador. Jesus também aceitou adoração dos humanos, depois de dizer sem dúvida que adoração pertence somente a Deus (Mateus 4.10; 8.2; 9.18; João 9.38). Nas ações de Jesus ele afirmava ser Deus. Quando a meros homens ou anjos foram oferecidos tal adoração, eles apressavam-se à proibi-la (Atos 10.25-26; Apocalipse 22.8-9).

O que faremos com as ações de Jesus? Se ele foi um mero homem, certamente os judeus estavam certos em acusá-lo de blasfemar, por ter se apresentado como Deus. Não podemos atribuir suas ações a um simples homem e considerá-lo bom e perfeito. Jesus foi o Senhor, que afirmou ser, ou ele foi um mentiroso, ou um lunático.

Os Sinais de Jesus

Agora vamos para um verdadeiro teste das afirmações da Divindade de Jesus. Se ele realmente é Deus, criador e sustentador do universo, então seria razoável esperar que suas palavras fossem confirmadas com inegáveis demonstrações de poderes sobrenaturais. Os sinais, ou milagres, de Jesus preenchem um importante papel neste sentido. Os relatos do evangelho são cheios de detalhes de vários milagres os quais Jesus realizou. Estes milagres são claras e inegáveis demonstrações de poder. Jesus curou pessoas de evidentes enfermidades, ressuscitou os mortos, acalmou os mares, etc.

Até seus adversários não negaram a veracidade de seus milagres. Eles contestavam a fonte de seu poder (Mateus 12.22-28) e as autoritárias afirmações de que se podia perdoar pecados (Mateus 9.1-8). Eles criticaram porque Jesus curou nos sábados (João 9.13-16). Mas, não negavam a autenticidade de seus milagres! Jesus não é lunático, nem mentiroso e sim o que ele mesmo afirmava ser, Deus.

A Ressurreição de Jesus

O túmulo de Jesus foi encontrado vazio três dias após sua morte. Desde a época da morte de Jesus, existem duas explicações do sepulcro vazio. Uma é a explicação bíblica sobre qual a fé dos cristãos está  baseada em que Jesus ressuscitou dos mortos (1 Coríntios 15.3-4,14). A outra é aquela que foi tramada pelos mesmos homens que organizaram desonestamente a traição, julgamento e crucificação de Jesus. Os líderes religiosos subornaram os soldados para que disseram que o corpo de Jesus tinha sido roubado (Mateus 28.11-15). Note três falhas fatais desta explicação:

a) Foi comprovado que os sacerdotes mentiram.
b) O corpo nunca foi encontrado.
c) Os "ladrões de covas" (apóstolos) citados sofreram torturas terríveis e escolheram morrer porque não quiseram se retratar de sua afirmação que Jesus realmente ressuscitou. Homens morrem pelo que acreditam. É um absurdo afirmar que uma dúzia de homens estariam querendo morrer por uma mentira tão conhecida! A ressurreição apresenta-se como a máxima evidência da Divindade de Jesus.

Qual é a importância Disto?

Esses pequenos exemplos acima (as afirmações, as ações, os sinais, e a ressurreição de Jesus) servem meramente para apresentar a abundante evidência da Divindade de Jesus Cristo. Numa época em que a dúvida e a descrença estão em alta, toda pessoa que deseja seguir Jesus precisa cuidadosamente considerar o caso para com a Divindade de Cristo. Jesus mesmo declarou o significado deste tema quando ele disse: "Se não crerdes que Eu Sou, morrereis nos vossos pecados" (João 8.24). Você pode dizer, como o "duvidoso" Tomé disse, que Jesus Cristo é "meu Senhor e meu Deus" (João 20.28-31)? Sua resposta para esta questão é de eterno significado. Considere isto cuidadosamente.

Texto original de Denis Allan (fonte), Adaptado.

terça-feira, 22 de abril de 2014

O argumento do diabinho azul jocaxiano [Resposta da Resposta]


Olá, pessoal.

Para continuar, você deve antes ter lido a primeira parte deste texto aqui.

Recebi uma resposta que ficou tão grande que merecia ser replicada na forma de texto. Vou tentar responder na medida do possível. As citações estão em itálico; de JOCAX em azul e de Rubens Leite em vermelho.

Obs: Desculpem pelos erros ortográficos e a edição pobre, não estou tendo tanto tempo para dedicar ao blog quanto antigamente. Tenham paciência, leitores!

Abraços, Paz de Cristo.

sexta-feira, 28 de março de 2014

O pensamento de Roy Clouser sobre Teísmo Cristão e Ciência


Por Guilherme de Carvalho*

Resumo**

O filósofo americano Roy Clouser desenvolveu recentemente um modelo para explicar a relação entre a religião e a ciência, a partir de uma crítica interna do empreendimento científico. Segundo Clouser, todo pensamento teórico depende de pressuposições a respeito da ordem cósmica cuja natureza é indistinguível de certos tipos de crença religiosa – aquelas crenças a respeito do que constituiria o fundamento divino do mundo. A partir da observação da indistinguibilidade dessas crenças, Clouser sustenta que a ciência tem, necessariamente, um ponto de partida religioso que condiciona a construção teórica.

A partir dessa descoberta, Clouser apresenta a crença teísta cristã clássica como um ponto de partida viável para o empreendimento científico, e como uma imagem de mundo superior às imagens não-teístas de mundo, na medida em que estas não fornecem subsídios suficientes para lidar com o problema do reducionismo científico e com os impasses teóricos relacionados a ele. 

quarta-feira, 12 de março de 2014

O Argumento do Diabinho Azul Jocaxiano


Olá, leitores. 


Aqui está mais uma resposta a leitor, que veio direto da seção de comentários. Aproveitei uma breve que fiz nos meus estudos aqui para publicá-la. 

Abraços, Paz de Cristo.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Ausência



Caros leitores,

não é com alegria que venho contar isto, mas devido a algumas questões pessoais, principalmente em relação à conclusão da minha faculdade, receio que verão o blog e a página no Facebook passar a ter uma frequência bem menor de atualizações.

Esta página em breve completará três anos desde a sua fundação e desde então tem funcionado a todo vapor, às vezes mais intensamente, às vezes menos. A página no Facebook ajudou a divulgar e estender o trabalho, que na rede social conta atualmente com mais de 6 mil fãs. Consegui contato com muitos outros blogueiros apologéticos em atividade, e sou muito agradecido ao apoio de muitos deles.

Se você aprecia o nosso trabalho e deseja ajudar para que ele não pare, não deixe de nos contactar. Quanto ao mais, para quem não conhece todo o nosso trabalho, você tem ao seu dispor aqui mais de uma centena de textos sobre os mais variados assuntos, relacionados à ciência, religião cristã e teísmo. Não deixe de conferir, visite também os nossos parceiros, aqui na aba lateral e não deixe de curtir a página no Facebook.

Abraços, Paz de Cristo.

Quebrando o Encanto do Neo-Ateísmo




Caros leitores,

venho com muita alegria anunciar o PQuENA (Projeto Quebrando o Encanto do Neo Ateísmo). O famoso blogue apologético que ficou fora do ar desde meados de 2012 teve quase todas as suas postagens recuperadas e colocadas em uma página do wordpress, da qual somos parceiros. Você pode acessá-la em:


Depois de quase um ano parado, mais modificações foram feitas, a saber, mais textos antigos foram acrescentados, os links quebrados nas postagens foram consertados e a página está melhor organizada. 

Não deixem de conferir o trabalho lá e aproveitem bastante, pois sem dúvida é o material mais rico de combate ao neo-ateísmo já publicado em português.

Abraços, Paz de Cristo.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Refutação da Refutação do Dilema de Eutífron [Resposta a Leitor]



24/10/2013 19h
Miqueas Galdino

Boa noite.  Achei uma resposta as refutações apologéticas sobre o Dilema de Eutifron. Seguem as premissas : 
Premissa 1: a definição de bom ou bondade é a natureza de Deus. A natureza de Deus é a fonte de toda a moralidade e tudo o que é bom. 
Premissa 2: A natureza de Deus é fixo. Não pode ser de outra maneira
Premissa 3: Depois de p.2, Deus não pode escolher entre o certo e o errado. Ele deve sempre fazer o que é certo desde sempre a fazer o que é certo é parte da natureza de Deus.
Premissa 4: Depois de p.3, a capacidade de escolher entre o certo e o errado não está na natureza de Deus. Ele não tem essa capacidade.
Premissa 5: Após p. 1 e p. 4, a capacidade de escolher entre o certo e o errado não é bom, uma vez que não está na natureza de Deus.
Premissa 6: Porque a natureza de Deus é boa,ele não pode querer algo que não é bom.
Premissa 7: Deus quis sobre os seres humanos a capacidade de escolher entre o certo e o errado.
Conclusão: De p.5, p.6 e p.7, Deus quis algo sobre os seres humanos que não é bom, uma vez que não está na natureza de Deus. Mas a natureza de Deus é, por definição, bom, então ele se contradisse.
Seria esse argumento válido ?

Respostas ao Ateísmo:

Boa noite caro Miqueas. 

Primeiro, tem algumas premissas mal formuladas aí. Logo na premissa 1, se diz "a natureza de Deus é a fonte de toda a moralidade". Isto está certo, mas note o que significa "moralidade". Moralidade é a distinção de valor entre as ações, e não a bondade em si. Ou seja, a natureza de Deus é a fonte de onde podemos saber se algo é bom ou não. 

Mas ainda sim este raciocínio não está completo: Deus além de ser bondoso, também é justo e juiz. Por ser juiz do Universo, Deus pune quem pratica o mal. A punição de quem pratica o mal é um mal do ponto de vista de quem praticou, por que sofre a punição, mas do ponto de vista global não, porque é bom que o mal seja punido. Isso quebra por exemplo a premissa 6.

Pense só: um pai que ama o filho deixa de castigá-lo por isso? E quando o pai castiga, ele deixa de ser bom? O castigo é uma consequência justamente do amor e do zelo que ele tem pelo filho, pois se não amasse seria indiferente ao ver o filho errar e persistir no erro. Da mesma forma, Deus é bom, mas isso não quer dizer que ele não tenha que fazer coisas que pareçam más de vez em quando, mas que no fundo refletem a sua bondade/amor/justiça.

A premissa 5 me fez pensar... é verdade que Deus não pode escolher o errado. Isso não é um defeito de Deus, afinal, seria um defeito se Ele PUDESSE errar. Mas eu acho que não é o livre arbítrio em si que é o mal, pois livre arbítrio implica em liberdade. O defeito é a CAPACIDADE de errar, a TENDÊNCIA de errar. Aí o autor misturou as coisas. "Liberdade de escolha" não é a mesma coisa que "capacidade de errar" nem "tendência a errar". Deus tem liberdade plena de escolha mas é incapaz de errar, por exemplo. 

O fato de Deus não poder escolher mentir ou fazer maldades sem motivo, por exemplo, não é uma limitação ao poder ou à liberdade de Deus, mas uma limitação por implicação lógica; ou seja, se Deus fizesse estas coisas, deixaria de ser Deus (porque estaria fazendo maldades, sendo imperfeito), o que é absurdo. Da mesma forma que ninguém pode me chamar de mau desenhista porque eu não sei desenhar um triângulo de quatro lados. Isso é simplesmente e intrinsecamente 
impossível.

Abraços, Paz de Cristo.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

As 5 afirmações mais idiotas que ouvi na universidade



Se você quiser dar uma boa risada, basta visitar um campus universitário e ouvir em algumas conversas aleatórias. Os temas mais estranhos são discutidos. Vamos analisá-los. Muitas coisas idiotas são ouvidas nos campi universitários. A maioria vem da boca dos arrogantes estudantes de graduação que pensam que sabem tudo, mas não são os únicos… Às vezes os professores (em sua maioria) são piores! Especialmente quando se trata de religião, teologia e filosofia. Por que é que os professores que sabem pouco ou nada sobre religião, teologia, filosofia, política gostam de fazer afirmações ousadas sobre religião, teologia e filosofia e política? Eu ouvi o meu quinhão de acusações ridículas feitas em nome dos acadêmicos e eu decidi listar as 5 piores aqui.

5. O censo registrado em Lucas 2 é obviamente inventado. Por que César chamaria a todos para sua cidade natal, a fim de registrá-los? Imagine se Obama quisesse registrar a população e pedisse a todos para retornar à sua cidade natal! Imagine o caos que iria acontecer!

Of course! Porque nós sempre determinamos a historicidade de um evento na Antiguidade, imaginando como seria viável se fosse promulgado no século 21! Grande metodologia histórica!

O censo registrado em Lucas 2, que afirma que todos foram obrigados a voltar para sua cidade natal a fim de ser registrados não pode ser uma invenção só porque não conseguimos entender  como Obama emitiria uma ordem dessas atualmente. Usando essa linha de raciocínio, teríamos de jogar fora tudo o que sabemos sobre a história! Os faraós egípcios e imperadores romanos nunca deixaram de ver a si mesmos como figuras divinas, só porque o presidente Obama não proclama isso sobre si atualmente. Civilizações antigas não deixaram de utilizar carruagens como principal meio de transporte só porque a sociedade ocidental atual não utiliza normalmente carruagens, pois temos modos ligeiramente mais eficientes de transporte como automóveis e aviões (embora eu afirme que carruagens são muito mais legais).

4. Os Evangelhos foram escritos 200 anos após a morte de Jesus.

Eu ainda tenho que encontrar qualquer estudioso da Antiguidade que acredita nisso. Mesmo os estudiosos mais liberais e céticos do Novo Testamento colocam a composição dos Evangelhos dentro de todo o século I.

Marcos: 70 d.C.

Mateus: 80 d.C.

Lucas: 90 d.C.

João: 100 d.C.

Estas são datas gerais e estão mais próximas aos propostos por estudiosos liberais. A datação dos Evangelhos é complicada. Existem várias linhas de estudos acadêmicos que têm opiniões diferentes, mas os estudos mais acadêmicos e abalizados do Novo Testamento estão de acordo com relação aos Evangelhos terem sido compilados antes do século II.

3. O argumento cosmológico é muito frágil. Os defensores do argumento cosmológico não percebem que há um enorme problema com a ideia de uma “causa” para o universo. Eles não percebem que a causa tem que ser natural.

Então o sujeito simplesmente pára por aí, como se o caso fosse resolvido.

Você pode estar tão confuso quanto eu.

É isso mesmo? É isso o que está afirmando? Esse é o poderoso “argumento que põe por terra” o argumento cosmológico?

Se o universo tem uma causa, então a causa deve ser natural? Por quê? Além disso, se a natureza é definida como toda a matéria, energia, tempo e espaço, e se toda a natureza veio à existência no início do universo com o big bang, então como pode a causa de toda a natureza ser natural?

2. Não há nenhuma fonte não-bíblica que menciona Jesus.

Se por “nenhuma fonte” você quer dizer 33 fontes dentro de 150 anos de vida de Jesus, compostas por 20 fontes cristãs, 4 fontes gnósticas e 9 de fontes seculares, então você está correto!

Fontes seculares que mencionam Jesus: Josefo (historiador judeu), Tácito (historiador romano), Plínio o Jovem (político romano), Flegonte (escravo liberto que escrevia histórias), Luciano de Samósata (satírico grego), Celso (filósofo romano), Mara Bar Serapião (prisioneiro que aguardava execução), Suetônio (historiador romano), e Talo (Gary Habermas e Michael Licona,  Em defesa da ressurreição de Jesus, Grand Rapids: Kregel, 2004, p. 233).

1. Darwin contribuiu muito. Sabemos que Deus não existe, porque agora entendemos a evolução.

1. Darwin nos deu um mecanismo pelo qual podemos entender como as formas de vida mais elevadas evoluíram a partir de formas de vida inferiores.
2. Portanto, Deus não existe.

Ou há uma série de premissas implícitas que precisam ser retiradas para que esse argumento possa funcionar ou isso é logicamente falacioso (e muito tolo).

A conclusão não segue as premissas. É totalmente irracional. Como a evolução mostra que não há Deus? Não há absolutamente nenhuma conexão entre os dois. A evolução é simplesmente uma explicação para a variação e a similaridade entre e entre as espécies. Diz-nos como nós evoluímos. Ela não faz nada para apresentar um processo contra a existência de Deus. Nem um pouco.

Então temos isso, declarações tolas e imbecis feitas por aqueles que professam a honestidade intelectual e rigor na apresentação de pontos de vista opostos de forma justa e sem descaracterizações. Isto é essencialmente um disparate pseudo-intelectual que procura desacreditar o teísmo sem ter uma sólida compreensão dos argumentos e ideologias que estão sendo apresentadas. Deturpar a posição do seu adversário e argumentar contra ele sem tomar tempo para pesquisar corretamente, leva-se a objeções amadoras e argumentos facilmente refutáveis. Principalmente para os nossos  brilhantes faróis da academia …


Tradução: Emerson de Oliveira

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O que seria das mulheres sem o cristianismo?


Por Leandro Teixeira.

Muito se fala sobre a situação da mulher na sociedade moderna. Acreditam não poucos que há um grande desnível – ou abismo mesmo – entre os direitos e deveres do homem e os da mulher, sendo que essa última tem sido historicamente prejudicada. E não faltam candidatos a carrasco do sexo feminino. A última moda agora é acusar as religiões de forma geral, e o Cristianismo, em especial.

Não há a menor dúvida de que existem religiões no mundo que cerceam os direitos da mulher. O Islamismo é um bom exemplo deste tipo. Tanto o seu livro sagrado como a sua literatura teológica discrimina e rebaixa gravemente a mulher a ponto de torná-la um objeto de propriedade, primeiramente do pai, e depois do marido. Contudo, neste texto quero provar que não há razão por que colocar o Cristianismo no mesmo cesto das religiões que pejoram a mulher. Mais do que isso, vou mostrar como o Cristianismo colocou a mulher em uma situação muito melhor do que qualquer outro sistema religioso ou filosófico que já existiu.

Um pouco de história

A vida da mulher não era fácil nas culturas antigas. Em geral, eram propriedade dos maridos. Não eram consideradas capazes ou competentes para agirem independentemente. Vejamos a Grécia antiga. Aristóteles disse que a mulher estava em algum lugar entre o homem livre e o escravo (considerando que a situação do escravo não era nenhum pouco auspiciosa, perceba a pobre situação feminina), e que era um “homem incompleto” (Política). Platão, por sua vez, entendia que se o homem vivesse covardemente, ele reencarnaria como mulher. E se essa se portasse de modo covarde, reencarnaria como pássaro (A República, Livro V).

A sorte das mulheres não era muito melhor na Roma antiga. Poucas famílias tinham mais de uma filha. O casamento romano era uma forma de trazer mais material humano para formação do exército, e assim permitir à Roma a continuidade de sua expansão; por isso, o interesse estava em ter filhos homens. Daquelas, porém, que sobreviveram ao infanticídio, eram-lhes reservadas as tarefas do lar, mas não o exercício da cidadania e a participação política, coisa reservada apenas aos patrícios homens.

Na China, até bem recentemente, o infanticídio era uma prática comum. Os bebês do sexo feminino eram entregues como alimento aos animais selvagens ou deixados para morrer nas torres dos bebês. Adam Smith escreveu sobre essa prática no seu famoso livro, A Riqueza das Nações, de 1776. Ele fala inclusive que o descarte de bebês indesejados era mesmo uma profissão reconhecida e que gerava renda para muitas pessoas.

Vejamos outros casos. Na Índia, viúvas eram mortas juntamente com seus maridos – a prática chamada de sati (que significa, a boa mulher). Também havia tanto o infanticídio quanto o aborto feminino. Além disso, meninas eram criadas para serem prostitutas cultuais – as devadasis. Nessa prática religiosa, a menina era “casada com” e “dedicada a” um dos deuses hindus. Nos rituais de adoração a esses deuses havia dança, música e outros rituais artísticos. Conforme iam crescendo, as devadasis se tornavam servas sexuais, de homens e dos “deuses”. Ainda hoje, famílias pobres entregam suas filhas para estas deidades com o objetivo de alcançar delas algum favor, ou ainda obter algum meio de renda com os frutos da prostituição.

Na África, o problema era semelhante à prática do sati da Índia. Quando um líder tribal morria, as esposas e concubinas do chefe eram mortas juntamente com ele. Mesmo hoje, no Oriente Médio, o valor da mulher é mínimo.

A mudança trazida pelo Cristianismo

Que diferença trouxe a vinda de Jesus Cristo entre nós? Muita, em vários pontos. Na verdade, foi uma revolução. Muito do que Jesus Cristo ensinou já era praticado pela sociedade judaica (que era muito diferente das nações à sua volta), e outros pontos tiveram seus termos desenvolvidos por Ele. Mas mesmo os judeus tinham um tratamento discriminatório em relação às mulheres; Jesus, entretanto, se relacionava de forma saudável com elas. De forma geral, o Cristianismo colocou a mulher em pé de igualdade com os homens. Como ele fez isso?

- Dizendo que ambos foram criados por Deus, à sua imagem e semelhança (E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou – Gên 1:27). Para Deus, homens e mulheres têm o mesmo valor (Gl 3.28);

- Que ambos deveriam dominar e sujeitar a natureza (E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra – Gn 1.28). Não há nada que impeça a mulher, tanto quanto o homem, de explorar a criação em cumprimento ao mandato cultural;

- A decisão de Deus criar a mulher a partir de Adão declara que ambos provêm da mesma essência (Gn 2.22), mostrando que a mulher em nada é inferior ao homem, nem tampouco lhe é superior. E a declaração de Adão mostra que sua mulher Eva é parte de si mesmo, tendo o mesmo valor que ele próprio (Gn 2.23 );

- Que o casamento, como instituição divina, implica que o homem foi feito para a mulher, assim como a mulher foi feita para o homem, e dessa forma ambos andam como uma unidade em dois corpos (Gn 2.24), o que destrói a ideia de que a mulher é escrava do marido, ou vice-versa. São complementares;

- O Cristianismo também evitou que a mulher fosse injustiçada, não permitindo a poligamia, que é inerentemente prejudicial a elas (1Co 7.2);

- O Cristianismo ensinou o cuidado com as viúvas. Elas, se não tivessem recursos, deveriam ser cuidadas e sustentadas pela igreja (1Tm 5). Se o marido morre, ela é livre para continuar viúva ou casar novamente, se quiser;

- O Cristianismo condenou a prostituição ao declarar que o corpo não pertence a nós mesmos, mas a Deus, e que ele é templo do Espírito Santo (1Co 6.13,19). O corpo do homem pertence à mulher, e o da mulher ao homem (1Co 7.4);

- O Cristianismo aprova a instituição do casamento, que não só protege a mulher da exposição aos males sociais, como provê um ambiente seguro material, espiritual e sentimentalmente para o seu desenvolvimento integral (Ef 5.28-29);

- O Cristianismo protege a vida, que entende começar no momento da concepção. Dessa maneira, nenhuma criança deixa de nascer devido a características indesejáveis (pelos pais) que ela tenha ou seja. A vida é direito inviolável, outorgada por Deus, sendo que somente Ele tem direito de reavê-la (1Sm2.6; Jó 1.21);

- O Cristianismo também proibe a pornografia, pois entende que ela é equivalente ao adultério. Com isto, a mulher deixa de ser vista como um objeto aos olhos do homem, e reserva o sexo e a nudez para aquele que tem direito a estas coisas, a saber, o marido (Mt 5.28).

Uma palavra sobre o movimento feminista

Se há algum direito, de qualquer pessoa que seja, que deva ser assegurado, eu sou completamente a favor da luta por ele. A sociedade falha em tratar as mulheres adequadamente porque ela não é uma sociedade moldada exclusivamente pela moral cristã. Muitos dos direitos pelos quais o movimento feminista luta são justos: direitos trabalhistas iguais aos do homem, proteção contra violência física e emocional, igualdade de direitos civis, entre outros. Porém, alguns pontos pelos quais ele luta não são bons, como, por exemplo, o aborto. Ora, o aborto sempre foi uma ferramenta usada pelo homem – e geralmente usado para evitar nascimento de mulheres! O aborto se refere a algo além do corpo da mulher; é outro ser vivo. Ocorre que ao lutar por este “direito”, a mulher trata um bebê ainda não nascido como algo menos que humano, tal como um objeto: ou seja, do mesmo modo que ela própria já foi tratada na história.

Outro problema que eu vejo é que algumas feministas mais exaltadas não querem simplesmente uma equiparação de direitos; desejam ocupar o lugar do homem que as explorava, transformando-se em exploradoras. Almejam uma inversão de papéis. Ao invés de uma sociedade patriarcal, sonham com uma matriarcal. E algumas feministas ainda descambam para a misandria – o ódio pelo sexo masculino.

Concluindo

O que o paganismo faz para proteger a mulher? Nunca fez nada, e nunca fará. E estas outras religiões não-cristãs? Normalmente colocam o sexo feminino em uma posição inferior a do homem. E o humanismo? Nada trouxe de bom para as mulheres. Na prática, uma vertente humanista (evolucionista) ensina que nada há de especial na humanidade; tudo que há é resultante de acaso. Somente o mais forte sobrevive (ou domina). Se for o sexo masculino, assim deve continuar a ser. É natural que seja assim. Não há justificativa moral (do ponto de vista evolucionista) para proibir a violência fisica, sexual, emocional à mulher, e nem mesmo porque condenar posicionamentos machistas. A máxima é “o que agora é, é o certo”.

Mas não é assim com o Cristianismo. Em todos os lugares onde ele chegou, as condições das mulheres melhoraram. Onde ele não alcançou, vê-se coisas terríveis, como a eugenia sexual, o infanticídio e a prostituição. Contudo, podemos ver que algumas sociedades, que já foram declaradamente cristãs, hoje estão decaindo moralmente com o avanço do antigo paganismo – legalizando o aborto, o homossexualismo e a prostituição. Seria interessante que algumas feministas, que falam ousadamente contra o Cristianismo, aprendessem um pouco mais da história da humanidade e assim apercebam-se de que, se não fosse por essa religião que elas tanto condenam, talvez elas sequer estivessem vivas hoje.

Fonte: Napec
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